Mulheres na inovação

De acordo com dados da Associação Brasileira de Startups, a região Centro-Oeste detém 5,1% das startups brasileiras, dessa porcentagem, 7,8% estão em Mato Grosso do Sul. O monitoramento do Living Lab MS sobre o ecossistema de inovação no estado apontou que a maioria das startups fundadas são de agrotech, seguido do retailtech e  do healthtech. Uma liderança assertiva é necessária para o desenvolvimento de qualquer empreendimento, e das startups criadas no estado 34% são lideradas por mulheres. 

Os ramos de negócios variam entre gastronomia, tecnologia, engenharias e comércio dentre as startups fundadas e lideradas por mulheres em Mato Grosso do Sul. O fator que conecta muitos dos empreendimentos inovadores das mulheres no estado é a sustentabilidade e sua aplicação em diferentes nichos de mercado. O estado apresenta algumas possibilidades de auxílio, como o Sebrae Living Lab e a Incubadora Municipal Norman Edward Hanson, para o desenvolvimento de uma ideia que pode ser transformada em startup. 

O analista do Sebrae e designer ux do Living Lab, Flávio Dominique afirma que grande parte das startups desenvolvidas no Mato Grosso do Sul são voltadas para o agronegócio em razão da economia do estado. Dominique explica que o método Living Lab não é brasileiro, e seu objetivo é auxiliar os novos empreendimentos do país com um "grande laboratório de prototipagem de negócios". O analista afirma que toda ideia pode ser compartilhada como o Living Lab, e a partir da viabilidade do projeto ele pode ser realizado com o apoio da instituição. "É uma forma de conectar o setor público, privado, e a comunidade a essas ideias. A gente faz todo um acompanhamento, desde a validação da ideia, até a construção do modelo de produto e a entrada no mercado". 

VÍDEO SEBRAE

Dominique comenta que a diversidade de pessoas em lideranças de startups é resultado do que é construído a décadas, a maioria dos fundadores das startups do estado são homens brancos, algo que mudou nos últimos anos. "Aqui é um ambiente seguro onde todos são bem vindos, a gente trabalha com negócios, então se a pessoa tem negócios interessantes, independente de quem for, qual a opção sexual, cor da pele, gênero; aqui recebemos todo mundo". O analista afirma que grande parte das startups do estado com perfil socioambiental e sustentabilidade são fundadas por mulheres. O Sebrae Delas é uma forma das mulheres ingressarem no mercado de trabalho como empreendedoras, e com a possibilidade de criar uma solução inovadora que se desenvolva em uma startup.

VÍDEO SEBRAE

A bacharel em direito pela Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul e product owner da Farfetch, Júlia Xixa relata que a sua experiência com liderança e empreendedorismo começou durante a graduação. No primeiro semestre da faculdade a estudante participou da criação da Empresa Júnior do seu curso, e posteriormente atuou como líder de mercado da Federação de Empresas Juniores do estado de Mato Grosso do Sul (FEJEMS). Xixa afirma que essas experiências a ajudaram a "se encontrar" como profissional e como liderança feminina, em razão delas hoje ela trabalha em uma área diferente da sua formação acadêmica, mas que a faz feliz. 


"Para mim liderança feminina é, antes de tudo, se lembrar de onde você veio e pensar que ainda existem outras mulheres que a gente precisa ajudar e puxar para perto". [Olho]


ÁUDIO XIXA (07:56 - 08:41)

Julia Xixa acredita que quando uma mulher está em uma posição de liderança, além de pensar na qualidade do seu trabalho é preciso lembrar que "a gente quer empoderar o máximo de mulheres possível". A jovem relata que passou por diversas situações profissionais em que sentiu-se desrespeitada por ser mulher. "Várias vezes eu fui em reuniões com um colega de trabalho homem, expliquei tudo para o cliente e ele olhou para o meu colega e questionou assuntos que eu tinha acabado de explicar, mesmo sendo eu a pessoa que mais sabia do assunto".  Xixa comenta sobre situações comuns enfrentadas por mulheres, como ser ignorada ao falar sobre uma ideia e ver essa mesma ideia ser "aplaudida" quando é um homem que fala. "Às vezes você é taxada de grossa, mas na verdade você só está se impondo". 

"Eu vejo que ainda temos um estado majoritariamente machista, mas aos poucos as coisas estão acontecendo. Acho que hoje nós temos mais exemplos no nosso dia a dia, estamos em um crescimento do empreendedorismo feminino". [Olho]

Mulheres no Pantanal (Angí e Ciclo Azul)

Startups de sustentabilidade nascem com o objetivo de atender as necessidades do público-alvo com inovação, na busca de sanar e resolver questões por caminhos nunca antes percorridos, e sem comprometer as futuras gerações, devido a busca pela preservação e conservação de recursos naturais e sua maior duração, e assim também tenham a possibilidade de suprir suas necessidades. Ações sustentáveis junto ao cuidado com os recursos naturais estão presentes nos valores dessa nova forma de fazer empreendedorismo.

