REPORTAGEM ESPECIAL

Laços de Afeto

Mato Grosso do Sul é um dos estados com o processo de adoção menos burocrático, o que facilita o encontro de um lar para as crianças

Por Luiza Vonghon

Subtítulo: A adoção tem como objetivo garantir às crianças e jovens um lar seguro e a garantia de seus direitos básicos. Dados do Sistema Nacional de Acolhimento e Adoção (SNA) mostram que Mato Grosso do Sul é um dos Estados com o processo de adoção menos burocrático, o que facilita o encontro de um lar para as crianças.


Introdução:

Cursos como "Nasce um Família" são projetos que preparam os adotantes e oferecem uma abordagem prática e online, especialmente aos moradores das regiões do interior de Mato Grosso do Sul. Relatos de adotantes e profissionais envolvidos destacam a importância de acompanhamentos psicológicos e sociais, o que ressalta os desafios e as recompensas da adoção. Projetos como a Casa da Criança Peniel e o Projeto Padrinho trabalham para reintegrar crianças às suas famílias e proporcionar laços afetivos e estáveis, para que a criança e o adolescente tenham seus direitos e bem-estar assegurados.

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Dados da plataforma de monitoramento de adoção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Sistema Nacional de Acolhimento e Adoção (SNA) apontam que o estado de Mato Grosso do Sul é o sétimo do país com o menor número de pretendentes na fila de adoção entre os anos de 2019 e 2023. O estado é representado com o maior número de acolhidos do Centro-Oeste. Mato Grosso do Sul, no intervalo de 2020 a 2024, foram adotadas 653 crianças e adolescentes, enquanto 1.608 foram reintegrados aos genitores

Infográfico 1

A psicóloga e coordenadora de projetos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Renata Queiroz Giancursi dos Santos explica que no estado, as pessoas que desejarem adotar uma criança ou jovem são obrigadas a passar pelo curso Nasce uma Família, com o objetivo habilitar pretendentes à adoção para o exercício de uma paternidade ou maternidade responsável. O projeto foi o primeiro a ser implementado de forma online no Brasil. "Quando surgiu a pandemia, nós da coordenadoria da infância e juventude de Mato Grosso do Sul, tivemos a ideia de construir o curso na modalidade online. Além de facilitar o processo para pessoas que moram no interior em fazendas e áreas rurais. É necessário que o candidato tenha acesso a Internet". O projeto também foi criado com motivos "de que nem toda comarca de Mato Grosso do Sul tinha psicólogo, ou outros profissionais necessários". O curso possui duração de dois meses e qualquer pessoa pode se inscrever.

 

RENATA VÍDEO "A coordenadora de projetos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Renata Queiroz Giancursi dos Santos explica os benefícios do curso Nasce uma família"

 

A assistente social e judiciária Elisangela Facirolli do Nascimento declara que durante a fase que os adotados e adotantes se conhecem e passam a viver juntos é chamado estágio de convivência. A assistente social relata a fase corresponde ao acompanhamento psicológico que ocorre após a formalização do processo de adoção. "É normal o início ser mais difícil, até que sejam estabelecidas as rotinas e regras. No final também avaliamos se houve a concretização de vínculos afetivos e afinidade entre os envolvidos".

 

Áudio Eli 1: Elisangela Facirolli do Nascimento explica como funciona o acompanhamento pós efetivação do processo de adoção

 

Elisangela Facirolli do Nascimento afirma que "existe um padrão específico quanto ao perfil de crianças que os adotantes buscam". Dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) apontam que, em Mato Grosso do Sul, 10% das crianças adotadas são negras, 2,1% são portadoras de doenças infectocontagiosas e 0,9% possuem deficiência". A assistente social relata que os adotantes "deveriam partir do princípio que a adoção é muito parecida com a gestação, porque quando você escolhe ter um filho biológico não possível decidir o sexo e características físicas".

 

Áudio Elisangela 2: Elisangela Facirolli do Nascimento relata sobre os problemas relatados no processo de adoção

 

A técnica judiciária, Edinéia Pavilaki e o marido Joel Carlos Linhares são pais por adoção de Levi, três anos. O casal tentou gerar filhos de forma biológica, sem sucesso, optaram pela adoção.  Adotar uma criança foi desejo de Edinéia Pavilaki. "Quando meu marido também concordou em adotar, fomos ao fórum ver como funcionava, então a ideia surgiu da minha impossibilidade de gerar de forma natural um bebê, mas eu sempre quis adotar". Edinéia Pavilaki concorda em o processo ser burocrático e extenso, " pois lida com a vida de uma criança ou jovem que não pode ser devolvido ou negligenciado". 

