A Rede Municipal de Ensino de Campo Grande (Reme) registrou crescimento no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) divulgado em agosto de 2026, após a regulamentação do uso de aparelhos celulares nas salas de aula. A medida reduziu as distrações dos estudantes e estimulou a aplicação de métodos ativos de ensino. O crescimento do índice ocorreu em meio a ações de acompanhamento do desempenho escolar, formação de professores e aplicação de avaliações ao longo do ano letivo.
A nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) resulta da combinação do fluxo escolar com o desempenho dos alunos no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que avançou de 4,7 para 4,8 no Ensino Fundamental I. O crescimento apresenta uma variação de 0,1% dos Anos Iniciais, no mesmo período em que os Anos Finais, avançaram 0,4%. Os primeiros anos possuem no máximo três professores que acompanham uma turma, e nos Anos Finais esse número chega a nove profissionais, um para cada componente curricular.
Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), afirmam que no Ensino Fundamental, o indicador da Capital subiu 0,4%. O secretário, Lucas Bitencourt diz que a Secretaria Municipal de Educação (Semed) impôs ações que garantem a igualdade no aprendizado dos alunos. “Nós montamos um Centro Municipal de Avaliação que faz toda a análise dos nossos alunos bimestralmente. A avaliação é aplicada em larga escala, porque não é a escola que faz. Nós fazemos a correção dessa avaliação e começamos a trabalhar os desafios que cada unidade escolar apresenta, ou a rede como um todo. Os alunos são os respondentes e também participam de simulados que trazem esse feedback para nós. A partir da avaliação diagnóstica e dos quatro simulados, conseguimos identificar uma série de apontamentos. Esses dados orientam a intervenção e permitem trabalhar, de fato, a recomposição da aprendizagem".
Segundo a superintendente de Políticas Educacionais, Ana Lima em "2024 a Semed implantou um plano de ação composto de quatro macroações, a primeira é a recomposição de aprendizagem; a segunda é o acompanhamento e monitoramento pedagógico; a terceira é a formação de professores e de coordenadores; e a quarta é uma produção de materiais para subsidiar o trabalho desses professores nas escolas”. Os procedimentos organizaram o acompanhamento do desempenho dos estudantes e o trabalho pedagógico nas escolas da Reme. O plano estabelece medidas para identificar dificuldades de aprendizagem e orientar intervenções ao longo do ano letivo. Os técnicos do Centro Municipal de Avaliação orientaram as escolas a partir das necessidades identificadas no desempenho dos estudantes.
A Lei Federal nº 15.100, permite o uso de celulares para finalidades pedagógicas, situações de acessibilidade, inclusão e em caso de atestado médico. A lei estabelece formas adequadas para o uso do aparelho sem retirá-lo do ambiente escolar. As escolas adaptam as práticas de ensino para incluir recursos tecnológicos que ampliam o acesso dos estudantes a esses recursos.
O professor Éder Pereira utiliza tablets, notebooks e computadores para aprendizado em sala de aula. “O aluno usa os aparelhos apenas de forma pedagógica. No mais, ele trabalha a matemática na prática dentro da sala de aula e explica a solução para os colegas. Fazer eles participarem ativamente atrai a atenção da turma e traz resultados para o aprendizado”. Os recursos digitais integram as atividades propostas pelo professor sem substituir a resolução dos exercícios e a interação entre os alunos.
O secretário de Municipal de Educação atribui o acompanhamento dos pais na rotina escolar como fator importante no processo de aprendizagem dos estudantes. Gessimara Lima é mãe de três filhos que estudaram na Rede Municipal de Ensino. Gustavo Martins, que cursa o 3º ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal Professora Ione Catarina Gianotti Idygio, no Jardim Noroeste. “A coordenação é muito boa, qualquer coisa que acontece entram em contato comigo. A gente tem o retorno de como a escola é avaliada, eles mandam cronograma das avaliações e simulados para os alunos estudarem”.
A mudança na relação dos estudantes com o celular mudou a rotina nas escolas municipais. A Reme registrou índices abaixo dos registrados em 2023 e 2025. Gessimara Lima afirma que “quando meus filhos mais velhos estudavam lá, era horrível. Nós não éramos comunicados de nada, os meninos usavam celular durante as aulas e a coordenação nunca conversava comigo ou com o pai deles”.
Sala de aula da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande durante atividade escolar
- (Foto: Evelyn Fernandes)