Pesquisa divulgada recentemente pela revista InterHeart mostrou que os riscos de infarto aumentam 60% quando se tem depressão. Após a avaliação de 30 mil pacientes que participaram do estudo, os pesquisadores do projeto concluíram que a depressão reduz o calibre dos vasos sanguíneos e eleva a pressão arterial. Por outro lado, a ansiedade e estresse aumentam a produção de substâncias inflamatórias relacionadas a aterosclerose coronária. A depressão é a grande vilã dos tempos atuais, uma doença que costuma atingir mais as mulheres e influencia inclusive na saúde do sistema cardiovascular. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, nos próximos 20 anos, a depressão deve se tornar a doença mais comum do mundo, irá afetar mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, inclusive o câncer e doenças cardíacas. Ela será também a doença que mais gerará custos econômicos e sociais para os governos, devido aos gastos com tratamento para a população e às perdas de produção. [caption id="attachment_5229" align="alignleft" width="238"]A psicóloga Tarcísia explica os sintomas da depressão. A psicóloga Tarcísia explica os sintomas da depressão.[/caption] Segundo a especialista em psicologia cognitiva comportamental, Tarcísia Maria Marques a depressão tem sintomas bem característicos. “Os transtornos depressivos são caracterizados por sintomas como tristeza e desânimo, falta de interesse pelas coisas, alterações de apetite, peso e sono, agitação ou lentificação psicomotora, ideias de culpa, déficit de concentração e memória. As pessoas muitas vezes não percebem que estão iniciando um quadro de depressão, por isso é extremamente importante que nesse caso amigos e familiares tentem ajudar, orientando a pessoa a buscar a ajuda de um médico psiquiatra e de um psicólogo”, explica ela. Segundo a psicóloga,  o organismo de um deprimido é estressado, ele tenta se defender a todo momento de uma ameaça que não existe, ela  explica, “o que acontece no corpo de um paciente com depressão é complexo. Pode-se afirmar que ocorre um desgaste de todo o organismo. Quando o cortisol - hormônio relacionado ao estresse - aumenta no sangue podem ocorrer reações inflamatórias, é como se o sangue ficasse mais grosso. Por conta dessa inflamação, os vasos sanguíneos sofrem uma lesão e há uma formação de placa (aterosclerose), o que pode contribuir para o infarto ou AVC”. https://soundcloud.com/primeiranot-cia/sonoratarcisia Hábitos comuns na maioria dos deprimidos também favorece esta tese. Muitas vezes as pessoas com depressão costumam beber mais, fumar e usar drogas, fatores que também aumentam o risco para essas doenças. Além disso, na maior parte das vezes são sedentárias, não tem ânimo para fazer exercícios físicos, não se alimentam corretamente e frequentemente não tomam seus remédios como deveriam. No caso de alterações no nível de cortisol ainda não existem medicamentos que regulem a taxa do hormônio no sangue. Antidepressivos promovem melhoria na capacidade motora , o que facilita a adesão aos programas de exercícios. A psiquiatra Danusa Guizzo Ayache dá a orientação final. “O que orientamos ao paciente é o controle do estresse, alimentação saudável e exercícios físicos. No caso da depressão, o paciente deve ser avaliado por um médico psiquiatra que pode prescrever medicamentos e indicar uma psicoterapia”, finaliza.   Thaís Lopes