A falta de documentação atinge 57,5% das pessoas em situação de rua em Campo Grande. Relatório do Grupo de Trabalho Intersetorial da População em Situação de Rua (GT-PSR) mostra o panorama sociodemográfico de 257 pessoas, entre elas, 193 em situação de rua e 64 acolhidas. O relatório registra que 111 pessoas vivem nas ruas sem documentação.

O relatório indica que mais da metade das pessoas em situação de rua estão sem documentação, entre as pessoas acolhidas o percentual é de 14%. O relatório identificou diferenças relacionadas ao acesso a benefícios, trabalho, alimentação e serviços de saúde. O relatório define como prioridades operacionais a emissão de documentos para pessoas em situação de rua é prioridade.

A contagem da população em situação de rua de Campo Grande ocorreu em setembro de 2025 e identificou 1.476 pessoas. Os técnicos do GT- PSR entrevistaram 257 pessoas em agosto de 2026. A superintendente de Políticas de Direitos Humanos da Secretaria de Assistência Social e Cidadania (SAS) Priscilla Justi destaca que o relatório servirá de base para a elaboração do plano municipal para a população em situação de rua, previsto para ser concluído até dezembro.

Segundo a promotora de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Paula Volpe  a ausência de documentação impede a obtenção de auxílios e benefícios sociais. “Sem o documento, de fato, é muito mais difícil obter qualquer benefício a que ela tenha direito”. Ela destaca que a perda dos documentos acontece quando a pessoa retorna às ruas. 


Edilson Lopes do Santos (23) vive em situação de rua há sete anos. Ele destaca que o motivo de estar nas ruas é o vício em bebida alcóolica e drogas ilícitas. Santos perdeu a Certidão de Nascimento e a Carteira de Identidade Nacional (CIN) para ter acesso aos benefícios sociais precisa de novos documentos. “Eu fui até o Centro POP para fazer os documentos e pedi para deixar guardado. Com eles eu já consegui um auxílio de 600 reais por mês, vou buscar os documentos, comprar um celular antigo e voltar para a minha cidade, perto de Ponta Porã”.

Peter Medeiros Lopes (39) é morador de rua há 22 anos, sem o documentos de identidade. Ele afirma que a falta de documentação dificulta o acesso a serviços como o Cadastro Único (CadÚnico) e auxílios do governo. Lopes solicitou atendimento no Centro POP para a emissão da CIN e CPF. “Muitas das vezes você precisa dele. Em todos os lugares que você vai eles pedem. Não é tanto a identidade, mas sim o CPF".

A superintendente de Políticas de Direitos Humanos da SAS, Priscilla Justi destaca que as ações promovidas pela SAS concentram serviços de emissão de documentos, cortes de cabelo, assistência médica e encaminhamento para benefícios em uma mesma ação. “A gente precisa da documentação para dar entrada nos benefícios. Então, a gente sempre casa as ações para não perder essa pessoa”. A ação conjunta amplia o público por concentrar todas as demandas em um mesmo local.
Priscilla Justi ressalta que a emissão dos documentos não é realizada no Centro POP  e nas ações conjuntas quando a pessoa é de outro estado, neste caso a emissão é solicitada ao cartório. “Se for uma pessoa que veio de outro estado, tem que solicitar para o cartório, a gente faz via Defensoria Pública”. Os técnicos da Secretaria de Estado de Justiça e Seurança Pública (Sejusp) realizam a emissão da CIN após a Defensoria Pública emitir a Certidão de Nascimento.

Serviço

Local:  Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP)
Endereço: Centro POP 
Telefone: 156
Horário de atendimento: Segunda a Sexta-feira, das 7h00 às 18h00 -  sábado, das 7h00 às 13h00