Processo de trabalho iniciado no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em 2004, quase 10 anos depois do início dos primeiros jornais na internet no Brasil, oficialmente com o Jornal do Brasil em 1995, ou seja, quase 10 anos de Ciberjornalismo. A estrutura curricular do curso de Jornalismo da UFRN, em 2004, oferecia, como optativa, a disciplina Jornalismo Online, depois de um ano, em 2005, a opção em ministrar a disciplina optativa, posteriormente organizada como obrigatória, não sem razão, pois o jornalismo na internet era realidade presente e cada vez mais forte e ampla em todo país. A Universidade Federal da Bahia (UFBA), desde 1995, congregava pesquisadores no Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online, o GJOL, criado pelos professores Marcos Palácios e Elias Machado. O curso de Jornalismo que tem, em 2004, disciplina de jornalismo na internet, também entendida em várias nomenclaturas como Jornalismo Digital, Jornalismo Online, Webjornalismo e mais recentemente Ciberjornalismo como OPTATIVA, estava desconectado da realidade do jornalismo nos anos 2000.
Transferido da UFRN para a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul(UFMS) em 2008, iniciamos um trabalho para estabelecer o "novo jornalismo”, o Ciberjornalismo como parte da estrutura curricular do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A disciplina "Jornalismo Online'’, antes optativa na UFRN, tornou-se obrigatória em decorrência da consolidação do jornalismo na Internet e assim torna o curso de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em total sintonia com a realidade da atividade profissional do Jornalismo. A defasagem dos cursos, das estruturas curriculares do cursos em relação à realidade profissional sempre foi objeto de crítica dos profissionais jornalistas. Mesmo em 2022, ainda há muita defasagem nessa relação. De forma paradoxal, pois a universidade foi e deve ser campo de vanguarda da ciência e da formação profissional, no caso do Jornalismo a universidade esteve sempre a reboque, as práticas e as tecnologias adotadas pelo espaço profissional e empresarial depois de muitos anos eram, e ainda são, incorporados pelos cursos de Jornalismo. Situação lamentável ainda hoje! Em alguns casos não cabe responsabilizar os dirigentes acadêmicos, pois a estrutura universitária, principalmente no âmbito das universidades públicas, são penalizadas pela falta de investimento na infraestrutura, no acervo tecnológico, na atualização dos softwares que distanciam a formação universitária da realidade profissional na sociedade. De outro lado, essa defasagem é consequência de professores distantes da realidade profissional, que se enclausuram nos seus escambos acadêmicos e não observam e acompanham as mudanças e o desenvolvimento das tecnologias. O ensino de Jornalismo é essencialmente tecnológico, o Jornalismo, desde sempre, esteve e está de mãos dadas com o desenvolvimento das tecnologias.
História de muito trabalho e conquista para consolidar a disciplina Ciberjornalismo na UFMS
O curso de Jornalismo da UFMS se adequou às novas tecnologias e assim pudemos trabalhar com Ciberjornalismo a partir da reestruturação do Projeto Pedagógico determinado pela novas Diretrizes Curriculares de 2013 que criou o curso de JORNALISMO, visto que até então os "cursos de Jornalismo" estavam sob o guarda-chuva do curso de Comunicação que, em muitos casos denominavam Comunicação Social, num arranjo de nomenclatura esquizofrênico, pois alguém conhece alguma "comunicação" que não seja social? A partir da reforma do Projeto Pedagógico de 2009 implantamos a disciplina Laboratório de Ciberjornalismo dividida em duas etapas, Laboratório de Ciberjornalismo 1 dedicado à experimentação laboratorial de produção do gênero NOTÍCIA no ciberespaço, em cibermeios e Laboratório de Ciberjornalismo 2 dedicado à experimentação laboratorial de produção do gênero REPORTAGEM, gênero consagrado no ambiente tecnológico da Internet, no uso de todo potencial dos cibermeios jornalísticos caracterizado como Reportagem Multimídia, Reportagem Hipermidiática ou, como o profissionais jornalistas dos Estados Unidos denominam como Reportagem Long Form, designação inapropriada, pois toda reportagem é "longform"!
