O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) contabilizou 14 casos de raiva em morcegos em Campo Grande em 2026, o número superou os 11 registros de todo o ano de 2025. Os agentes do CCZ recolheram 1.035 morcegos para análise até outubro deste ano. O contato de cães e gatos com morcegos infectados transmite o vírus da raiva aos animais domésticos.

Os agentes de saúde do CCZ realizam a vacinação antirrábica domiciliar de cães e gatos desde 2006. O último caso registrado de raiva em cães em Campo Grande ocorreu em 2011, na região do Bairro Jardim Anache. O animal não estava vacinado e contraiu o vírus após o contato com um morcego infectado.

A médica-veterinária do CCZ, Maria Aparecida Conche ressalta que a prevenção reduz os riscos de transmissão da doença entre animais e seres humanos. “A raiva é causada por um vírus que atinge o sistema nervoso central de qualquer mamífero e provoca lesões lentas, progressivas e irreversíveis. Cães, gatos, seres humanos e animais silvestres podem contrair a doença e transmitir o vírus. Depois que o vírus atinge o sistema nervoso, a doença não tem cura, existem casos raríssimos de recuperação em humanos, porém a raiva é quase 100% letal. Por isso, precisamos trabalhar com a prevenção”.

Maria Aparecida Conche destaca que a aproximação de animais domésticos com morcegos infectados representa riscos à saúde. “Às vezes, você encontra um morcego caído no chão, vivo ou morto, ou voando durante o dia. A principal orientação é nunca tocar nele e, se possível, isolá-lo. Quando um cachorro encontra um morcego caído, ele não sabe do perigo e tenta se aproximar ou abocanhar o animal. Se o morcego estiver infectado, pode ocorrer a transmissão do vírus”.

As equipes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) vacinam cães e gatos gratuitamente nas residências e na sede do CCZ  em Campo Grande. A Superintendência do Bem-Estar Animal (Subea) realiza imunização na sede, próxima a Santa Casa, e em consultório móvel que percorre os bairros da capital. Os profissionais da Subea vacinaram 7.368 animais contra a raiva entre janeiro e setembro de 2026. 

O superintendente da Subea e médico veterinário, Edvaldo Salles destaca que a redução na vacinação antirrábica aumenta os riscos para animais. “Como é um caso que na maioria das vezes não surge, as pessoas deixam de temer a doença. Em todo o estado, o nível de vacinação vem caindo, e isso preocupa, porque causa um alerta em todo mundo. As pessoas não estão dando a devida importância, acham que a vacinação não é essencial, quando na verdade é muito importante, porque é uma doença que não tem cura e pode levar à morte tanto os animais quanto os seres humanos. Então, o tutor tem que ter essa consciência”. 

O escritor Percival da Cruz, tutor de dois cães, mantém os cuidados com a saúde dos animais como parte da rotina da família. "Todos os animais que nasceram na minha casa sempre foram vacinados. Hoje temos duas cachorrinhas e antes costumávamos levar elas no pet shop para tomar a vacina anual, só que neste ano fomos ao consultório móvel da Subea na Praça do Papa, e foi tudo bem rápido. Eu sempre soube do perigo da raiva, tanto para os animais quanto para as pessoas, por isso faço questão de manter a vacinação em dia e cuidar o quintal quando vejo muitos casos de morcegos que testaram positivo para doença aqui na cidade".

O Ministério da Saúde informa que a hidrofobia é um dos sintomas da raiva e provoca espasmos na garganta e dor ao engolir líquidos. O vírus da raiva provoca salivação abundante, alterações de comportamento e mudanças nos hábitos alimentares dos cães. Os moradores que identificarem esses sinais devem evitar o contato com o animal e comunicar a suspeita ao serviço de vigilância de zoonoses.

Serviço

- Centro de Controle de Zoonoses (CCZ): Avenida Senador Filinto Müller, 1601. Segunda a sexta, das 7h00 às 21h00; fins de semana e feriados, das 6h00 às 22h00. 

- Superintendência do Bem-Estar Animal (Subea): Rua Rui Barbosa, 3538. Segunda a sexta, das 7h30 às 13h30.