CâNCER COLORRETAL

Campanha contra câncer colorretal aumenta a procura de exames de prevenção em Campo Grande

Médicos proctologistas realizam divulgação de exames de prevenção do câncer do intestino e do reto por meio de mutirões e campanhas na saúde pública durante o mês dedicado à conscientização da doença

Por Rafaela Ancel , Ayumi Chinem e Rafaela Ribeiro

Os médicos proctologistas do Sistema Único de Saúde (SUS) realizaram mutirões de atendimento público e divulgação educacional durante a campanha "Março Azul". O Ambulatório de Gastroenterologia do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) foi um dos locais que recebeu uma ação intensiva para a campanha. O ambulatório atingiu o seu limite de atendimentos, com 50 exames efetuados em dois finais de semana durante o mês de março.

 

O câncer colorretal é o segundo tipo que mais atinge jovens de até 19 anos em Campo Grande. Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), mostram que 67 casos foram registrados entre os anos de 2021 a 2025. Os dados mostram que houve um aumento pontual dos casos de câncer colorretal em 2022, seguido de redução contínua nos anos seguintes, com os menores registros em 2025.

 

A Campanha objetiva conscientizar a população sobre a prevenção do câncer colorretal, terceiro tipo mais letal no Brasil. Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) mostra que foram registrados foram 120 mil casos nos últimos três anos. O CFM registra, em média, 20 mil mortes por ano.

 

O chefe do Serviço de Endoscopia do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), Fernão Magalhães explica que os números de casos entre o público mais jovem acontece pelo aumento da procura, o que demonstra a importância do diagnóstico precoce. “A maioria dos diagnósticos de câncer são feitos com pacientes com tumor avançado. O que a medicina em geral quer? Fazer um diagnóstico em tempo hábil para que o tratamento tenha a finalidade de cura, não só de paliação quando esse tumor se disseminou pelo organismo todo. Aí vem a questão dos mutirões, da prevenção, de mostrar para a população que a colonoscopia é um exame sem desconforto e muito seguro”. 

A médica proctologista Raquel Cabral explica que os principais sintomas e o cuidado na alimentação é um meio de prevenir o câncer colorretal. “Existe a importância da gente fazer uma prevenção inicial. Então, ter uma dieta saudável, fazer atividade física, não fumar, fazer a colonoscopia quando estiver indicada, a partir dos 45 anos, sendo homem ou mulher. E, os sinais, de uma doença mais avançada, que é o que preocupa, seriam: sangramento nas fezes, emagrecimento, muito cansaço, anemia”.

A ex-paciente de câncer colorretal, Ana Paula Garritano, de 56 anos, realiza o tratamento em Campo Grande desde 2024. Ela destaca que demorou a procurar um especialista e a doença se agravou rapidamente. “Eu tive uma fissura, não sei bem como surgiu, e a partir de 2022, ficou mais acentuada. Pela dificuldade de assistência médica na região onde eu moro, eu fui adiando. Tomei a decisão de ir para Campo Grande, daí iniciou o tratamento e por volta de outubro de 2023, foi iniciada a quimioterapia”. 

Segundo a gerente de Atenção a Oncologia da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Michele Martins a procura pela consulta de prevenção ao câncer colorretal deve ocorrer por meio da Atenção Primária a Saúde (APS) presentes em todo o estado. O paciente é indicado para os exames de diagnósticos, realizados nos centros de Atenção Primária à Saúde. “Em cada macro região, existem pontos que fazem esses diagnósticos. Então, se o município não tem, ele tem uma pactuação com algum outro município que tenha. A SES ajuda nesse processo de organização”.

De acordo com Fernão Magalhães, o Hospital Regional se destaca por ser uma Unidade de Alta Complexidade em Oncologia e atua em todas as áreas de endoscopia. São realizados em média de 8 a 10 exames de colonoscopia por dia. “O serviço de endoscopia do Hospital Regional é referência do estado. É um serviço muito estruturado, então, lá nós realizamos vários outros mutirões com a finalidade de proporcionar aos pacientes do SUS a possibilidade de um diagnóstico precoce do câncer do intestino e do reto. Em criança é o único serviço de endoscopia da criança no MS”.

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