O bioma do Pantanal tem maior território nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, pulsa vida e uma rica fauna e flora. A preservação dessa área começa com o conhecimento dela, e uma relação harmônica entre ser humano e bioma. A maior planície alagada do mundo abriga aproximadamente 4.700 espécies, sendo 3.500 espécies de plantas existentes, que podem ser usadas pela comunidade pantaneira, ribeirinha, indígena ou extraídas para fins comerciais no geral. 

A empresária Beatriz Branco, é fundadora da marca Angí Chocolates, que promove a  sustentabilidade, com chocolates orgânicos e veganos, na inclusão de frutos nativos colhidos por pequenas comunidades do Pantanal. A fundadora nasceu na capital sul-mato-grossense, no entanto ainda criança se mudou para o interior do estado, onde permaneceu até sua adolescência. A mudança foi um dos fatores que contribuíram na sua conexão desde muito nova com a natureza. "Esse contato com a nossa natureza, com o rio, porque eu cresci na na beira do rio, em Coxim, com esses frutos que hoje utilizo na Angí, foi o que mais me despertou para o que existe de mais rico na nossa região, a nossa biodiversidade". 

A volta para Campo Grande, com 15 anos, devido ao ensino médio, fez os pensamentos do seu futuro profissional ascenderem em busca de alguma profissão que tivesse a inovação presente. A empreendedora lembra que ganhou uma bolsa de estudos em São Paulo, no Instituto Europeu de Design, e se formou como designer de produto. O trabalho na área de formação estava distante do que a jovem designer sentia e desejava, e os caminhos para o empreendedorismo eram uma possibilidade cogitada. "Quero voltar e montar algo que valorize a minha região, e ter meu negócio, que sempre foi um sonho". 

Segundo Beatriz Branco, o começo da Angí a fez sair da zona de conforto e conhecer do zero cada desafio de empreender em um segmento novo e desconhecido para ela. A ideia da marca nasceu a partir de um desafio do Sebrae que ela decidiu participar. Um dos desafios era a venda de produtos que foram inventados para o programa, ela foi a que mais vendeu, e conseguiu ganhar o curso que trouxe benefícios e suporte para a criação da marca.

"Sempre tem desafios, cada etapa do negócio são novos desafios" [olho]

segundo vídeo 0:16  - 2:00 até "foi muito difícil no início" 

A nova fábrica da Angí está em construção, e a fundadora afirma que empreender e ser mulher implica em uma série de dificuldades, ainda hoje, principalmente no cenário empreendedor, que ainda é majoritariamente ocupado por homens. "São homens na liderança, você vai falar com homens, o gerente é homem, enfim, existem ainda esses desafios". Por outro lado, a empreendedora acredita que as mulheres estão em uma época, que podem falar, e estão guiadas por redes de apoio formada por outras mulheres. O Sebrae é incluído na história da Angí com muito carinho pela fundadora, que cita o trabalho desenvolvido através do programa "Sebrae Delas"

terceiro vídeo 0:48 - 01:26 junto com outro 

"É difícil empreender, ter muitos desafios e às vezes a gente é solitária dentro do nosso negóico".[olho]

Beatriz Branco apoia os grupos de mulheres empreendedoras por ajudarem no entendimento das dificuldades e a buscar soluções que saem do próprio negócio. A ação de resolver as dificuldades na troca de experiência é vista por ela como necessária. "Nós temos as redes sociais ao nosso favor para ajudar". O grupo de mulheres no chocolate no Brasil e no mundo é um movimento que a empresária faz parte, e relata ser parte fundamental para atravessar os desafios no setor específico em que a Angí atua. "A gente se acolhe, tira as dúvidas umas das outras e não se sente tão sozinha". 

Mais 2 parágrafos

Mulheres no empreendedorismo social (Digna Engenharia)

O professor da Escola de Administração e Negócios (ESAN) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Geraldino Araújo é coordenador do Enactus, uma organização internacional sem fins lucrativos que busca "inspirar jovens universitários a transformar vidas por meio do empreendedorismo social". Araújo é responsável por auxiliar, quando necessário, os alunos da UFMS membros do Enactus em seus projetos voluntários. "O conceito de empreendedorismo social eu considero bem aberto, a gente consegue ter alguns indícios como geração de renda, comunidade, pessoas em vulnerabilidade social, e aqui em Campo Grande existem muitas oportunidades de trabalho para explorar o empreendedorismo social". 

