O número de adolescentes obesos no Brasil chega a 5%, de acordo com a última Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diante desse cenário, o Ministério da Saúde decidiu, por meio de portaria  publicada em março deste ano, reduzir de 18 para 16 anos a idade mínima para realizar cirurgia bariátrica nos casos em que há risco ao paciente. Com o crescimento da obesidade nas crianças e jovens crescem também os casos de bullying, que são caracterizados por agressão física ou moral que um indivíduo ou um grupo praticam contra outras pessoas. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada em 2011, demonstram que esse tipo de agressão é um dos principais motivos dos adolescentes para buscar a cirurgia bariátrica como tratamento para a obesidade. [caption id="" align="alignright" width="408"] Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica[/caption] De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), em 2012 foram realizadas no país mais de 2 mil cirurgias em pacientes com menos de 20 anos, representando 5% do total de cirurgias feitas no ano. O cirurgião bariátrico, Roberto José D’ávila, diz que muitos jovens chegam ao consultório com histórias do preconceito que sofrem por serem obesos. “Alguns têm a vida social e profissional estagnada, por vergonha e por não querer enfrentar o preconceito que realmente existe na nossa sociedade", destaca. André - que teve seu nome trocado para preservar sua identidade -, que chegou a pesar 195 quilos na adolescência, sofria com o preconceito dos colegas e tinha problemas de pressão alta, até que aos 17 anos fez a cirurgia de redução de estômago e perdeu metade do antigo peso. “Eu fiquei com mais autoestima, com vontade de fazer as coisas. Antes eu tinha vergonha de quem eu era e não conseguia fazer amigos, é muito triste não ser aceito”, conta. Apesar da idade mínima, a cirurgia bariátrica só pode ser indicada no tratamento de pacientes que obtiverem o Índice de Massa Corpórea (IMC) - peso dividido pela altura ao quadrado - acima de 40. Roberto D’ávila avisa que a cirurgia bariátrica não é uma cirurgia estética. “O paciente precisa passar por um amplo acompanhamento e já ter tentado perder peso pelas formas tradicionais, incluindo consultas com nutricionistas e endocrinologistas”, afirma. Para pacientes com IMC entre 35 e 40 a cirurgia é liberada para casos com doenças relacionadas à obesidade, como diabetes e hipertensão. Para dar andamento ao processo, o paciente deve ser acompanhado por, pelo menos, cinco especialistas - um cirurgião, um endocrinologista, um cardiologista, um psiquiatra ou psicólogo e um nutricionista. Cada um desses profissionais dará uma carta que autorizará a cirurgia. [caption id="" align="alignleft" width="195"] Cinco meses depois da cirurgia Lara pesa 31kg a menos / Foto: arquivo pessoal[/caption] A psicóloga, Priscila  Thomaz Ferreira, diz que a prévia avaliação é importante, principalmente nos jovens. “Muitas vezes eles não têm consciência de todo o processo a que serão submetidos. É imprescindível analisar esses pacientes antes da cirurgia, tanto para alertá-los quanto para verificar psicopatologias ”. Contudo, o acompanhamento pós-operatório também é essencial. “O paciente terá que lidar com uma nova aparência, as dificuldades do pós-operatório e as limitações alimentares. Se não houver um preparo emocional, pra não comer e beber compulsivamente, acabará recuperando os quilos perdidos”, salienta. A estudante, Lara Passianoto, que com 18 anos pesava 104 quilos e era hipertensa, optou pela cirurgia. Foram quatro meses de exames até fazer a operação, já com 19 anos. “Após tentar todos os outros métodos de emagrecimento minha família me encorajou a fazer a cirurgia. Não acho que sou muito nova, afinal precisava tomar uma decisão para melhorar minha saúde”, lembra. Cinco meses depois, Lara emagreceu 31 quilos. “Hoje peso 73, mas pretendo emagrecer mais 15 quilos”, anuncia animada, com a foto em que brinca com o tamanho da calça, hoje enorme para o novo corpo. Lara Passionoto passou pela gastrectomia vertical, uma intervenção cirúrgica em que a região esquerda do estômago é removida, do que resulta um órgão com capacidade inferior.  Para conhecer detalhadamente este e outros tipos de cirurgia, acesse o site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.   Repórter: Carolina Fasolo Editoras: Laura Toledo e Natani Ferreira