A nova estrutura curricular do curso de Jornalismo da UFMS permitiu implantar o jornal laboratório em Ciberjornalismo "Escola da Prática", sistema utilizado por dois anos na disciplina "Jornalismo Online" do curso de Jornalismo da UFRN. Este sistema permitia uma experimentação mais ampla e mais sincronizada com a realidade dos cibermeios jornalísticos vigentes nos anos 2000, entre 2004 e 2010. O sistema foi desenvolvido pela empresa de Maurício Vargas, posteriormente proprietário da empresa Reclame Aqui. A empresa de informática de Maurício Vargas desenvolvia sistema de publicação para telejornais e cibermeios jornalísticos. Nesse contexto, desenvolveu um sistema, nos mesmos moldes do sistema profissional, para ser utilizado pelas escolas de Jornalismo e disponibilizou o “Escola da Prática” para o curso de Jornalismo da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) que nunca chegou a utilizar, passados três anos da disponibilidade do sistema e seu uso, em 2005 solicitamos ao Maurício Vargas que pudéssemos utilizar o Escola da Prática na disciplina de Jornalismo Online na UFRN, trabalho desenvolvido entre 2005 e 2007.
Primeira Notícia é projeto premiado, resultado das disciplinas em Ciberjornalismo
Os primeiros anos da disciplina Laboratório de Ciberjornalismo 1 e 2 na UFMS teve como suporte o sistema Escola da Prática. Posteriormente, quando a empresa Reclame Aqui absorvia toda demanda dos profissionais da empresa, Mauricio Vargas comunicou que o sistema Escola da Prática não teria mais suporte e tampouco teria seu desenvolvimento, aprimoramento continuado. Dessa forma, em 2010 fizemos contato com o empresário Gabriel Novaes cuja empresa se dedicava a criar e desenvolver sistema de publicação para cibermeios jornalísticos denominado DothNews. A partir das negociações com a empresa Dothcom e ainda na análise do potencial tecnológico do sistema para o desenvolvimento do Ciberjornalismo, o empresário Gabriel Novaes cedeu o sistema para que pudéssemos utilizar nas disciplinas Laboratório de Ciberjornalismo 1 e 2 da UFMS, num sistema de parceria, ou seja, o uso acadêmico e laboratorial faz a experimentação do sistema, aponta possíveis falhas e necessidades de aprimoramento e a empresa mantém o sistema atualizado e com apoio do suporte.
O projeto “Ciberjornalismo” do curso de Jornalismo da UFMS se consolidou e ganhou repercussão nacional e internacional. Em 2018 fomos convidados pelos pesquisadores da Universidade de País Basco, Espanha para participar do projeto de pesquisa sobre inovação no ensino de Ciberjornalismo, que reuniu pesquisadores do Brasil, Espanha e Portugal. Cabe destacar que o projeto “Ciberjornalismo” da UFMS reúne a oferta de três disciplinas — Ciberjornalismo (teórico), Laboratório de Ciberjornalismo 1 (notícia) e Laboratório de Ciberjornalismo 2 (reportagem), além disso a participação na Rede Internacional de Pesquisadores em Ciberjornalismo (RIIC), rede criada em Campo Grande, na UFMS e fundada na cidade do Porto, na Universidade do Porto.
Rede Internacional de Pesquisa em Ciberjornalismo foi criada na UFMS e fundada na Universidade do Porto, Portugal
A segunda reforma do Projeto Pedagógico do curso de Jornalismo da UFMS, realizada após as Diretrizes Curriculares de 2013, consolidou o projeto Ciberjornalismo com a estrutura em três disciplinas indicadas anteriormente. Além disso, o projeto Ciberjornalismo contemplou a realização, por oito anos seguidos, do Congresso Internacional de Ciberjornalismo que se tornou referência nacional e internacional, como único congresso em Ciberjornalismo no Brasil que se consolidou numa rede, a Rede Internacional de Investigadores em Ciberjornalismo (RIIC), e ainda estabeleceu parcerias de trabalho com o Congresso Internacional de Ciberperiodismo de Bilbao, Espanha; Simpósio Internacional de Jornalismo Online de Austin, Estados Unidos; Congresso de Jornalismo em Dispositivos Móveis de Covilhã, Portugal; Congresso Internacional de Ciberjornalismo do Porto, Portugal e o com o Fórum Internacional de Jornalismo Digital de Rosário, Argentina. O projeto ainda se presentifica na existência, desde 2009, do Grupo de Pesquisa em Ciberjornalismo que congrega pesquisadores do Maranhão (UFMA), Goiás (UFG), Bahia (UFOB), UCDB e Uniderp e da participação, neste momento como vice-coordenador, do professor Gerson Luiz Martins na Rede de Pesquisa Aplicada Jornalismo e Tecnologia — Rede JorTec da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo — SBPJor.
