Massas de ar frio atingiram Mato Grosso do Sul entre os dias 7 e 21 de maio de 2026. As temperaturas chegaram a mínimas de seis graus e máximas de 10 graus. Campo Grande ficou entre as três capitais mais frias do país no dia 11 de maio.

A temperatura média na capital foi de 13 graus entre os dias 17 a 19 de maio, causada por uma segunda frente fria no estado. A menor mínima registrada no estado foi na cidade de Amambai, com temperatura de 6,5 graus. O Instituto Nacional de Metrologia (Inmet) registrou sensação térmica durante a semana equivalente a seis graus.

A coordenadora do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), Valesca Rodriguez ressalta que as principais características da massa de ar frio são as quedas nas temperaturas que ocorrem de maneira rápida, com o ar mais denso e seco, a umidade do ar reduzida e com a mudança na direção dos ventos. A coordenadora afirma que o Cemtec realiza monitoramentos meteorológicos contínuos. “A gente utiliza dados de estações meteorológicas e os modelos de previsão do tempo. Essas informações são analisadas diariamente por meteorologistas que acompanham a evolução das condições atmosféricas em tempo real”.

Boletins do Tempo informam a população semanalmente sobre os principais riscos climáticos, como chuvas intensas, tempestades e temperaturas extremas. Os boletins são divulgados duas vezes na semana, nas segundas e às quintas-feiras, com previsão para o final de semana. “A gente não faz alerta aqui, o que a gente faz são avisos meteorológicos que são repassados para a população. Primeiro é feita uma análise técnica e depois emitimos os boletins. Essas informações são divulgadas garantindo que a população seja avisada com antecedência”.

O climatologista Julio Cesar Gonçalves detalha que "a onda de massa de ar frio atinge o estado pela região Sul do país". Segundo ele, a massa tem maior intensidade durante as estações de outono e inverno, que causam uma queda brusca de temperatura em cidades localizadas no centro-sul do estado. “Massas de ar polar vêm da região Antártida, no caso do Polo Sul. Elas invadem o território brasileiro pelo Rio Grande do Sul e avançam até latitudes mais baixas. Existe uma diferença nessa época do ano, uma diferença muito grande de pressão atmosférica. E aqui no centro nós temos áreas de baixa pressão. Então, o ar se desloca da alta para a baixa pressão. É isso que faz com que essas massas de ar polar consigam invadir o território brasileiro”.

O médico infectologista, Júlio Croda ressalta que é necessário aumentar os cuidados com as crises respiratórias durante dias com o clima mais seco. Segundo Croda, mudanças bruscas na temperatura causam aumento nos casos de infecções respiratórias. “A gente tá no período de sazonalidade do aumento desses vírus respiratórios, que vai até agosto. Tempo seco e frio é o tempo ideal para a propagação dos vírus respiratórios e as pessoas tendem a ficar em locais de aglomeração, fechados, sem ventilação, o que favorece a transmissão”. 

Júlio Croda afirma que é necessário se prevenir para temperaturas e umidade baixas. “Tempo seco exige mais quebra de barreira, a mucosa fica menos hidratada, fica com menos secreção, por exemplo. Nesse contexto, os cuidados são principalmente manter-se manter em ambientes abertos e arejados, estar sempre bem hidratado. Eventualmente utilização de umidificadores para o ambiente, inalações. Qualquer procedimento que favoreça para ambientes úmidos e ventilados”.