O número de detentos em atividade laboral fora das penitenciárias em Campo Grande cresceu 50% entre 2015 e 2024. Os internos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, atuam em obras públicas, privadas e empresas parceiras. As atividades incluem manutenção das empresas supermercadista, televendas, reposição de estoque e produção de pães.

A penitenciária reúne 990 internos em atividades laborais, com aproximadamente 750 detentos remunerados com um salário mínimo. O presídio concentra o maior número de detentos que participam do programa de ressocialização e profissionalização. 

O modelo é baseado no trabalho e na qualificação profissional de internos do regime semiaberto. As empresas estabelecem convênios em parceria com o Sistema Penitenciário. Os convênios possibilitam atuação em áreas como construção civil, hortas, estoques, manutenção de parques, cuidado com animais silvestres e serviços gerais. A participação dos internos permite a diminuição de pena e promove a qualificação.

O diretor do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, Ricardo Brito destaca que o modelo se diferencia por integrar trabalho, qualificação e retorno social. “Hoje nós temos uma equipe para manutenção de 40 escolas, que faz desde limpeza a pequenos reparos. Nós temos um projeto da padaria que atualmente tem a produção de sete mil pães diários, sendo dois mil pães doados para instituições carentes através do Sesc Mesa Brasil. Temos uma horta que já doou mais de 30 toneladas de alimento. Tudo do trabalho do preso. Isso gera novos projetos que devolvem trabalho e dignidade ao preso, além da finalidade social com doação às instituições carentes".

A administração da penitenciária oferece capacitação rápida para o mercado de trabalho, como oficina de costura, uma barbearia-escola e uma fábrica de blocos de concreto em fase inicial. O modelo inclui parcerias com empresas, que recebem os internos para trabalho em ambiente externo controlado. Segundo o diretor, a seleção considera o perfil do preso e a decisão judicial. “Visitamos as empresas e, quando é identificada alguma irregularidade por parte do preso, ele é imediatamente recolhido. Se a irregularidade for da empresa, fazemos o relatório e solicitamos o descredenciamento”.  Ricardo Teixeira afirma que a Lei de Execução Penal prevê a organização da rotina para conciliar trabalho e cumprimento da pena dos internos.

O professor especializado em Sociologia, Nathan Chamorro afirma que existem políticas públicas no Brasil de incentivo a  empresas que oferecem vagas para detentos. Segundo Chamorro, as políticas e também as  empresas são  importantes no processo de ressocialização do indivíduo. “A partir do momento que o indivíduo que foi privado de liberdade tem acesso a empregos formais, ele consegue não só se reinserir na sociedade como ele também consegue provar que ele consegue desempenhar uma função e que não está envolvido com a criminalidade a um certo tempo”.

O Grupo Pereira, em 2019, realizou parceria com o Conselho da Comunidade de Campo Grande para contratar a mão de obra. A empresa engloba redes de supermercados como Comper e Fort Atacadista. A técnica em Environmental, Social and Governance (ESG) do Grupo, Adrileny Bogado afirma que o Conselho atua como recursos humanos, que gerencia o interno e intermedia a relação entre a empresa e o Sistema Penitenciário.