As manifestações políticas ocorridas em Campo Grande no dia sete de setembro tiveram caráter pacífico. Participaram mais de 40 mil pessoas nas ruas para apoiar o governo de Jair Bolsonaro, entre eles, grupos de ruralistas e evangélicos. Os manifestantes contrários ao governo, em sua maioria jovens e estudantes, reuniram-se no período da tarde na Praça Ary Coelho.
As principais pautas defendidas pelos manifestantes favoráveis ao governo incluíam a volta do voto impresso e da ditadura militar, ameaças a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso Nacional. O grupo seguiu da Praça do Rádio Clube até a Avenida Afonso Pena. Os participantes do grupo de oposição a Bolsonaro se manifestaram contra a reforma trabalhista, a crise econômica, o aumento da gasolina, a negligência do governo com relação à Covid-19 e na defesa da democracia. O protesto identificado como "O grito dos Excluídos" iniciou na Praça Ary Coelho e percorreu as ruas 14 de Julho, Antônio Maria Coelho e Pedro Celestino, com aproximadamente mil manifestantes.
Os manifestantes favoráveis ao governo demonstraram apoio por meio de buzinaços, roupas nas cores verde e amarelo, faixas, cartazes e uso de bandeiras do Brasil nos veículos. Trios elétricos e discursos também foram utilizados no protesto. Aproximadamente 1200 motocicletas, 550 caminhões e 300 bicicletas estiveram na principal avenida da capital.
O deputado Federal Luiz Ovando (PSL) explica que a principal pauta dos manifestantes presentes na Praça do Rádio Clube e atingem o STF e o Congresso Nacional, para que estes ampliem a liberdade de governança do presidente Jair Bolsonaro. "Do ponto de vista de legar ao outro o que ele tem direito, que é exatamente a prática da justiça, o que a gente vê que não tem acontecido. Ali tem sido um covil de interesses, que não é o interesse maior da população, e que a corte está formada por ativistas políticos. O que a gente quer é que eles pratiquem a justiça".
O deputado Estadual Pedro Kemp (PT) explica que "O Grito dos Excluídos" é uma forma de denúncia contra as desigualdades sociais e a crise econômica atual. Kemp destacou, no protesto, a defesa a democracia, ressaltou que "em defesa da democracia, reagimos ao autoritarismo e a toda tentativa de golpe. Nós queremos um Brasil mais justo, solidário e que respeite os direitos de cidadania. E o presidente está prometendo o que não vai entregar".
A estudante do curso de Odontologia da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp), Ana Carla Pache esteve na manifestação pró-Bolsonaro, ela ressalta que "participei porque quero um país melhor. Penso que preciso lutar e fazer as escolhas agora para futuramente colher os frutos que sejam bons para a população inteira". A estudante do curso de Psicologia da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Ladielly Silva esteve no ato contra o governo e disse que "fui porque vivo em uma grande angústia e não me sinto representada pelo atual presidente. Temos 14 milhões de desempregados e as pessoas estão passando fome".

Manifestantes pró-bolsonaro tiram foto com boneco do ministro do STF, Gilmar Mendes
- (Foto: Alicce Rodrigues)