O Ministério da Educação anunciou, na última segunda-feira (8), o aumento em dois anos na carga horária dos cursos de Medicina no Brasil. A partir de 2015, alunos que ingressarem em faculdades públicas e privadas irão cumprir obrigatoriamente dois anos extras de grade curricular no Sistema Único de Saúde (SUS). Os alunos permanecerão vinculados à faculdade, vão receber uma bolsa e terão os gastos com o deslocamento para as cidades do interior do país custeados. A medida provisória foi divulgada durante a cerimônia de lançamento do programa “Mais Médicos”, que procura ampliar as vagas de medicina no país e atrair profissionais para áreas que carecem de atendimento.
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Coordenador do curso de Medicina da UFMS, Prof. Dr. Ernesto Antonio Figueiró Filho.[/caption]
Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Educação, para realizar o ciclo adicional de formação no SUS, os alunos vão receber uma autorização provisória para exercício da medicina. As instituições de ensino terão de oferecer acompanhamento e supervisão nas especialidades, onde o ciclo de dois anos exigirá gradativamente maior responsabilidade dos estudantes, com o exercício de procedimentos médicos em urgência e emergência.
A introdução do segundo ciclo não irá extinguir o internato, realizado no quinto e no sexto ano de estudo. No internato, o estudante atua em diversas áreas da rede pública de saúde, como um primeiro contato direto com pacientes e a supervisão dos professores. O governo calcula também que o valor da bolsa custeada para o estudante ficará entre o que é concedido para as residências médicas, R$ 2,9 mil mensais. Como a bolsa será paga pelo governo federal, durante esse ciclo de estudo os alunos que estudarem em universidades privadas deverão ficar isentos da mensalidade.
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Coordenador do Centro Acadêmico do curso de Medicina da UFMS, Willian de Oliveira Duailibi.[/caption]
Um dos coordenadores do Centro Acadêmico do curso de Medicina da UFMS, Willian de Oliveira Duailibi, está no quarto no de Medicina e acredita que esta não é a melhor maneira de solucionar a falta de médicos nas cidades do interior do país. “Existe um erro muito grande quando a população e o Governo entendem a saúde apenas como número de médicos e criar um programa como esse, com um interesse eleitoral, não irá melhorar a saúde substancialmente. Eles deveriam incentivar os médicos a irem trabalhar no interior de outras formas, não obrigando os acadêmicos a fazer esses dois anos para suprir uma falha do sistema, em condições que não são as mais adequadas e que você não tem o mínimo de estrutura ou suporte para dar para o paciente”, afirma Willian.
Segundo o governo, a medida não tem como objetivo principal à ampliação da oferta de médicos, mas sim ampliar a formação do profissional e driblar um problema que é a especialização precoce. Na avaliação do governo, a partir do 4º ano, estudantes concentram suas atenção nas áreas com que têm mais afinidade e deixam de lado pontos considerados essenciais para o atendimento do paciente.
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Estudante de medicina Marcos Machado[/caption]
Para o estudante de medicina Marcos Machado, está ação e a entrada de novos médicos no país, é apenas uma maneira de sobrecarregar o mercado e diminuir assim a exigência do local de trabalho. “Eles vão se submeter a qualquer tipo de serviço, que não seria o mais adequado. Porque ninguém quer ir para o interior, para não ter a certeza que vai poder salvar a vida das pessoas”.
Repórter:
Ana Lívia Tavares e
Daniel Campos
Editor:
Gilvana Krenkel
Imagens:
Yasmin Rezende