O custo da Cesta Básica em Campo Grande reduziu 0,49% entre julho e agosto de 2026 e passou de R$ 809,10 para R$ 805,13. A compra dos alimentos comprometeu 53,70% do salário mínimo de R$ 1.621, com o desconto da Contribuição Previdenciária. O valor corresponde a mais da metade da renda mensal disponível para trabalhadores que recebem piso salarial.

O trabalhador que recebe Salário Mínimo cumpre o equivalente a 109 horas e 16 minutos para adquirir os produtos da Cesta Básica. O custo dos alimentos apresentou alta de 4,73% entre agosto de 2025 e agosto de 2026. A comparação anual indica que os preços da Cesta Básica permaneceram acima dos valores do ano anterior.

A supervisora técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Andreia Ferreira, destaca que a redução de 0,49% no custo da Cesta Básica ocorreu em um período no qual cinco dos 13 produtos que compõem a cesta tiveram queda de preço. A lista inclui carne bovina, leite integral, feijão-carioca, arroz, farinha de trigo, batata, tomate, pão francês, café em pó, banana, açúcar, óleo de soja e manteiga. Relatório do Dieese registra que o tomate teve a maior redução de preço, de 27,09%, em seguida a batata, com 20,10%, e o feijão-carioca, com 5,09%. O preço do café diminuiu 1,63% e o pão francês, 0,44%.

O preço da banana teve a maior alta, de 9,03%, depois o leite integral, com aumento de preço de 7,42%, e a carne bovina de primeira, com elevação de 4,81%, entre entre julho e agosto de 2026. O custo da batata acumulou alta de preço de 39,42% entre agosto de 2025 e agosto de 2026, seguida pelo feijão-carioca, com 31,04%, e pela carne bovina de primeira, com 10,26%. A supervisora técnica do Dieese ressalta que a redução do valor total dos preços não significa que todos os alimentos ficaram mais baratos. “As reduções observadas nos preços de cinco alimentos tiveram impacto mais expressivo do que os aumentos observados no custo dos outros oito itens que compõem a cesta básica”. 

O vendedor de medicamentos Kelson Quadros gasta cerca de R$ 3 mil por mês com alimentação. Ele organiza as compras de acordo com as promoções e a necessidade de reposição dos produtos. “Pela quantidade de pessoas, já compra algumas coisas que estejam em promoção, bom de preço, já compra em quantidade maior para que consiga ficar mais em conta”. 

Kelson Quadros reduz a compra de produtos considerados menos essenciais quando precisa controlar os gastos. “Algumas coisas a gente acaba cortando, alguns produtos supérfluos a gente acaba cortando”. Ele ressalta que a redução de 0,49% registrada em agosto não foi percebida nas compras da família. “Essa redução de preço, sinceramente, eu não consegui perceber que houve redução. Nós estamos cada dia mais assustados com o quanto que os alimentos sobem”. 

A empresária Nayara Martins Oshiro gasta cerca de R$ 4 mil por mês com alimentação, com parte significativa do orçamento destinada à compra de carne. Nayara Oshira, para economizar, adapta as escolhas de alimentos de acordo com os preços dos produtos. “Frango, ovo, a gente substitui pela carne. Tira carne e compra ovo.”

O economista Renato Prado Siqueira destaca que uma redução mensal do preço da Cesta Básica de 0,49% não significa uma melhora no poder de compra das famílias. “Uma queda em um mês específico pode acontecer por questões sazonais, aumento da oferta ou redução temporária no preço de algum produto”. Siqueira ressalta que o comprometimento de 53,70% do salário mínimo com a cesta básica  reduz o valor disponível para as demais despesas. “Quando mais da metade da renda disponível é destinada somente à alimentação básica, sobra uma parcela pequena para todas as outras despesas. Uma melhora do poder de compra ocorre quando ao longo do tempo a renda das famílias cresce mais do que o custo dos bens e serviços que ela consome”.