Prêmios
O projeto Ciberjornalismo no curso de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) também foi e é um projeto premiado. Desde 2010 que o produto ligado diretamente ao projeto — Primeira Notícia — tem tido sua produção, no que diz respeito a notícias e reportagens publicadas, premiada em várias edições do Expocom — Exposição Experimental em Comunicação realizada nos congressos da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação — Intercom na etapa regional Centro-Oeste; além disso recebeu os prêmios 1º Prêmio Detran -MS de Jornalismo em 2013; 2º Prêmio de Jornalismo do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) em 2019; 1º Prêmio Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul em 2018; Prêmio Intercom Centro-Oeste em 2022 com trabalho apresentado pela repórter Amanda Maia.
Projeto Ciberjornalismo conectado com inovações contemporâneas
O projeto que inclui a disciplina Ciberjornalismo no âmbito do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul está sintonizado com os avanços tecnológicos mais recentes, e sempre ao longo do seu processo de trabalho; experimentou Pokemon Go e suas possibilidades para o ciberjornalismo com o uso da realidade aumentada; experimentou o Snapchat como meio potencial de publicação e difusão da produção jornalística; utiliza Facebook, Tweeter, Instagram e, mais recentemente, começou a experienciar o TikTok como ferramenta de produção e difusão das notícias e reportagens produzidas para o Primeira Notícia.
Grupo de Pesquisa em Ciberjornalismo com base para o desenvolvimento e inovação do Ciberjornalismo na UFMS
O Grupo de Pesquisa em Ciberjornalismo — Ciberjor-UFMS — foi criado em Agosto de 2008 com objetivo de agregar pesquisadores que desenvolvem projetos que investigam temas relacionados a jornalismo e tecnologia, ensino de ciberjornalismo, webjornalismo, jornalismo digital, jornalismo online, faz parte do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMS (PPGCOM-UFMS) . O Grupo reúne pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) . O Ciberjor é membro do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online da UFBA e faz parte da Rede de Pesquisa em Ciberjornalismo que reúne os grupos de pesquisa Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online — GJOL (UFBA), Laboratório de Pesquisa Aplicada em Jornalismo Digital — LAPJOR (UFSC), Grupo Virtus (UFPE), Grupo JOR XXI (TUIUTI /PR), Grupo Comunicação, Jornalismo e Mídias Digitais (USP), PROCAD CAPES- 2007/2011 (UFSC, UFBA, USP, TUIUTI) e Grupo de Pesquisa em Ciberjornalismo — CIBERJOR (UFMS), também faz parte da Rede JorTec, possui intercâmbio de trabalho com o Grupo de Pesquisa de Mídia Jornalística (GMídia) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Campus de Imperatriz e intercambio internacional de pesquisa com o Laboratório de Análise Instrumental da Comunicação da Universidade Autônoma de Barcelona (Laicom/UAB) .
GJOL-UFBA
Pioneiro no Brasil, o GJOL — Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-Line — desenvolve pesquisas no campo do Webjornalismo e das Novas Tecnologias de Comunicação desde 1995 . Atualmente sob a Coordenação do Prof. Marcos Palacios, o GJOL foi originalmente criado pelos Professores Elias Machado (hoje na UFSC) e Marcos Palacios (UFBA), como um Grupo de Pesquisa do CNPq, ligado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas, da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) . Com o desenvolvimento dos trabalhos, a formação de novos pesquisadores e o alargamento do âmbito de suas atividades, o GJOL hoje configura-se como uma Rede de Pesquisa, envolvendo pesquisadores de várias universidades brasileiras, em diversos Programas de Pós-Graduação .
