Por Hannah Marques
O Mercado Municipal Antônio Valente, mais conhecido como Mercadão, existe há mais de 50 anos e é considerado hoje um ponto turístico de Campo Grande, MS. Segundo o assessor de imprensa, Aldemir Lima, por dia, passam de duas a três mil pessoas, desde campo-grandenses a turistas estrangeiros, média baseada nos tickets de estacionamento, Entre os corredores do local, o visitante encontra uma grande variedade de produtos, geralmente inexistentes nos mercados convencionais.
A família Fukushi, está presente no comércio desde antes do Mercadão. O local era conhecido antigamente como uma feira, como explica Cintia Fukushi, “começou com meus avôs, eles trabalhavam na feira e quando construiu aqui, vieram. Na época minha mãe ajudava minha vó e conheceu meu pai aqui dentro, quando se casaram constituíram outras bancas juntos, até então era só hortifrútis e passaram a comercializar plantas também. Eu e meu irmão fomos criados aqui dentro desde que nascemos e comecei a trabalhar em 1995, sendo assim a terceira geração da família”.
O mercadão atrai pela diversidade de produtos procedentes do artesanato e de mercadorias de outras cidades interioranas do estado como Corumbá, Aquidauana e Guia Lopes da Laguna. Os produtos mais procurados são os que, normalmente, não estão em grandes redes de supermercados, como utensílios para tereré e chimarrão, berrantes, sopa paraguaia, pimentas artesanais, chipa e o pastel. No total, são 114 bancas e 77 boxes.
O assessor de imprensa do mercadão, Aldemir Lima, explica as diferenças entre um supermercado convencional e o espaço do mercadão. “Você vai ao supermercado por causa de uma promoção de arroz, e nunca consegue sair de lá só com arroz, porque o layout é atrativo e há outras promoções. No mercadão acontece a mesma coisa, mas pela diferença dos produtos. Se uma pessoa quer comprar a erva pro tereré, ela encontra todos os utensílios para fazer e ainda para pra fazer um lanche na banca do pastel. É muito difícil alguém sair com apenas um produto daqui”.
A diversidade do mercadão também é encontrada no seu público. Aldemir Lima ressaltou também sobre a visita constante de turistas do mundo todo, “a gente tem dois períodos do ano, que consideramos pico de turistas estrangeiros, são no começo e meio do ano. Turistas do Japão, Alemanha, França, Espanha e países da América Latina. A variedade é grande, por causa disso a Associação dos Comerciantes do Mercado Municipal de Campo Grande (Associmec), possui hoje um profissional para atender os estrangeiros”.
A associação foi criada em 1983, quando a Prefeitura liberou uma concessão administrativa para os mercadistas. Desde então, a cada dois anos, são realizadas eleições para mudança da administração.
Considerado patrimônio histórico, o espaço é da Prefeitura de Campo Grande, doado pelo português Antônio Valente, que leva o nome do mercado em sua homenagem.
O vídeo documentário "O Mercadão e suas histórias", produzido como trabalho de conclusão de curso em Jornalismo, apresentado por Lucas Pellicioni e Fabiane Neiva no fim de 2013, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) mostra a diversidade do mercado.
Rota de turistas que visitam Campo Grande, o Mercadão existe desde 1958
- (Foto: Hannah Marques)