A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) retirou de circulação cinco milhões de reais em produtos emagrecedores irregulares por meio da Operação Visa-Protege. A ação contabilizou 6.085 produtos ilegais com substâncias como tirzepatida e retatrutida apreendidos. O objetivo da ação foi repreender a entrada ilegal e a comercialização de medicamentos importados sem autorização no Brasil, utilizados de forma inadequada por pacientes que buscam o emagrecimento.

A operação estadual recolheu 10 mil canetas emagrecedoras na fronteira com o Paraguai  em um período de 20 dias. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 4.480 canetas emagrecedoras até março de 2026.  Os criminosos optam por rotas secundárias com o propósito de desviar das principais rodovias e evitar postos de controle no estado.

O superintendente da Polícia Rodoviária Federal em Mato Grosso do Sul, João Paulo Pinheiro Bueno ressalta as táticas dos contrabandistas em despistar a fiscalização durante a importação fraudulenta das cargas ilícitas oriundas do Paraguai em compartimentos ocultos nos automóveis e misturadas às mercadorias de origem ilícitas. Bueno destaca que a tecnologia e o sistema de monitoramento de fluxo viário são essenciais para flagrar o circulação de itens ilícitos nas rodovias. 

A endocrinologista Giovana Masselli afirma que o uso de canetas emagrecedoras exige indicação médica restrita e acompanhamento clínico. Medicamentos como o Ozempic atuam no corpo de forma similar aos hormônios GLP-1 e GIP, estimulam a produção de insulina e "dá a sensação de saciedade ao cérebro para inibir a fome". Ela alerta que o uso de remédios de procedência irregular é arriscado pela falta de segurança no acondicionamento térmico e pela ausência de garantias sobre a procedência do princípio ativo. 

A modelo Susan Tirloni, que realiza o tratamento clínico para emagrecimento, ressalta que grande parte de sua renda é direcionada ao custo mensal do procedimento. Ela destaca que utilizava a Semaglutida e atualmente aplica a Tirzepatida, nomes dos princípios ativos do Ozempic e Mounjaro, e paga cerca de R$ 3 mil reais por mês nas aplicações.  Segundo Susan Tirloni, os altos preços cobrados pelos produtos originais influênciam da decisão da  maioria dos consumidores para as compras ilegais. Ela afirma que grande parte dos seus familiares e amigos que usam a medicação recorrem ao comércio ilegal por causa do preço inferior.

A endocrinologista Giovana Masselli ressalta que com encerramento da patente da semaglutida, que expirou oficialmente no dia 20 de março no Brasil, é um fator positivo para ajudar no tratamento da doença. De acordo com ela, o registro de novos produtos concorrentes no mercado diminuirá os custos e é uma forma de impedir que as pessoas recorram ao comércio clandestino de substâncias emagrecedoras. A Lei n° 9.787/99 determinou o fim do monopólio da semaglutida e regulamenta a produção de novas versões genéricas e acessíveis do produto farmacêutico.