Rede JorTec
Rede de Pesquisa Jornalismo e Tecnologias Digitais (JorTec) foi formalizada no 6.o Encontro da SPBJor, em 2008 . Atualmente conta com 28 pesquisadores das seguintes instituições: UFSCar, UFMG, PUC/Campinas, UMESP, Unisc, UEPB, UFSJ, UFES, UFU, UFMS, UFS, UFRR, UFMA, UFSC, PUC/RS e Mackenzie . A Rede JorTec tem como finalidade a produção de pesquisa aplicada visando à experimentação e criação de inovações tecnológicas digitais nos processos de captação, produção, empacotamento, transmissão e distribuição de conteúdos jornalísticos nas convergentes plataformas comunicacionais . A Rede possui os seguintes objetos de pesquisa; Sistemas inteligentes aplicados ao jornalismo; Interfaces digitais; Redes computacionais; Mídias Sociais e Narrativas jornalísticas multimidiáticas e multilineares proporcionadas pelas tecnologias digitais . Além de participar com dez mesas coordenadas nos últimos seis anos nos encontros da SPBjor, com 60 trabalhos no total e lançou dois livros: em 2010, sobre a organização dos pesquisadores Carla Schwingel e Carlos Zanotti, foi publicado com 12 artigos, o livro “Produção e Colaboração no Jornalismo Digital”. Já, em 2011, “Jornalismo Digital: audiovisual e convergência e colaboração”, publicação organizada pelos pesquisadores Demétrio de Azeredo Soster e Walter Teixeira Lima Junior, contou com 11 textos.
Publicações entre livros, capítulos de livros, artigos e ensaios
O projeto Ciberjornalismo produziu inúmeros artigos científicos ao longo dos anos e publicou dois livros, além da participação em capítulos de livros sobre Ciberjornalismo e a organização de uma edição temática da revista científica "Esferas", editada pelos programas de pós-graduação em Comunicação das universidades Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Federal de Goiás (UFG) e Universidade de Brasília (UnB), sobre Ciberjornalismo.
Livro "Performance em Ciberjornalismo: tecnologia, inovação e eficiência"
O livro "Performance em Ciberjornalismo: tecnologia, inovação e eficiência" organizado pelos pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Ciberjornalismo foi publicado em 2016 é resultado das conferências, palestras e dos trabalhos selecionados nos Grupos de Pesquisa do 6º Congresso Internacional de Ciberjornalismo. A obra se compõe dos melhores textos do Congresso e das principais conferências e está estruturado com os trabalhos de João Canavilhas, Novos atores na redação: como muda o jornalismo?; Performance em Ciberjornalismo: tecnologia, inovação e e ciência de Rosental Calmon Alves; O que é jornalismo ? Quem e o que o produz? Onde e quando acontece? de Alex Primo; Ciberjornalismo no Brasil e o texto longform de Raquel Longhi; Jornalismo no ambiente da computação cognitiva de Walter Teixeira Lima; O dono do texto: dilemas do jornalismo em plataformas digitais de Juliano Maurício de Carvalho; Jornalismo guiado por dados e cultura profissional de Marcelo Träsel; Scraping e memória digital: identificando as transformações dos portais jornalísticos com base na coleta automatizada das suas versões de Márcio Carneiro dos Santos; Um panorama dos estudos científicos sobre comentários de leitores de Thaísa Bueno; A informação jornalística na ponta dos dedos: o ciberjornalismo e a leitura touchscreen de Elton Tamiozzo de Oliveira e Gerson Luiz Martins; Trajetória do ciberjornalismo em Mato Grosso do Sul de Fernanda França Fortuna; A rastreabilidade como característica do ciberjornalismo de Lucas Santiago Arraes Reino; Investigações e Experimentações em Sofwares para Gestão de Mídia no Domínio do Jornalismo: Relato Sobre Interfaces de Programação de Aplicações de Rodrigo Eduardo Botelho-Francisco e Alex Fernando Orlando; Drones, sensores, tecnologia vestível: o efeito colateral das novas ferramentas para jornalistas de Alfredo José Lopes Costa, Gibran Luís Lachowski e Konrad Felipe Hencke; Os jornalistas frente ao Marco Civil daInternet de Igor Gomes Duarte Gomide dos Santos; Convergência e inovação jornalística em revistas para tablet: uma proposta de categorias de análise de Adalton dos Anjos Fonseca; As possibilidades interativas do HTML5 no jornalismo on-line de Eduardo Fernando Uliana Barboza e Ana Carolina de Araújo Silva e Formação de profissionais e pesquisadores em Ciberjornalismo de Gerson Luiz Martins.