EDINÉIA VÍDEO HORIZONTAL "A adotante Edinéia Pavilaki enfatiza que a adoção é uma decisão importante e irreversível" 

 

Galeria de fotos Edinéia 

A engenheira de Segurança do Trabalho, Rebeca de Castro Bento Ramos e o técnico de Segurança do trabalho, Felipe Teixeira Braga Ramos deram início ao processo de adoção após iniciar o curso Nasce uma Família em abril de 2022. Rebeca Ramos mora em Jardim e se mudou para Campo Grande para acompanhar as etapas de encaminhamento do processo até a efetivação da adoção. Durante este período a engenheira esclarece que trabalhou na modalidade de home office.

Rebeca Ramos resslata que conhecer suas filhas, Maria Fernanda e Ana Vitória "foi um momento de felicidade e ansiedade porque sabia que aquela seria a hora proporcional ao parto". A engenheira explica que suas filhas nasceram com grau de prematuridade extrema, equivalente a 28 semanas de gestação. Rebeca Ramos relembra que as irmãs foram encaminhadas para duas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) diferentes e tinha que deslocar entre dois hospitais. "Uma nasceu e foi para a UTI do Hospital Universitário (HU) e a outra foi encaminhada para a UTI da Santa Casa".

 

Áudio 1: Rebeca Ramos explica sobre o processo de acompanhamento das gêmeas nas UTIs

Rebeca Ramos relata que no início sentiu falta do apoio da sua família à recepção das crianças adotadas. Ela declara que seus pais receavam que as "gêmeas pudessem questionar sobre a genética e a família de origem biológica". Rebeca Ramos e seu marido enfatizam que "o caráter de suas filhas será construído a partir da convivência e que o fator genético não é um limite".

 

Áudio 2: Rebeca Ramos reflete sobre a criação futura de suas filhas

 

Galeria de fotos Rebeca 


 

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INFOGRÁFICO BRUNNA 

A executiva de contas, Aline Benko adotou sua filha "Lelê" com quatro anos e 10 meses em 2019. Aline Benko afirma que a adoção era um desejo tanto dela quanto do marido. "A adoção veio para completar nossa família, por que além de ser um desejo, nós já tínhamos dois meninos, filhos biológicos e gostaríamos de ter uma menina". A executiva procurou informações sobre o processo de adoção após o crescimento dos dois filhos. "Começamos a nos informar melhor como funcionava o processo de adoção e entender tudo que envolvia não só a nossa família imediata, como a família ao redor. A adoção é um projeto familiar, não é só do casal, então precisamos entender todo o contexto para poder fazer dar certo". 

Aline Benko declara que a escolha do perfil da criança no processo de adoção a incomodou muito. "Passa uma sensação como se estivéssemos escolhendo um produto. Apesar desse 'baque', tínhamos um perfil previamente definido, que foi alterado durante o curso que participamos para nos habilitarmos ao processo."

ÁUDIO 01:51 03:50

A executiva de contas se surpreendeu com a chegada de sua filha devido a "forma madura e bem resolvida" que a Lelê apresentava. Aline Benko diz que sua filha sabia o que era adoção e que ela tinha chego até a sua família através desse processo. "Foi preciso ressignificar muita coisa. Havia coisas que ela não entendia que era certo, que dentro das famílias muitas vezes acontecem. Questão de higiene pessoal e limites, foram etapas a serem explicadas e ensinadas". 

VÍDEO 10:00 11:15 

Lelê é uma criança negra em uma família de brancos, e "medo" foi a sensação de seus pais. Aline Benko explica que esse sentimento existiu por saber como empoderar e conduzir sua filha nesta situação. "Dentro desses 5 anos que ela está conosco, foram poucas as vezes que percebemos o preconceito diretamente. A gente vê muita curiosidade das pessoas, e muitas vezes as pessoas interpretam como gesto de caridade, que é o que incomoda a mim e ao meu marido". 

