Mato Grosso do Sul registou 1.468 ocorrências de desaparecimento em 2023. O gênero masculino representa o grupo com maior índice de pessoas desaparecidas no estado. Campo Grande é a cidade com o maior número de registros de pessoas desaparecidas, em seguida as cidades de Dourados e Três Lagoas

As doenças mentais são os principais motivos para os desaparecimentos involuntários notificados devido ao uso abusivo de álcool e drogas. Mato Grosso do Sul registrou 776 pessoas desaparecidas neste ano, o que corresponde a uma média de três casos notificados por dia. Os familiares dos desaparecidos são os principais responsáveis por acionar os órgãos de segurança pública para notificar os casos de desaparecimento.

A perita criminal e diretora do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF), Josermites Prado explica que a Mobilização Nacional de Identificação e Busca de Pessoas Desaparecidas realizada entre 26 e 30 de agosto deste ano teve como objetivo divulgar informações sobre quais são as etapas para notificação dos casos de desaparecimento. Josermites Prado explica que para buscar uma pessoa desaparecida, a família deve registrar um Boletim de Ocorrência e em seguida, comparecer ao IALF com o número do boletim para a coleta de amostras de DNA. "É necessário que a família vá até a Delegacia de Homicídios e faça um boletim de ocorrência do desaparecimento. Após isso, o familiar precisará vir até o laboratório como o número do boletim de ocorrência para dar início a coleta de amostras de DNA, que passará por um processo de análise laboratorial demorado".

Josermites Prado enfatiza que a coleta de amostras de DNA dos familiares em casos de desaparecimento é um processo de análise laboratorial. "O procedimento é realizado com uma escova que retira uma amostra da parte interna da bochecha. Essa amostra é colocada em um cartão exclusivo para análise laboratorial. O método utilizado é totalmente indolor, e a amostra é depositada no cartão para a análise".

A dona de casa Adriana Machado procura seu irmão, Jeferson Machado Marques, desaparecido há 11 anos. Adriana Machado comenta que a última informação recebida pelos familiares foi que o irmão estava preso e foi liberado em 2017 e desapareceu. Adriana Machado explica que sua mãe foi ao Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF) para realizar a coleta de amostras após assistir à divulgação da Campanha do DNA na televisão. "Minha mãe viu a divulgação da campanha pela televisão e me chamou para irmos ao Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF) para realizar a coleta da amostra. Até agora, só tínhamos registrado o boletim de ocorrência e ainda temos esperança em encontrá-lo".

Perfil de pessoas desaparecidas

Perfis de Pessoas Desaparecidas - (Gráfico: Roberta Dorneles)

A psicóloga Graziela Mongelli afirma que o desaparecimento de um familiar desencadeia "sentimentos de culpa" nos familiares. "Esse sentimento é exacerbado pela ambiguidade dos sentimentos, o desespero pela ausência da pessoa se mistura com a esperança de reencontro. O luto por desaparecimento é complicado pela falta de um corpo e velório, o que torna o processo ainda mais desafiador".