Livro "+ 25 Perspectivas do Ciberjornalismo"
Livro "+ 25 Perspectivas do Ciberjornalismo" organizado por Gerson Luiz Martins, Diana Rivera, com prefácio de João Canavilhas e textos de Diana Rivera-Rogel, Denis Renó, Fernanda Vasques Ferreira, Gerson Luiz Martins, Katarini Giroldo Miguel, Kennedy Souza, Jesús Miguel Flores-Vivar, Juliana Colussi, Larissa Conceição dos Santos, Letícia de Faria Ávila Santos, Luciana Moherdaui, Marcelli Alves, Marco Bonito, Marcos César da Rocha Seruffo, Marina Lisboa Empinotti, Ricardo Nicola, Rita de Cássia Romeiro Paulino, Thaisa Bueno, Yomara Pinheiro Pires, publicado pela Ria Editorial de Portugal em junho de 2020.
Dossiê da revista Esferas sobre Ciberjornalismo
A revista "Esferas" publicou, em 2020, uma edição especial, um dossiê sobre Ciberjornalismo: desafios, dilemas e potencialidades coordenado pelos pesquisadores Gerson Luiz Martins, Marcos Paulo da Silva e Helder Prior. Os artigos publicados neste dossiê destacam e discutem a realidade da sociedade digital, que, aliás, não é mais digital, é a sociedade, tal a imbricação entre a comunicação, as tecnologias e os indivíduos nas práticas sociais hodiernas. Cabe destacar neste dossiê os artigos de dois nomes de referência obrigatória nos estudos de Ciberjornalismo, os pesquisadores Mark Deuze e John Pavlik. Com efeito, Deuze e Tamara Witschge abrem o dossiê com uma instigante reflexão teórico-metodológica sobre a abordagem dos novos objetos de estudo do jornalismo e da comunicação. Pavlik, por seu turno, avança na discussão, a mostrar que abordar cientificamente o ciberjornalismo vai muito além da projeção de categorias analíticas outrora consagradas no jornalismo que tornou-se hegemônico na modernidade. As reflexões em torno do ciberjornalismo são retomadas, desde uma perspectiva ensaística, por Träsel. Em “Continuidades e Rupturas: relendo um texto fundamental sobre ciberjornalismo”, o pesquisador discute a proposta apresentada por Marcos Palácios em 2003 e apresenta uma atualização das características do Ciberjornalismo.
Coletânea de livros da Rede JorTec
O projeto Ciberjornalismo, por meio do pesquisador Gerson Luiz Martins, também participou da coletânea de livros publicados pela Rede de Pesquisa Jornalismo e Tecnologias Digitais (JorTec), entre eles "Jornalismo Digital: audiovisual, convergência e colaboração", publicado pela Editora Edunisc em 2011 com um capítulo sobre "O ensino de Ciberjornalismo: estudo comparativo nos cursos de Jornalismo do Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul", e "Jornalismo Convergente: reflexões, apropriações e experiências", publicado pela Editora Insular em 2012, com um capítulo sobre "Protocolo de qualidade em Ciberjornalismo na Espanha e no Brasil".
Projeto internacional "Inovação no ensino de Ciberjornalismo"
O projeto Ciberjornalismo do curso de Jornalismo da UFMS também participou de uma pesquisa de âmbito internacional com a participação das universidades de País Basco (UPV), Espanha; do Porto (UP), Portugal; Federal do Piauí (UFPI)e da Beira Interior (UBI), Portugal sobre Inovação no ensino de Ciberjornalismo. A participação no projeto de pesquisa resultou em artigo publicado na Revista Brasileira de Ensino de Jornalismo (Rebej) sobre "A produção ciberjornalística colaborativa e internacional como experiência de ensino em universidades ibero-americanas" e também capítulo no livro "Active Audiences: empowering Citizens' Discourse in the Hybrid Media System" organizado pelos pesquisadores Simón Peña-Fernández, Koldobika Meso-Ayerdi e Ainara Laarrondo-Ureta e publicado pela editora McGrawHill em 2020 com o capítulo "Content quality in Cyberjournalism: Spain and Brazil comparative study in reference news portals".
Além de todas estas publicações o projeto Ciberjornalismo da UFMS também publicou vários artigos científicos nos congressos da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) que podem ser conferidos nos Anais dos congressos da entidade.