VÍDEO ENACTUS (1:36 - 2:58)

O professor coordenador afirma que trabalhar com projetos de extensão, voluntariado e a comunidade "gera no aluno uma pessoa mais humana". O Enactus é uma iniciativa interdisciplinar que aceita alunos de todos os cursos de graduação. "O empreendedorismo social é uma forma de olhar para o outro e pensar como eu posso ajudar, o que posso fazer por ele". Araújo, que já ministrou aulas de empreendedorismo e inovação na Esan, acredita que o Mato Grosso do Sul tem demandas e mercado disponível para o investimento em startups. 

VÍDEO ENACTUS (11:41 - 12:39)
 

A Digna Engenharia é uma das startups de Mato Grosso do Sul que trabalha com empreendedorismo social. O projeto da empresa começou em 2018, com o Trabalho de Conclusão de Curso da graduação de engenheira civil, Evelin Melo. A empreendedora faz pós-graduação em Urbanismo Social e Políticas Públicas no Insper, e Curso de mestrado em Eficiência Energética e Sustentabilidade na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. A iniciativa de fundar a empresa surgiu a partir de uma experiência negativa que os pais da engenheira tiveram com um pedreiro. "Os meus pais juntaram dinheiro durante anos para mexer no esgoto da casa que tinha problema, o pedreiro fez de qualquer jeito e abandonou a obra. No final meus pais tiveram que fazer um empréstimo para refazer o serviço".

"A Digna nasceu depois de eu ver meus pais passando por situações difíceis e eu pensei: isso é real, eu nunca vi um engenheiro e um arquiteto na periferia trabalhando em obras menores". [olho]

Evelin Melo afirma que a falta de conhecimento sobre os próprios direitos como contratante do serviço e sobre questões técnicas que implicam esses trabalhos deixam os cliente vulneráveis a possíveis golpes. "Eu olhei para os meus vizinhos e pensei: eu tenho um público alvo imenso, um nicho de clientes que não tem atendimento, então eu não criei nada novo, só olhei para um público que ninguém vê, que é o público de baixa renda". A Digna Engenharia pauta as suas atividades no empreendedorismo social e na melhora da qualidade de vida da população em situação de vulnerabilidade social e as classes C e D.  

ÁUDIO EVELIN 08:12 - 09:14 

Após o cliente entrar em contato com a Digina Engenharia, para o desenvolvimento de uma obra, é realizada uma visita técnica para conhecer o ambiente que será reformado e fazer o orçamento do projeto. "É uma coisa que eu pego muito no pé, tem que ter escuta, o cliente tem que ter poder de escolha de falar o que ele quer fazer. A casa é da pessoa, nós não vamos morar ali, temos que dar a nossa opinião técnica mas respeitando o que o cliente quer". Antes da Pandemia de covid-19 o serviço das obras e os materiais utilizados eram incluídos em uma "combo", depois da Pandemia o não é mais fornecido o material e sim uma lista com quais itens serão necessários para a realização da obra. "A gente teve muito prejuízo, porque um dia o tijolo taxa com um valor X e depois um valor três vezes maior. A gente quase fechou as portas porque tínhamos muitos contratos e aumentou o valor de todos os materiais de construção". 

A fundadora da Digna Engenharia afirma que a empresa executa algumas obras maiores de públicos que não são da classe C e D. "O público de classe A e B começou a vir até a gente falando que amava o propósito da empresa e queria fazer uma obra com a gente". Todos os resíduos dessas obras maiores são usados para a realização de obras subsidiadas feitas pela empresa, como uma alternativa sustentável e que gera menos custos. "Janela, porta, vaso sanitário, cimento, piso, argamassa, tudo que se tornaria lixo e que está em boas condições de uso a gente leva para o nosso terceiro nicho, as obras subsidiadas". 

ÁUDIO EVELIN 11:45 - 12:35 . 12:50 - 13:09

Evelin Melo afirma que já enfrentou diversas situações em que foi subestimada por ser uma engenheira civil que lidera o próprio negócio. "As pessoas ficam olhando como se esse não fosse o meu lugar. Já passei por momentos de assédio, violência oral de clientes que gritaram comigo para se impor e me deixar com medo, e eu tive que ser forte e falar que a partir daquele momento eu estava rescindido o contrato porque não sou obrigada a passar por isso". A empreendedora relata que essas situações são doloridas, mas é preciso "ser forte" pelas próximas gerações de engenheiras civis e arquitetas. "Eu sempre falo que quem está na frente desbravando sofre mais, mas também tiveram mulheres que sofreram muito mais para a gente estar aqui hoje". A construção civil é uma área predominantemente masculina, segundo registros do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (CREA - MS), dos 15.530 engenheiros e engenheiras registrados, apenas 3.414 são mulheres.

