A 15 ° Semana Nacional Antidrogas, realizada entre os dias 18 e 25 de junho, abordou temas como, repressão ao tráfico, prevenção e reinserção dos usuários de drogas na sociedade, foram debatidos. Segundo dados apresentado pelo Juiz Federal, Odilon de Oliveira, de 2006 a 2013 o tráfico de drogas cresceu quase 200%, em comparação, neste mesmo período a população brasileira cresceu 2,5.
De acordo com o juiz, somente com a repressão ao tráfico não é possível diminuir o numero de usuários e o comércio de drogas. “O combate às drogas, principalmente no Brasil, vizinho de países produtores, se faz por meio da conscientização da população. Mas esta conscientização só produzirá efeito se houver um esforço internacional”, ressalta.
O promotor da Infância e Adolescência de Campo Grande, Sérgio Harfouche, declarou que em uma década a dependência por entorpecentes transformou-se numa epidemia e atualmente numa pandemia. Conforme relatório do Conselho Nacional dos Municípios, 90 % dos municípios do estado relataram ter problemas relacionados as drogas.
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Juiz Odilon de Oliveira palestra na Semana Nacional Antidrogas[/caption]
Segundo Oliveira, no Brasil há aproximadamente 15 milhões de usuários de drogas injetáveis. Este tipo de droga é a mais maléfica, pois o uso compartilhado de seringas aumenta o risco de o indivíduo ser contaminado por Hepatite e HIV. Em Mato Grosso do Sul, 230 usuários de drogas injetais faleceram devido à contaminação pelo vírus HIV, adquirida por meio do uso de seringas compartilhadas. Em âmbito nacional, o número de mortalidade chega a 26 mil.
Os prejuízos aos cofres públicos para conter o tráfico é expressivo. Atualmente é gasto no Brasil R$ 3,2 milhões por ano, somente para sustentar indivíduos presos por drogas. Com este dinheiro era possível construir 37 mil residências. Em Mato Grosso do Sul há 5.085 presos por drogas, que geram um gasto de R$ 103 milhões por ano, dinheiro que daria para construir 1.433 casas, compara o juiz Oliveira.
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Vice-presidente do Conselho Municipal de Direito e Defesa dos Povos Indígenas, Elcio Terena[/caption]
A proliferação das drogas também é um problema para as comunidades indígenas. O vice-presidente do Conselho Municipal de Direito e Defesa dos Povos Indígenas de Campo Grande, Elcio Terena, relatou que atualmente a situação nas aldeias é alarmante. “Chegou ao ponto de jovens e adolescentes consumirem e venderem drogas. Isto esta ocorrendo em todas as aldeias do Estado”, e o fato de estarem localizadas perto da fronteira, intensifica o problema. “Para enfrentar esta problemática buscamos o apoio dos poderes públicos para desenvolver uma política de enfrentamento ao consumo de drogas nas aldeias”, ressalta.
O presidente do Conselho Municipal Antidrogas (COMAD), José Chadid afirmou que o COMAD e o CEAD (Conselho Estadual Antidrogas) intensifiocou as ações preventivas de uso e abuso de álcool, e outras drogas. “As medidas interligadas entre os órgãos estão melhorando a capacidade de acolhimento de usuários e de apoio aos familiares. E a cooperação entre as forças de segurança municipal, estadual e federal equipados para o combate ao tráfico e a repressão aos traficantes tem contribuído”, concluiu.
O prefeito Alcides Bernal acrescentou a administração atual visa resgatar vidas por meio da prevenção. Um dos projetos em execução é uma série de palestras de prevenção ás drogas, realizadas em 96 escolas municipais.
O juiz Oliveira reforçou que além da repressão e prevenção é essencial que cada segmento social se responsabilize e faça sua parte pelo combate a drogas. “É necessário despertar a atenção do governo, para que haja atenção quanto à reinserção social dos ex-usuários, que só pode ser feita por meio da profissionalização e inserção no mercado de trabalho”. Fato que só ocorrera se houver participação da classe empresarial.
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Prefeito Alcides Bernal fala na Semana Nacional Antidrogas[/caption]
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Debates entre autoridades e sociedade civil buscam fomentar políticas antidrogas e intensificar prevenção .[/caption]
Alline Gois