Os agricultores familiares de Mato Grosso do Sul têm até 29 de outubro para participar da chamada pública do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que destina R$ 3,1 milhões para a compra de produtos em 24 municípios. O edital contempla produtores de diferentes regiões do estado, como Corumbá, Ponta Porã, Dourados e Terenos. A chamada pública integra a modalidade Compra com Doação Simultânea, que destina os alimentos adquiridos a pessoas em situação de vulnerabilidade social.

O programa movimentou R$ 9,1 milhões na compra de alimentos de aproximadamente 1.400 agricultores familiares de Mato Grosso do Sul entre agosto de 2025 e agosto de 2026. A produção incluiu hortaliças, frutas, raízes, tubérculos, cereais, leguminosas, leite, queijo, mel, pães e doces. A compra dos alimentos ocorreu em 36 municípios do estado.

A coordenadora de compras institucionais da Secretaria-Executiva de Agricultura Familiar, Povos Originários e Comunidades Tradicionais (SEAF) na Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Maria Tainara Soares Vitorino ressalta que as compras públicas ajudam os produtores a comercializar os alimentos. “Não basta a gente incentivar o agricultor a produzir, nós também temos que criar condições para que ele consiga comercializar tudo aquilo que ele produz”. Ela destaca que catalogar os produtos, as quantidades e os valores permite que os agricultores produzam e planejem as entregas.

A agricultora Naiara Clingia de Arruda faz parte de uma comunidade quilombola e participa do PAA municipal e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Ela cultiva alface, couve, cebolinha, salsa, repolho, abobrinha e milho. A produção de Naiara Arruda abasteceu 36 escolas em 2026, em parceria com outros cinco produtores, em comparação com nove instituições atendidas em 2025.

Naiara Arruda ressalta que as compras públicas ajudam a organizar a produção e destinação para os alimentos cultivados. “O pequeno produtor, ele planta já com a certeza de que ele vai ter um destino final pro seu produto”. A agricultora destaca que a participação nos programas contribui para o aumento da renda. “E para nós, essa venda no programa, ela é muito significativa, né, porque ela nos ajuda tanto no aumento da renda, quanto nos possibilita melhor qualidade de vida”. 

A agricultora Sônia Regina de Barros Nazaré produz abóbora, maxixe, quiabo, melancia e outros frutos há 10 anos. Ela comercializa em feiras, no Mercado Escola da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e diretamente com os consumidores. Sônia Nazaré afirma que participar da iniciativa do PAA garante mais segurança para a comercialização dos alimentos. “Quero muito participar do programa PAA, não consegui ainda, mas eu conseguiria planejar melhor o trabalho e ter maior segurança do destino dos alimentos e reduzir a dependência de intermediários”.

A coordenadora de compras institucionais da SEAF, Maria Teinada Soares Vitorino destaca que a documentação é uma das exigências para participar das compras públicas. “O agricultor precisa ter o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e atender aos requisitos de cada edital, que podem incluir inscrição estadual e regularização sanitária, conforme o produto comercializado”. A coordenadora ressalta que a assistência técnica é importante para orientar os produtores na documentação, na organização da produção e no cumprimento das exigências. “Os agricultores podem procurar os escritórios da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (AGRAER) para receber orientações sobre os programas. As chamadas públicas do PAA estadual são divulgadas no Diário Oficial do Estado, e cada modalidade possui regras próprias de participação”.