Protesto em Glasgow, Escócia.Foto: Révilla Martins[/caption] Os protestos que tomaram o Brasil nas últimas semanas tiveram início nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro e rapidamente se espalharam por outras regiões do país. Em menos de oito dias, o movimento que começou como uma reivindicação contra o aumento de R$ 0,20 no preço da passagem do transporte público, adquiriu novas justificativas em cada cidade onde era realizado. Mais de um milhão de pessoas que foram às ruas, nas 388 cidades do Brasil foram suficientes para chamar a atenção da comunidade internacional, em um momento em que os todas as atenções estão voltadas para o país, devido à Copa das Confederações. Jornais do mundo inteiro destacaram a ação dos manifestantes. No dia 14 de junho, o diário espanhol El País publicou, “São Paulo vive nova noite de protestos com cenas de violência”. O norte americano The Wall Street Journal escreveu “No Brasil, a violência explode em protesto pelo aumento da taxa de ônibus”. E a CBS trouxe “Manifestantes entram em confronto com a Polícia no Brasil”. Um levantamento de 2011 feito pelo Itamaraty, mostrou que mais de três milhões de brasileiros vivem no exterior. Destes,um milhão trezentos e oitenta e oito mil vivem nos Estados Unidos. Na cidade de Madison, a estudante de Enfermagem, Kassandhra Pereira Zolin participou de um ato em apoio aos protestos no Brasil. Ela, que chegou ao país no último dia 14 com mais sete brasileiros, revela que assim que começaram a chegar notícias do que se passava por aqui, eles não deixaram de acompanhar o crescimento das manifestações e decidiram demonstrar apoio ao país ao organizar um evento por lá. “Sabíamos que tinha um movimento para apoiar os protestos no Brasil. Esse movimento era em Chicago, e como estava muito perto não poderíamos ir para lá. Então, decidimos fazer algo aqui. Fizemos os cartazes, chamamos os brasileiros que moram no mesmo condomínio que a gente, uns trinta pelo menos. Daí, descobrimos um grupo no facebook que chama ‘Brasileiros em Madison’, fizemos o evento e começamos a chamar a galera”. O apoio não vem apenas de brasileiros. O mexicano e estudante de Comunicação, Alejandro Castillo viveu por oito meses no Brasil por um intercâmbio e também se solidarizou com o movimento. Ao mudar a foto de perfil do Facebook para uma em que aparece com um cartaz que traz a frase “Brasil, o México está com vocês!” demonstrou sua adesão às manifestações. Ele diz que a principal razão pela qual fez isso foi a necessidade de fazer com que seus amigos brasileiros saibam que podem contar com seu apoio. “Nossas realidades não são tão diferentes. Aqui, lamentavelmente, sofremos com os mesmos problemas pelos quais vocês estão se manifestando, por isso, me identifico e acredito que os povos latinos devem passar por uma reelaboração de sua estrutura social”. E completou, “é um ato de solidariedade, de dizer ‘vocês não estão sozinhos’. Por outro lado, também fiz isso para que as pessoas aqui do México realmente conheçam a situação em que vocês estão vivendo no Brasil e que não se deixem influenciar pelo que dizem os grandes meios e isso funcionou! Você não tem ideia de quantas pessoas me perguntam ‘o que está acontecendo no Brasil?’ É um pouco de ajuda que posso dar aos meus amigos de brasileiros, daqui.” A brasileira Révilla Martins está em Glasgow, Escócia desde agosto de 2011. Mãe de uma criança com nacionalidade escocesa, ela fala que a assistência que recebeu durante a gravidez seria inimaginável em um hospital público brasileiro. Para ela, a vontade de encontrar um Brasil melhor quando voltar foi o que mais a estimulou a participar do protesto realizado no último dia 18 e que reuniu mais de 200 pessoas na George Square. O movimento, depois de 15 dias, conseguiu chamar a atenção do governo e obter pelo menos duas das inúmeras reivindicações atendidas de imediato. Nesta terça feira, 25 de junho, os líderes da Câmara decidiram pôr em votação o projeto que converte royalties do petróleo para educação. Eles definiram que a projeto será alterado para garantir 75% dos royalties para a educação e 25% para a saúde. Além disso, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e líderes dos partidos disseram que a PEC 37, que se tornou uma das principais reclamações das ruas, deve ser derrubada. Confira abaixo, galeria de imagens com fotos dos manifestos citados na matéria. [nggallery id=1] Adriel Mesquita (repórter) Jones Mário (editor) Barbara Versolato (repórter) Antônio Negruny (reporter)