O reajuste de 5,4% do sálario dos professores da Rede Municipal de Ensino (Reme) será dividido em três etapas, com 2% do pagamento em setembro, 1,4% em dezembro e 2% restantes em janeiro de 2027. O reajuste corresponde à atualização do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério para 2026. A data para negociação e pagamento do reajuste salarial tinha como data base maio de 2026.

O passivo trabalhista dos professores com jornada de 20 horas semanais faz parte das negociações entre a Prefeitura de Campo Grande e o Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP). O cronograma anterior previa o pagamento de 3% do passivo em setembro de 2026, e reajustes anuais de 5% entre 2027 e 2030. O  pagamento da parcela prevista para setembro será negociado em janeiro de 2027, com pagamento previsto até maio.

O presidente da ACP, Gilvano Kunzler Bronzoni enfatiza que a Prefeitura apresentou uma proposta de reajuste zero para 2026. Bronzoni ressalta que a ACP estabeleceu três condições para o acordo. “Redução do salário dos professores temporários, o fim das aulas complementares sem aviso prévio aos professores, para que se organizem, e a manutenção dos grupos um, dois e três na educação infantil. Esses três pontos são sensíveis para a categoria e impactam muitas famílias de professores”.

 
Bronzoni destaca que os 3% previstos para setembro não foram pagos. “O passivo acumulado, que era 3% no mês de setembro, previsto no mesmo acordo, será discutido no mês de janeiro, para ser pago até maio de 2027”. O presidente destaca que serão realizadas reuniões mensais entre o Sindicato, a Comissão de Educação e Desporto  da Câmara Municipal e a equipe de secretários da Prefeitura para discutir as verbas da área da Educação.

Professora Fernanda Souza*, que atua com crianças e adolescentes com deficiência, enfatiza que o reajuste não atende às necessidades financeiras dos profissionais da educação. “Primeiro, nosso salário está defasado, ao longo dos anos o poder de compra da nossa moeda vem caindo. A falta de recursos nas escolas aumenta nossas despesas, o que faz com que os professores, muitas vezes, paguem os recursos básicos do próprio bolso”.

A professora destaca que a defasagem salarial causa endividamento e problemas na saúde mental dos professores. “Para manter contas em dia, precisamos buscar por créditos financeiros em bancos, o que nos coloca em uma roda sem fim de endividamento, trazendo com isso o adoecimento mental”. A professora menciona que o aumento das taxas de juros e dos impostos são fatores que dificultam o pagamento das despesas cotidianas.

A Lei Municipal de N. 7.523, de 17 de novembro de 2025 regulamenta a reposição de 100% da correção anual do Piso Nacional em maio de cada ano até 2030. Professor de Língua Portuguesa e Introdução aos Estudos Literários dos anos finais do ensino fundamental, João Ferreira* destacou que o reajuste salarial não assegura o poder de compra, porque a reposição não é paga na data base. “O reajuste atende em parte a reivindicação dos professores, porque além do atraso, a negociação inicial era o pagamento integral dos 5,4% na data base, mas ele foi parcelado”.

Professor de Língua Inglesa dos anos finais do ensino fundamental, Mateus Silva* enfatiza que no momento em que o servidor recebe o pagamento do reajuste houve perdas inflacionárias . “A gente recebe o reajuste durante vários meses e isso demanda menor remuneração durante setembro, outubro e novembro e menor incidência sobre férias, Décimo Terceiro Salário e outras verbas calculadas sobre o vencimento desse período. É uma perda financeira que não é totalmente recuperada pelo simples fato de o índice final chegar a 5,4%”. O professor enfatiza que possui tempo e progressão funcional sem ter reconhecimento financeiro, quem está no início da carreira o desafio é maior. 

*Nomes fictícios para preservar o sigilo da fonte