As infecções respiratórias e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) provocaram aumento de internações de crianças e de mortes de idosos em Mato Grosso do Sul em abril de 2026. Mato Grosso do Sul contabilizou 143 mortes por SRAG até o mês de abril de 2026 e concentra 35 destas ocorrências na capital. A mortalidade na faixa etária acima de 50 anos subiu de 100 mortes no ano de 2025 para 118 neste ano.
O contágio acelerado dos vírus ocorre pela aglomeração de pessoas em ambientes fechados e sem ventilação e pela queda das temperaturas para mínimas entre 8ºC e 13ºC em Campo Grande. Os sintomas leves incluem febre, tosse e dor de garganta. A evolução da doença causa Dispneia, dor no torax e Saturação Baixa.
A gerente técnica da Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau), Priscilla Arashiro afirma que o processo de envelhecimento causa o enfraquecimento imunológico dos idosos e a presença de comorbidades agrava o quadro clínico em caso de infecção viral. Ela ressalta que a estagnação da cobertura vacinal no índice de 37,74% no município decorre do comportamento das pessoas de subestimar a gravidade da doença. “Houve um aumento de fake news, de desinformação, de desacreditação das vacinas".
O médico geriatra Marcos Blini afirma que o processo natural de envelhecimento reduz a capacidade do sistema respiratório e diminui a resposta imunológica. “O paciente mais velho tem uma chance maior de evoluir mal do que o paciente mais jovem". Blini ressalta que o clima frio e seco propicia o ressecamento das vias aéreas e impulsiona a permanência das pessoas em espaços com aglomeração. Ele destaca a necessidade de umidificar os ambientes, de manter a ventilação dos locais fechados e de realizar a higiene constante das mãos para bloquear a transmissão viral.
Blini ressalta que a pessoa idosa tem maior probabilidade de ter infecção ou inflamação pela imunidade baixa. A baixa eficiência do sistema imunológico do paciente idoso causa piora no quadro clínico. "Às vezes, uma quantidade de bactérias ou de vírus que iam causar nenhuma infecção num jovem, no idoso é o suficiente para ele não ter uma resposta inflamatória ou infecciosa adequada, isso progride e piora o caso".
A artista plástica Jussara Medeiros, 60 anos, se imuniza contra a influenza anualmente e pratica atividades físicas contínuas, como vôlei e maratonas, para se prevenir contra as doenças respiratórias. Ela afirma que as proibições para atividades externas impostas por familiares nos dias de baixas temperaturas limitam a autonomia das pessoas mais velhas e afetam a saúde mental. “Quanto mais o idoso escuta essas coisas, mais para baixo ele fica. O idoso tem que correr atrás do pouco tempo de vida que ele tem, porque as consequências depois são muito graves”.
Vacinação contra a Influenza diminui os riscos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
- (Foto: Nathana Nunes)