A Rede Municipal de Ensino (Reme) de Campo Grande ficou abaixo da meta nacional no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A média brasileira no Sistema de Avaliação da Educação Básica, em 2023, registrou a nota 4,6 pontos superior à rede de ensino da capital sul-mato-grossense. A Rede Municipal de Ensino registrou 3,6 pontos de dez na classificação de aprendizado. 

A rede de escolas da Capital ocupa, em 2026,  a primeira posição entre os municípios de Mato Grosso do Sul no indicador de acesso à educação do ranking de Competitividade dos Municípios, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). As escolas municipais de Campo Grande atendem 120.582 alunos em 285 escolas. O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) classificou como "Inadequado" o aprendizado em matemática nas escolas municipais de Campo Grande. 

A doutora em Educação e professora da Faculdade de Educação  da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Sandra Novais afirmou que o acesso à educação no município "exige investimentos para garantir melhores condições de aprendizagem". Ela destacou que "as desigualdades na formação escolar e a falta de acesso a cursos complementares dificultam o ingresso de estudantes de escolas municipais em cursos de alta concorrência. Mesmo com as políticas de cotas, a desigualdade permanece. Ainda são cursos que ficam destinados a uma parcela da população, que tem acesso a uma educação qualitativamente maior".

O telhado da Escola Arassuay Gomes de Castro está danificado e causa alagamentos em dias de tempestades. 
Foto: Victória Costacurta

Francyelle Macedo matriculou a filha no primeiro ano do Ensino Básico e afirmou que "falta conservação na unidade. Minha filha sempre reclama que não tem papel higiênico no banheiro feminino”. Lethicia Medeiros matriculou os filhos na Rede Municipal, e comprou os materiais que não foram disponibilzados pela unidade. "Acho que uma das maiores dificuldades é isso, os materiais sempre demoram principalmente no começo do ano. Então não dá para contar com os materiais escolares que eles doam".

A professora de Língua Portuguesa e Gramática, Vitória Mombrum leciona na Rede Municipal de Ensino há dois anos e afirmou que as redes públicas de ensino tem uma quantidade menor de funcionários que a rede privada. A docente afirmou que não há assistentes de educação  para atender alunos com deficiências. ‘‘Às vezes faltam profissionais. Das salas que eu leciono, tem uma estudante que tem transtorno de dificuldade de aprendizagem. Ela não consegue acompanhar a turma, porque não tem uma profissional especializada. A escola solicita, mas não chega pra gente, e quando chega, tem que remanejar para outra sala".

A professora de Ensino Básico e Fundamental da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande, Ana Silva* afirmou que a falta de ar condicionado, mesas e cadeiras dentro das salas de aula comprometem a qualidade de ensino e aprendizado dos alunos. Nosso trabalho só não sai melhor por conta da infraestrutura e do número excessivo de crianças em apenas uma classe. O número reduzido de alunos é fundamental para que essa educação de fato seja de qualidade".