"Às vezes a gente vai em uma visita técnica e as pessoas que não me conhecem e sabem que eu sou a fundadora da Digna Engenharia, só conversam e tiram dúvidas olhando para o meu esposo, achando que ele é o engenheiro". [Olho]

ARTE E SUSTENTABILIDADE

A produção e comercialização de produtos artísticos e artesanais também é uma tendência entre as startups lideradas por mulheres em Mato Grosso do Sul. A criação desses empreendimentos de caráter social representa uma oportunidade de emancipação financeira das mulheres empreendedoras a partir da valorização tanto da mão de obra local quanto dos elementos característicos da cultura sul-mato-grossense. É o que relata Denise Silva, pesquisadora e presidente do Instituto de Pesquisa e Diversidade Intercultural (Ipedi) e idealizadora do Projeto de Vida Bruaca, Denise Silva. 

Denise Silva nasceu na cidade Miranda, no interior do estado, em uma comunidade tradicional do Pantanal sul-mato-grossense. Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquista Filho (Unesp), a empreendedora utilizou sua experiência e conhecimentos adquiridos dentro do ambiente acadêmico para fundar em 2012 o Ipedi, uma organização da sociedade civil voltada para o desenvolvimento de ações de transformação social para as pessoas membros das comunidades tradicionais, como comunidades indígenas, assentamentos e  As ações realizadas pelo Ipedi estão relacionadas com a integração dos membros dessas comunidade a partir da criação de projetos culturais como aulas de capoeira, orquestra de viola, biblioteca itinerante, produção de materiais didáticos , e empreendedorismo.    

ÁUDIO / VÍDEO 1 BRUACA (2:50 - 3:57)

Foi por meio do Ipedi que Denise Silva criou em 2018 a Bruaca, uma startup voltada para o empreendedorismo social, cujo objetivo é divulgar e comercializar diferentes produtos artesanais produzidos pelas comunidades pantaneiras, como artesanatos e produtos da atividade agroextrativista. A empreendedora relata que a distância geográfica entre os produtores e consumidores, e as dificuldades logísticas para o transporte desses produtos, são as principais dificuldades que a startup busca solucionar. Denise Silva descreve a Bruaca como um "negócio de impacto socioambiental voltada para o desenvolvimento econômico local, além de atuar na preservação de saberes ancestrais" a partir da comercialização e divulgação das experiências e produtos das comunidades locais do Pantanal.

ÁUDIO / VÍDEO 2 BRUACA (8:51 - 10:24 )

A República das Arteiras é outra startup de impacto social localizada em Mato Grosso do Sul. A startup surgiu em 2018 inicialmente como um coletivo de costureiras, o Coletivo República das Arteiras. Costureira há 30 anos e mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Ivani Grance idealizou o coletivo com o objetivo de oferecer um ambiente de trabalho e negócios com a estrutura necessária para o desenvolvimento do trabalho de criadores locais de moda autoral.

A transformação do coletivo em uma startup de base tecnológica aconteceu em 2020, quando o República das Arteiras foi um dos projetos selecionado pelo Programa Centelha, um programa que oferece capacitação, suporte e recursos financeiros para a criação de empreendimentos inovadores em Mato Grosso do Sul. Após a disponibilização dos recursos do Programa Centelha, a República das Arteiras se tornou um aplicativo online que permite a conexão entre as costureiras cadastradas na plataforma e os diferentes públicos consumidores presentes em Campo Grande.

Um dos principais objetivos da startup é atuar para promover o crescimento profissional das pessoas envolvidas a partir de uma plataforma que aumenta a visibilidade das costureiras. Segundo Ivani Grance, a ausência de conhecimentos sobre a utilização das tecnologias digitais, como Whatsapp e Instagram, é uma das principais dificuldades enfrentadas pelas costureiras locais para se inserirem na lógica de mercado digital. A República das Arteiras oferece a possibilidade de divulgação dos trabalhadores locais em redes sociais e eventos, para além da gratuidade no cadastramento na plataforma. 

ÁUDIO IVANI GRANCE 1 (31:45 - 33:57)

Para Ivani Grance, uma "mulher preta e periférica na liderança de um empreendimento no ramo de tecnologias representa "um ponto fora da curva". A empreendedora relata que a criação da República das Arteiras é também uma concretização pessoal na busca por mais "representatividade e diversidade para um ambiente que é pouco diverso e inclusivo em Mato Grosso do Sul". "Esse é o meu 'gás' para caminhar: eu quero mais costureiras, mais profissionais tendo acesso, visibilidade e possibilidade de trabalho".    

ÁUDIO IVANI GRANCE 2 (41:16 - 42:42)

Mulheres na tecnologia (BG Studio)