Por Ariane Vilharva Carneiro , Gabriela Barbosa Ruas e Grazielly Marangon
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) registrou 346 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 26 óbitos na capital na semana entre 23 a 29 de março. Os casos e óbitos duplicaram desde a última semana de fevereiro. Mato Grosso do Sul soma 885 casos e 87 óbitos no mesmo período.
Os casos de SRAG registrados no estado foram causados principalmente por rinovírus, influenza A (H3N2) e Covid-19. Os casos notificados dessas doenças são principalmente de crianças de 1 a 9 anos. Óbitos são de pessoas com mais de 60 anos.
O boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz registra que Campo Grande foi, em fevereiro de 2025, a única capital do país a decretar alerta para SRAG. A superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Veruska Lahdo afirma que neste ano o município reforçou medidas de prevenção e reorganizou a rede de atendimento diante do aumento de casos para evitar crescimento de registros. "Estamos organizando a nossa rede em relação a materiais e insumos e orientando os profissionais de saúde para ter atenção especial aos casos de crianças, idosos e pessoas com comorbidades".
Veruska Lahdo atribui o cenário de 2025 à baixa adesão às vacinas para prevenção da SRAG. A cobertura vacinal contra a influenza no país atingiu 54,11%, abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde. “No ano passado a nossa cobertura vacinal foi muito baixa, o Brasil inteiro teve cobertura baixa e Campo Grande atingiu apenas 59%. Então, a gente a partir de março deste ano iniciamos os treinamentos para os profissionais de saúde em relação ao manejo dos casos e a organização de materiais e insumos para atendimento da demanda”.
Veruska Lahdo afirma que a Sesau identificou aumento na circulação de vírus respiratórios na Capital e que a mudança de estação deste período do ano contribui para o avanço das infecções respiratórias. “Ainda o número de casos não ultrapassam os registros do ano passado, mas a gente já percebe uma tendência de crescimento dos casos e isso vem acontecendo por conta da chegada do outono e inverno".

O médico infectologista Júlio Croda destaca que ambientes escolares exigem atenção neste período. Ele explica que escolas funcionam como locais frequentes de transmissão entre crianças. “A educação tem que ficar bastante atenta para que caso haja aumento de casos de crianças com sintomas respiratórios em uma sala específica ou na escola, pode ser necessária a interrupção das aulas para conter a disseminação”.
A coordenadora de vigilância do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde, Priscilla Arashiro afirma que a principal razão pelo agravamento dos vírus respiratórios em crianças e idosos é pela fragilidade natural desses grupos. "Devido à imaturidade imunológica das crianças e ao enfraquecimento natural do sistema imunológico dos idosos, esses grupos são mais vulneráveis. Além disso, apresentam menor reserva funcional respiratória e, no caso dos idosos, a presença de comorbidades e fatores de risco, como doenças pulmonares, diabetes e doenças cardiovasculares, agrava o quadro. Principal recomendação é a vacina, são grupos prioritários".
Júlio Croda orienta que pacientes com falta de ar procurem atendimento imediato em unidades de saúde. Ele afirma que esse sintoma indica possível agravamento do quadro respiratório. “Se for falta de ar, o principal sintoma, é importante procurar uma unidade de pronto atendimento para avaliação mais adequada”
Fila de atendimento para vacinação contra vírus respiratórios na Clínica Integrada na UFMS
- (Foto: Ariane Vilharva Carneiro)