PLANTAS MEDICINAIS

Comitê é criado para ampliar o acesso e o uso de plantas medicinais e fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS)

Parceria entre Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Secretaria de Estado de Saúde (SES) têm como objetivo contribuir com a distribuição dos medicamentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS)

Por Ayumi Chinem , Rafaela Ancel e Rafaela Ribeiro

O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul oficializou a criação do Comitê Técnico de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. O órgão atuará na fiscalização do uso de plantas medicinais e fitoterápicos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). A Secretaria de Estado de Saúde (SES) cumpre as diretrizes nacionais do Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, que desde 2006, incentiva a inclusão desse serviço nas unidades básicas de saúde.

O projeto Farmácia Viva, desenvolvido pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), foi criado em 2024 e será responsável pelo cultivo das plantas. A Farmácia Viva é uma iniciativa nacional de assistência farmacêutica objetiva incentivar o cultivo de plantas e a produção de medicamentos. O Comitê será composto por 14 integrantes, incluindo representantes da SES e da UFMS.

A farmacêutica da SES e coordenadora do projeto, Marcia Saldanha afirma que o desenvolvimento do comitê está em sua fase inicial. “O projeto vêm andando e não ficou parado em nenhum momento, porque ele está sendo implantado a muitas mãos. Aqui na Universidade Federal, vários professores e alunos têm se dedicado, assim como voluntários da SES e de outros setores. Tem muita gente interessada que ele dê certo e que vêm trabalhando para isso”.

A coordenadora da Farmácia Viva, Soraya Solon ressalta que a existência do espaço na UFMS É um polo de inovação que une a experiência acadêmica com a prática científica. “Várias plantas que possuímos aqui precisam de muitos estudos científicos para poder verificar diferentes efeitos terapêuticos, efeitos biológicos, a questão da segurança, que é um ensaio toxicológico. A universidade serve não só no experimento, na pesquisa de bancada, mas também nas pesquisas sociais”. 

O Comitê atuará com a distribuição de quatro plantas medicinais, o Guaco, a Colônia, o Capim-cidreira e a Erva Baleeira. A farmacêutica Renata Trentin ressalta que a produção de medicamentos e o uso das plantas auxiliam em problemas de saúde como hipertensão e diabetes. Ela afirma que todo o processo de colheita, secagem e produção "é delicado e demorado". “Nós fizemos essa proposta pelo tempo de crescimento e o tempo de colheita que a gente tem. Por exemplo, o capim cidreira: quando ela foi plantada até o tempo dela estar em planta adulta para coletar, casou de ser nesse período [mês de março]. Em média, cada planta aqui demora um ano para crescer. E a gente tem que fazer toda a análise química por lote, não pedaço por pedaço, então quanto mais a gente consegue colher de uma vez só, mais a gente consegue viabilizar o trabalho”.

O projeto pretende entregar plantas essenciais diretamente para a população. A farmacêutica detalha que o uso domiciliar auxilia em problemas de saúde do cotidiano, como hipertensão e diabetes. “Nós temos as mudas certificadas para fornecer para a população, de forma que elas possam ter os seus quintais medicinais. Esses quintais funcionam para auxiliar as pessoas envolvidas no cuidado em saúde, utilizando o poder medicinal das plantas. Existem inúmeras plantas que auxiliam no cuidado do nosso dia a dia. E a gente quer que a população tenha acesso e resgate esse conhecimento para que não precise ir para a farmácia ou mesmo para o posto de saúde adquirir um medicamento sintético”. 
Leia Também