O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados sobre consumo de cigarros eletrônicos entre adolescentes em Mato Grosso do Sul no dia 25 de abril. Adolescentes de 13 a 17 anos que experimentaram cigarro eletrônico, representam um percentual de 48,2%, acima da média nacional (29,6%). O gênero feminino tem maior frequência com esse hábito na adolescência, correspondem a 50,4%, o gênero masculino a 46,2%.
A população do gênero feminino de 15 a 19 anos representa 3,52% da população total de Mato Grosso do Sul. O gênero feminino nessa faixa étaria em 2022, último censo do IBGE, registra 97.319 pessoas entre 2.757.013 sul-mato-grossenses. O gênero masculino do mesmo grupo etário representava 3,66%, corresponde a 100.956 pessoas.
O aumento do uso de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DFE) ocorreu em todo o Brasil. As regiões Centro-Oeste (42%) e Sul (38,3%) tiveram as maiores porcentagens; o Sudeste (31%), Nordeste (22,5%) e Norte (21,5%) apresentaram indíces menores. O uso e a comercialização desses dispositivos de fumo são proibidos desde 2009 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O IBGE e o Ministério da Saúde realizaram Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) atualizada em 2026 sobre saúde e bem-estar de adolescentes entre 13 e 17 anos. A pesquisa registra que estudantes de escolas públicas são os que mais usam o cigarro eletrônico com 49,6%; os estudantes das escolas privadas representam 38%.
A médica psiquiatra Aline Moreira destaca que a inalação da nicotina dos cigarros eletrônicos é a forma mais rápida de estimular dopamina, um neurotransmissor da sensação de prazer e motivação. Aline Moreira destaca que o hormônio atua como um "sistema de recompensa, que gera a sensação de prazer nos adolescentes e prejudica o desenvolvimento neurológico em áreas responsáveis pelo controle de impulsos, atenção e tomada de decisão".
Aline Moreira afirma que o cérebro está em desenvolvimento até os 25 anos e a estimulação pela nicotina interfere na formação das conexões neurais e as atitudes tomadas pelo órgão, como o rápido desenvolvimento da tolerância e os sintomas de abstinência. “O cérebro do adolescente que está em desenvolvimento, ainda imaturo, agora passa a agir sob química”.
A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 855, de 23 de abril de 2024, da Anvisa proibe a comercialização de cigarros eletrônicos no Brasil desde 2009. A estudante ressalta que comprou os cigarros eletrônicos enviados por motoentregadores. “Era muito tranquilo, não tinha verificação nem nada, você pagando, eles entregavam vape para qualquer pessoa em qualquer lugar”.
O diretor adjunto da Escola Estadual São José, Cleber Chaparro afirma que desde que se tornou diretor escolar em 2024, encontrou vários adolescentes com os dispositivos no ambiente escolar. “Geralmente os alunos que têm baixo rendimento escolar são os que utilizam esse dispositivo, não em suma maioria, mas o aluno que dá problemas pedagógicos também dá problema na questão comportamental”. O diretor ajunto ressalta que, neste ano de 2026, presenciou 12 casos de alunos que utilizavam cigarros eletrônicos.
Chaparro explica que o procedimento previsto no regimento escolar para esses casos é apreender o dispositivo para entregar à Polícia Civil, encaminhar o aluno à direção e notificar a família sobre o uso do aparelho, com aviso de penalidade grave. Ele ressalta que, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a escola tem medidas educativas para a prevenção do uso desse dispositivo e que essas ações ajudaram a diminuir o número de casos dentro do colégio que atua. “Os adolescentes tendem a fumar em grupos e em lugares escondidos como forma de autoafirmação. Raras são as exceções em que o estudante é detectado de forma individual”.
Beatriz Alves*: Nome fictício para preservar a identidade da fonte
Gênero feminino tem maior frequência no uso de cigarros eletrônicos na adolescência
- (Foto: Nathana Nunes)