Pelo menos 30 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar, compareceram ao primeiro dia de protestos que ocorreu na quinta-feira , 20 de junho,  na região central de Campo Grande. Diversas ruas tiveram o trânsito bloqueado durante a passeata, que começou por volta das 17h30, uma hora antes do previsto. Neste dia, Campo Grande esteve entre as 25 capitais brasileiras que foram às ruas. Foram mais de um milhão de pessoas em protesto em todo o Brasil. Sobre essa onda de manifestações há quem diga que o “Brasil acordou”. A estudante de jornalismo Marina Duarte, membro da organização do manifesto aqui da capital, discorda deste termo e diz que o país sempre esteve acordado. Ouça aqui a entrevista com a estudante Marina Duarte. Já a cantora Lauane Ferraz, uma das manifestantes, acredita que o povo acordou sim e que as redes sociais tiveram papel importante na mobilização. Ouça aqui a sonora com a cantora Lauane Ferraz. Durante a caminhada, os manifestantes dividiram-se em grupos. Os destinos da passeata foram a Prefeitura Municipal, Câmara Municipal e Parque dos Poderes. As reivindicações eram várias. Nas ruas encontravam-se cartazes com diversas pautas como fim da corrupção, pela melhoria na educação, por um transporte público mais barato e de qualidade e muitas outras. De acordo com o chefe do Serviço de Fiscalização da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Carlos Guarini, até às 22h, a manifestação estava pacífica. Depois disso, um grupo de pessoas pichou e jogou pedras em um ônibus de transporte coletivo. Algumas portas de lojas do centro também foram pichadas e amassadas. Ninguém ficou ferido. A chuva e o frio de 16ºC não impediram que manifestantes saíssem às ruas na sexta-feira, 21 de junho, segundo dia de protestos. De acordo com a Agetran, cerca de 2 mil pessoas percorreram o trajeto da manifestação que teve início na Praça do Rádio, com destino a Prefeitura Municipal de Campo Grande, Fórum e Câmara Municipal dos Vereadores. Neste local, a tropa de choque da Companhia Independente de Gerenciamento de Crise e de Operação Especiais (Cigcoe) foi acionada para conter tentativas de invasão do prédio por manifestantes em confronto com a guarda municipal. [caption id="" align="aligncenter" width="400"] Manifestantes percorreram as ruas com suas reivindicações escritas em cartazes
Foto: Natani Ferreira[/caption] A Cigcoe utilizou bombas de efeito moral e balas de borracha contra os manifestantes que tentaram invadir o local. Sprays de pimenta foram usados por guardas municipais e causaram revolta em um jovem que estava no local. Ouça aqui a entrevista com o jovem que prefere não se identificar. O temor por atos de vandalismo fez com que a comerciante, Eva Pereira de Souza, fechasse sua loja mais cedo no primeiro dia de protesto. Embora o medo continuasse, nos dias seguintes a loja voltou a funcionar em horário normal. "Estamos atentos, se houver aglomerações, fechamos”, enfatiza. Em outra loja do centro, a vendedora Débora Vaz, disse que na sexta-feira, segundo dia de protestos, a loja em que trabalha amanheceu com as portas pichadas. "Nós fechamos mais cedo nos três dias de protesto", conta. Na tarde de sábado, 22 de junho, terceiro dia de protestos na capital, os manifestantes se concentraram na Praça do Rádio para então seguirem o trajeto estabelecido pelos organizadores do ato, que passou pelas ruas do centro da cidade, avenida Afonso Pena com destino a Prefeitura e a Câmara dos Vereadores. Por volta das 15h algumas pessoas se encontravam na Praça Ari Coelho, local marcado para a concentração por meio do Facebook. Entretanto, os manifestantes se depararam com portões fechados, que só foram abertos mais tarde pelos guardas municipais. De acordo com a Polícia Militar cerca de 7 mil pessoas participaram. Mesmo com o episódio ocorrido no dia anterior, quando manifestantes foram presos e a atos de vandalismo foram praticados na capital, famílias não deixaram de ir às ruas em apoio ao protesto. Com a bandeira do Brasil e seus cartazes pedindo por melhorias na educação, as irmãs Larissa Bittencourt, 12 anos, e Elisa Bittencourt, 13 anos,  foram às ruas protestarem. A mãe, Simone Barbiera, 34 anos, disse não se amedrontar com vandalismos. "Se todo mundo ficasse em casa por medo da violência, não teria protesto", comenta. "Acessibilidade já". Essa foi a principal reivindicação do cadeirante, Paulo Moreno, que foi às ruas mostrar a sua luta diária. "Essa é uma bandeira que eu carrego permanentemente. É a minha bandeira de luta", comentou. A concentração na Praça do Rádio foi juntamente com outra manifestação, a Marcha da Maconha. Cada qual com sua reivindicação, as duas marchas uniram forças pelas ruas da cidade em uma manifestação pacífica e sem confrontos com a polícia.   Reportagem: Laura Toledo Edição: Carolina Fasolo Foto: Natani Ferreira