Primeira Notícia x Primeira Página
O produto do projeto, conjunto de disciplinas de Ciberjornalismo, denominado Primeira Notícia foi, recentemente copiado pela empresa Rede Matogrossense de Comunicação, que é detentora da concessão da TV Globolocal e, portanto, por força contratual também possui equipe de produção e veiculação do G1 — Mato Grosso do Sul, além de uma emissora de rádio na cidade de Campo Grande, pois a empresa possui também concessão da TV Globo nas cidades de Corumbá, Ponta Porã, Dourados e Três Lagoas. A Rede Matogrossense de Comunicação também é pioneira, depois do Campo Grande News (o mais antigo cibermeio local), como cibermeio jornalístico com o RMT on line, depois migrado para G1 MS e há pouco tempo a empresa criou mais um cibermeio jornalístico o Primeira Página, um produto muito similar, para não mencionar outra coisa, ao Primeira Notícia. Pode-se afirmar que o Primeira Notícia e o Primeira Página, qualquer semelhança não é mera coincidência. Este é mais um fato que demonstra a qualidade do projeto Ciberjornalismo UFMS.
Plágio — Primeira Notícia
O produto do projeto Ciberjornalismo, Primeira Notícia é focado em notícias e reportagens hipermidiáticas e teve, recentemente, no dia 5 de julho de 2022, uma das notícias publicadas plagiadas pelos cibermeios jornalísticos Campo Grande News, A Crítica, TopMídia News e Rádio Ativa da cidade de Naviraí, a partir, também de plágio, realizado pela Assessoria de Comunicação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) em notícia publicada no cibermeio da Universidade copiada de forma integral, sem qualquer critério e sem citação de fontes e referências do Primeira Notícia. Este fato, na sua essência lamentável e criminoso, demonstra de outro lado a qualidade do projeto Ciberjornalismo da UFMS.
Para refletir....
O processo de "enterro" da disciplina Ciberjornalismo acontece por demanda insana de adequação de carga horária, paradoxalmente sem alterar carga horária da disciplina, sem considerar todas as conquistas apresentadas anteriormente e sem qualquer processo de consulta ao responsável pelo projeto de ensino do Ciberjornalismo na UFMS. Esse processo arbitrário de "enterro" se coaduna com as recentes decisões do governo federal para reduzir, restringir a produção científica no Brasil. A decisão de eliminar a oferta da disciplina Ciberjornalismo promove, exatamente no que diz respeito ao pensar ciência em Ciberjornalismo, a restrição do estudo, da pesquisa e da reflexão em Ciberjornalismo, em pleno século 21, no momento em que a produção jornalística caminha para as "profecias" de Philip Meyer com o desaparecimento dos jornais impressos.
O trabalho para chegar até aqui, no projeto chamado Ciberjornalismo, composto pelas disciplinas do curso de Jornalismo da UFMS: Ciberjornalismo, Laboratório de Ciberjornalismo 1 (notícia) e Laboratório de Ciberjornalismo 2 (reportagem) foi exaustivo e uma conquista ao longo de muitos anos. O processo se realizou por meio de livros publicados, artigos em revistas científicas, organização e publicação de dossiê sobre Ciberjornalismo, artigos publicados em anais de congressos científicos na área de Comunicação e no campo do Jornalismo.
O jornalismo é fundamentalmente uma forma de conhecimento e o ciberjornalismo tem amplas possibilidades de gerar conhecimento e contribuir no processo de educação para a sociedade. As práticas oportunizaram a experiência profissional com o desempenho de diversas funções do jornalista de internet. O modelo pedagógico estruturado e proposto aos alunos das disciplinas de Ciberjornalismo, Laboratório de Ciberjornalismo 1e 2 foi fundamental para o amadurecimento dos alunos e preparo para o mercado de trabalho. Se considerarmos que cada vez mais se disseminam e divulgam conteúdo com maior facilidade em diversas plataformas, devemos organizar disciplinas que vão na contramão do que é proposto por empresas jornalísticas tradicionais, que tratam a notícia como um produto à venda. Isto é, permanecem os interesses dos anunciantes e donos do jornal, a comunicação se reduz e o interesse social quase nunca é atendido.
Os alunos são o futuro do jornalismo, seja em grandes redações, mídia alternativa, blogs, Facebook, ou outras plataformas e redes de produção e distribuição de conteúdo. A universidade deve ser responsável pela formação da cultura profissional e do compromisso deontológico dos futuros jornalistas. Cabe, portanto, às disciplinas voltadas para o ensino de Ciberjornalismo, identificarem os desafios do processo de produção e prepararem estes futuros profissionais para desenvolver conteúdo atrativo ao leitor, deter da capacidade de interagir com a sociedade e contribuir para democratização do acesso à informação de qualidade.
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