[caption id="" align="alignright" width="190"] A jornalista e videomaker Jamille Fortunato[/caption]

A exposição artística “Poemadilhos” da jornalista e videomaker, Jamille Fortunato está em exposição na Galeria Wega Nery, no Centro Cultural Octávio Guizzo, até o dia 1 de setembro. A artista utiliza o caráter polissêmico das palavras e o visual na construção de suas poesias. O jogo polissêmico começa desde o título da exposição, “Poemadilhos”, ou seja, poemas mais trocadilhos.

A iniciativa de expor o trabalho veio depois do incentivo do escritor, roteirista cineasta e jornalista Orlando Senna.  Fortunato comenta que "foi ele que a fez tirar os poemas da gaveta e expor". Dos 200 poemadilhos escritos, 50 estão na exposição.

Segundo Fortunato os escritores Fernando Pessoa, Mario  Quintana e Gregório de Matos influenciaram o seu modo de fazer poesia. Principalmentente Gregório de Matos, “que me  instigou a escrever, fiquei encantada com a coragem, audácia e sarcasmo de suas obras. Poesia para mim tem que ser isso, audácia", enfatiza a artista.

Uma das peculiaridades da obra é o uso de pontos no meio das palavras. Fortunato explica que é uma característica “herdada” dos tempos que era estudante. “Uma das coisas que me traumatizaram foi a pontuação. Sempre fui boa aluna, mas tinha problemas com língua portuguesa”, explica . Outra influência, que a artista considera ser fundamental na sua obra, é a mania de ler dicionários em vários idiomas. Ela afirma que “tinha o costume de ler dicionário compulsivamente, e isso, contribuiu para descobrir a polissemia das palavras”.

[caption id="" align="alignleft" width="249"]A visitante Maria Cabreira A visitante Maria Cabreira[/caption] O  visual é outro atrativo que despertou curiosidade dos visitantes. Entre uma obra e outra, a dona de casa, Maria Cabreira, 63 anos, decifrava os múltiplos significados dos poemadilhos. Segundo Cabreira “a maneira de colocar a sátira foi sutil, vamos descobrindo os significados aos poucos. A obra é extremamente interessante, crítica, criativa e rica em informação”, resumiu.

A proposta da obra Poemadilhos, "leia, observe e faça o seu poema", foi bem recebida pelos visitantes, que interagiram com a possibilidade de expor seus próprios poemas. O aposentado Sidney Reis, 63 anos, destacou que é uma maneira inteligente e atraente de transmitir mensagem. “É uma forma lúdica de divulgar a poesia, e que  consumimos sem perceber, começamos lendo um, quando percebemos lemos todos”.

Poemadilhos é o ponto inicial para a abertura da campanha “Neste Campo Grande Cabe Poesia”, que será lançada por Fortunato e os parceiros Espaço Imaginário, Imaginário Maracangalha e Coletivo Kombi’s. A ideia é espalhar poesia não somente em uma galeria de arte, mas também, pelas ruas, por meio do estêncil, lambe-lambe e grafite. A movimento cultural esta prevista para ocorrer em agosto.

Fortunato enfatiza que o objetivo é surpreender, “pegar algum cantinho, que é parte do caminho que você faz no cotidiano, e colocar um poema. Com isso, quebrar a rotina e levar 'ludi.cidade'  à cidade, brinca a artista com as palavras. A necessidade de intensificar movimentos culturais fez com que a artista financiasse sozinha a sua exposição Poemadilhos; e a promover a campanha “Neste Campo Grande Cabe Poesia”, que ainda não teve proposta de ajuda fincanceira.

Fortunato ressalta que “a cultura em Campo Grande ainda esta engatinhando, pois falta  mais investimento financeiro na área. Exemplo disso é o recurso oferecido para a produção em cinema, o mínimo dado para um edital de curta-metragem é R$100 mil, aqui recebemos 15 mil, isso é ridículo”, conclui.

A falta de recursos financeiros não se restringe somente na produção dos movimentos culturais. Fortunato observa que “dedicar a vida a arte é encarar pessoas dizendo que você não faz nada, além de ser uma área que não dá dinheiro no começo, no entanto, é recompensador".

[caption id="" align="alignleft" width="240"] Poemadilho Angústia[/caption]

A trajetória artística de Fortunato é marcada por “peregrinação” em várias cidades do Brasil e exterior, onde realizou cursos que contribuíram para sua produção artística. Os percalços na busca de um caminho profissional fez com que ela produzisse uma obra em especial, o poemadilho "Angus.tia é um parente próximo". Fortunato diz que “esta poesia resume uma etapa da sua vida, pois a angústia é um parente que temos e não escolhemos e vai estar sempre presente”, conclui.

    Confira a galeria da exposição Poemadilhos http://www.flickr.com/photos/98616697@N06/9241870031/ Alline Gois