CHUVAS INTENSAS

Quedas de árvores aumentam 39% no primeiro trimestre do ano

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) atendeu 95 casos de retiradas de árvores e 211 ocorrências de quedas e situações de risco de queda, durante os meses de janeiro a março

Por Rafaela Ancel , Ayumi Chinem e Rafaela Ribeiro

O número de ocorrências de quedas de árvores em Campo Grande aumentou no primeiro trimestre de 2026. O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) registrou 211 chamados de retirada de árvores em situações de risco de queda entre os meses de janeiro e março de 2026. Durante o mesmo período, foram registrados 151 ocorrências no ano anterior, em 2025.


A moradora do bairro Vilas Boas, Isabella Domingos destaca que durante os dias de chuva, os moradores da região tem prejuízos com a queda de energia. A queda de galhos de árvores altas causam rompimentos na fiação elétrica. “Estava chovendo, com ventos muito fortes, a árvore do vizinho caiu e quebrou a calçada. Saiu pelas raízes mesmo e tombou no muro dele junto com a fiação elétrica. Levou a fiação toda. A gente ficou sem luz por uma semana”.

O tenente do Corpo de Bombeiros Militar, Paulo Lima destaca que as ocorrências de queda de árvore são classificadas como situações de risco quando colocam em risco a vida de pessoas, o patrimônio ou uma via onde há fluxo de circulação de pessoas e veículos. Ele afirma que existe um serviço preventivo e que há uma dificuldade em classificar as regiões com maior número de ocorrências, principalmente durante períodos de chuvas intensas, que dificultam a ação. “Nós não costumamos dizer que há uma região onde ocorre o maior risco de quedas, mas sim tipos de árvores que levam a esse maior risco, porque são mais suscetíveis em casos de temporais a ter a queda, como por exemplo a Mangueira”.

Dados divulgados pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec) mostram que o mês de fevereiro de 2026 registrou uma média de 404 milímetros de chuvas, com rajadas de vento que alcançaram 78,8 km/h. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades) realiza o monitoramento e mapeamento das árvores em vias públicas. A gerente de Arborização, Dayane Zanela detalha que esse procedimento é realizado por meio da avaliação de um Auditor Fiscal de Meio Ambiente. "São avaliadas várias condições. O espaço em que a árvore está, se tem conflito com equipamento urbano. E o auditor chega à conclusão se a árvore oferece risco ou não. Oferecendo risco, é autorizada a supressão dessa árvore, e aí a gente pede um plantio posterior, de uma muda de um tamanho adequado para aquele espaço".

Segundo a gerente, existem características que são sinais de alerta de uma árvore, que devem ser observadas pelo morador. Grandes rachaduras, inclinações, raízes quebrando a calçada são alguns. "Às vezes, há uma árvore saudável, em que a população faz uma poda drástica, corta todo um lado, tira um galho muito grande. Além de causar o desequilíbrio dela, porque a árvore tem o seu funcionamento biomecânico de suporte, quando você faz a poda drástica, você coloca uma árvore que possivelmente estava saudável em risco".

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