Campo Grande registrou 17 mortes em acidentes no trânsito nos primeiros meses de 2026, 64% envolveram motociclistas. As principais causas de acidentes registrados pelo Batalhão de Polícia Militar de Trânsito (BPMTran) são distração ao volante, desrespeito à sinalização, falta de distância segura e consumo de álcool. A capital registrou 4.976 acidentes no primeiro trimestre deste ano, o maior entre os municípios de Mato Grosso do Sul.
O BPMTran divulgou dados que indicam que homens de 20 a 29 anos são o maior índice de mortes no trânsito da capital. O sexo masculino representa oito em cada dez vítimas fatais. Motociclistas representam a maior parte das ocorrências com feridos em Campo Grande.
A tenente da Polícia Militar, Carla Coutinho destaca que a inexperiência de jovens recém-habilitados contribui para os sinistros de trânsito registrados em Campo Grande. A policial ressalta que muitos condutores subestimam os riscos e adotam comportamentos imprudentes no trânsito. “A maioria das pessoas tira a habilitação mais cedo e não tem medo de se expor a risco. Então existe um comportamento imprudente, essa falta de cuidado é propícia para a causa de acidentes”.
O médico da Santa Casa, Rodrigo Quadros afirma que entre 10% e 18% dos atendimentos realizados no pronto-socorro do hospital se tratam de acidentes com motocicletas. Quadros destaca que há maior número de registros nos feriados e nos primeiros dias do mês. “Isso varia de acordo com a época do ano, especialmente em períodos como Carnaval, feriados prolongados e início do mês, quando há maior associação entre consumo de álcool e direção”.
O médico ressalta que o consumo de álcool e o excesso de velocidade são as principais causas dos acidentes mais graves no trânsito. Quadros afirma que os casos mais graves exigem longos períodos de internação e reabilitação. “As vítimas podem sofrer incapacidades temporárias ou permanentes, incluindo amputações de membros, como a perna, e sequelas neurológicas graves, o que impacta diretamente a família e a sociedade".
O motociclista Kaynã Portilho adquiriu o veículo próprio aos 18 anos, ao ingressar no mercado de trabalho. Portilho afirma que teve três acidentes de moto e destaca que reduzir a velocidade e manter atenção no trânsito ajudam a evitar acidentes mais graves. “Eu já caí três vezes, mas uso sempre o capacete para me proteger e não tenho o costume de correr. Quando eu caí, só ralei os braços. Alguns amigos também já sofreram acidentes”.
O Código de Trânsito Brasileiro prevê multa de quase R$ 3 mil, suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e apreensão do veículo para condutores flagrados ao realizar manobras perigosas em vias públicas. O valor da multa dobra em caso de reincidênica no período de 12 meses. A direção perigosa configura crime, com pena de detenção de seis meses a três anos, agravada em casos de lesão corporal ou morte.
Motociclistas são as principais vítimas em acidentes de trânsito na capital
- (Foto: Marianne Amorim)