A região da antiga Rodoviária de Campo Grande concentra pessoas em situação de rua, que interferem na rotina dos estabelecimentos comerciais do entorno. A situação afeta a circulação de clientes e o funcionamento das empresas. Equipes da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS) realizam visitas em locais em que se concentram pessoas em situação de rua, para auxiliar com cuidados básicos de saúde e higiene.

O Grupo de Trabalho Intersetorial da População em Situação de Rua (GT-PSR) divulgou relatório publicado pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul.  O relatório identificou cerca de 1,4 mil pessoas em situação de rua em Campo Grande e constam informações de distribuição territorial, perfil socioeconômico, acesso ao trabalho e à renda, documentação e vulnerabilidades sociais.

A presença de pessoas em situação de rua no entorno da antiga Rodoviária gera desconforto em comerciantes da região. O atendendente de balcão, Marcos Roberto Arashiro trabalha há quatro meses no local e afirma que a situação interfere no movimento do estabelecimento. Segundo ele, a presença das pessoas reduz a circulação de clientes de outras áreas.

A gerente do Hotel Itaverá MS, Maria Helena Montanha afirma que a presença de pessoas em situação de rua no entorno do estabelecimento causa desconforto aos hóspedes. Segundo Maria Helena, "alguns clientes sentem insegurança ao circularem pela região durante a noite". A gerente ressalta "o barulho afasta os hóspedes".

Maria Helena Montanha afirma que alguns hóspedes cancelaram a hospedagem devido ao barulho e a insegurança. Segundo ela, “a instalação de uma unidade da Guarda Municipal na região vai reforçar a segurança”. A gerente afirma que “a atuação da Polícia Comunitária oferece ainda mais segurança aos comerciantes”.

O coordenador do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS), Eduardo Oliveira ressalta que não há dados específicos para confirmar o aumento da população em situação de rua no quadrilátero da antiga Rodoviária. Segundo ele, as informações disponíveis são organizadas por macrorregiões do município, sem permitir quantificar as pessoas que permanecem nessa área.

Eduardo Oliveira afirma que a região central concentra a maior parte de pessoas em situação de rua. “O Seas realiza buscas em diferentes pontos da cidade e atende às solicitações de moradores e unidades de saúde. O serviço funciona 24 horas por dia e orienta a população em situação de rua sobre documentação, trabalho e moradia".

Segundo o coordenador, a abordagem social ocorre por meio do contato direto entre a equipe e as pessoas em situação de rua. Os agentes do Seas prestam os serviços, estabelecem diálogo e identificam as necessidades prioritárias antes dos encaminhamentos de acordo com a cartilha do Governo Federal. 

O Centro POP é uma unidade de atendimento da assistência social que oferece suporte técnico, alimentação, banho e orientações para acesso a benefícios públicos. A nova unidade no bairro Amambaí, em setembro de 2026. A unidade oferece chuveiros, lavanderia, refeitório e área de convivência, atendimento social e orientações nas áreas de saúde, moradia e trabalho.

O morador de rua, João Carlos (42) afirma que permanece na região há cerca de oito meses, porque conhece o local e os pontos onde consegue auxílio. "A falta de trabalho e de moradia dificultam a gente reorganizar a vida". A região permite que ele identifique locais onde procura por ajuda.

A moradora de rua, Maria Aparecida (56) está na região há cerca de quatro meses. Ela procura alimentação, locais para higiene e formas de conseguir dinheiro para atender às necessidades básicas. Ela afirma que a ausência de um abrigo seguro dificulta a procura por emprego e a organização da rotina.

A  SAS mantém ações regulares na região da antiga rodoviária e realiza atividades conjuntas com o Consultório na Rua, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. De acordo com Eduardo Oliveira, a estratégia inclui abordagens periódicas, orientações e encaminhamentos para emissão de documentos, inserção no mercado de trabalho, atendimento médico e acolhimento habitacional.