A safra de soja 2025/2026 em Mato Grosso do Sul foi 26% maior que a safra anterior, com uma produção total de 17,7 milhões de toneladas. A área de cultivo do produto foi de cerca de 4,8 milhões de hectares, o que representa um aumento de 5,97%. A produtividade média de sacas por hectare foi de 61,7, valor 19,1% maior que o da safra anterior.

A produção de soja em Mato Grosso do Sul representou 10,1% do total do Brasil na safra 2025/2026. O volume de soja obtido na colheita nacional foi 4,8% maior que ao registrado na safra anterior. Mato Grosso do Sul foi o quinto estado em área de produção. Os estados com maior área de produção foram o Mato Grosso, com 13 milhões de hectares, o Rio Grande do Sul, com 6,7 milhões de hectares, o Paraná, com 5,7 milhões de hectares, e Goiás, com 5,1 milhões de hectares.

O preço médio da saca de soja em Mato Grosso do Sul é de R$ 110, abaixo da variação média de R$ 120 a R$ 126. O assessor técnico da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), Flávio Aguena afirma que houve aumento no custo de produção nos últimos ciclos da soja, que diminuiu os lucros dos produtores. "Ultimamente a gente viu o preço dos combustíveis subindo, com isso subiu também o preço de fertilizante, então o custo para produzir tem sido cada vez maior. Por mais que a gente tenha uma produtividade muito boa, isso não reflete em ganhos a mais para o produtor rural".

O produtor de soja Eduardo Introvini registrou média de 74 sacas de soja por hectare, que garantiu a margem de lucro. "O segredo para acompanhar os custos é sempre produzir mais, para ter volume para comercializar e tentar diluir o custo e trabalhar com a margem de lucro". Segundo o produtor, é necessário obter ao menos 56 sacas por hectare para custear a produção. "Se o produtor colher, por exemplo, 60 sacas por hectare, ele vai ter lucro, mas vai sobrar pouco. Ele vai ter que investir, para comprar adubo, sementes e outros insumos para a próxima safra".

O assessor técnico da Aprosoja/MS, Flávio Aguena afirma que o clima é um dos principais fatores que influenciam a produtividade da safra. Aguena ressalta que os produtores devem planejar o plantio da soja. "O bom planejamento é muito importante. Escalonar o plantio, não plantar tudo na mesma janela, fazer espaçado. O clima pode variar, ter um mês muito chuvoso, logo depois um mês que falta chuva". De acordo com assessor técnico, o preparo do solo, a palhada de cobertura e o uso de tecnologias são as principais estratégias para obter uma safra com maior produtividade.

O professor do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Odirlei Fernando Dal Moro afirma que a alta produtividade tem impacto positivo na economia do estado. O professor afirma que a soja "é um produto que, ao vender, a gente consegue trazer mais divisas para a economia brasileira, ou seja, atrair mais moeda estrangeira e ampliar a capacidade de importação de outros bens". Dal Moro ressalta que há impacto para a população do estado, com o aumento da produção, que demanda mais mão de obra. "Geralmente nas regiões que produzem soja, a gente percebe um efeito significativo na distribuição da riqueza, com mais oportunidade de emprego e de renda para as pessoas".