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Aline Benko comenta que teve ciúmes por parte de seus outros dois filhos com a vinda de sua filha. "A Lelê foi muito bem recebida. A paixão por ela não foi à primeira vista, foi uma construção, mas hoje todos nós não lembramos como era nossa vida antes dela chegar, apenas da sua chegada em diante. Lelê passou por outras duas família antes de se tornar filha de Aline Benko, uma biológica e outra adotiva, na qual a menina pediu para ser retirada. Aline Benko instrui várias outras pessoas sobre a adoção, com o exemplo de amor pela sua filha Lelê.

GALERIA DE FOTOS ALINE

O professor de inglês Flávio Serafim iniciou o processo de habilitação para a adoção de Miguel durante a pandemia, em maio de 2020. O professor morava em Jaraguari e transferiu de comarca ao se mudar para Campo Grande. "Esse processo demorou dois anos. A habilitação, dois anos e depois dois meses na fila de espera. A gente conversou com uma psicóloga do Tribunal de Justiça daqui e ela falou que aqui geralmente o processo é bem rápido".

Galeria de Fotos Flávio e Miguel

Serafim relata que a opinião de outras famílias sobre a "inaptidão de um pai para criar uma criança pequena é a parte mais complicada no início da fase de adaptação como um pai solo". O professor relata que se inspira na história de mães que trabalham e cuidam de seus filhos sozinhas. "Então, a gente cresceu vendo e conhecendo a história de uma mãe solo. Então foi olhando para essas mães solos que eu falei, é possível, acho que consigo".

Vídeo Horizontal Flávio

Flávio Serafim afirma que o "difícil da paternidade é proteger Miguel de situações de racismo, por ser negro e ter a cor da pela diferente do pai". O professor explica que também enfrenta preconceitos referentes à sua orientação sexual e a sua escolha de se tornar um pai que cria seu filho sozinho. "Então sou um pai solo e LGBT, um pai gay que não faz questão de esconder isso também de ninguém não. Eu disse pra ele, você tem um papai, pode ser que um dia você tenha mais um papai. E é uma informação que eu sei que é importante dar, fica na cabecinha dele". 

Vídeo Vertical Flávio

 

A jornalista Izabela Piazza Pinto, 25 anos, foi adotada ao nascer, no Hospital Evangélico - Dr. e Sra. Goldsby King, em Dourados. O irmão, Davi, 32 anos, gerado por outra mulher, também foi adotado pelos pais da jornalista. De acordo com Izabela, os pais optaram pela adoção por ter dificuldades de gerar filhos biológicos. A irmã Gabriela, 30 anos, é filha biológica. 

Izabela Piazza Pinto enfatiza que os pais sempre conscientizaram que ela era filha por adoção. "Eu tinha uns seis anos e minha mãe já me explicava que eu era filha do coração, por orientação da assistente social, sempre falavam que você deve dizer a verdade para o filho adotivo, então minha mãe explicava que eu não tinha nascido da barriga". Segundo a jornalista, nas festas de aniversários, os pais presenteavam todos os filhos, uma forma de mostrar que todos eram iguais. " Minha irmã faz aniversário em abril, eu faço em julho e meu irmão em dezembro, e em todos os aniversários a gente ganhava presentes". 

IZABELA ÁUDIO

 

O sentimento de rejeição pela família biológica, é uma das frustrações de Izabela Piazza Pinto. "Quando eu entendi o que era ser adotada eu fiquei um pouco chateada, passei por um processo muito forte de me sentir rejeitada por alguém que eu nem conhecia. Depois de muito tempo, comecei a fazer terapia, foi todo um processo de amadurecer e perder essa raiva". 

Galeria de fotos da Izabela 

 

A psicóloga jurídica do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Renata Queiroz Giancursi dos Santos declara que no processo de adoção, toda criança ou jovem, tem pelo acompanhamento de um profissional até o processo de adoção ser finalizado. "Todos os sentimentos daquela criança que está indo para adoção é papel do psicólogo jurídico, ele irá atender aquela criança,  fazer um parecer para o magistrado, citar se o jovem possui algum sintoma de depressão, se ele é introvertido ou extrovertido, foco nas características desse jovem". Segundo Renata dos Santos, os futuros pais "idealizam" crianças com características padrões. "Muitos adotantes vêm com uma imagem muito idealizada de famílias, de filhos, então vão passar por um processo de desidealização desse filho, recebendo as crianças reais que nós temos, ou seja, grupo de irmãos, crianças inter-raciais, crianças com deficiência,  crianças prematuras, crianças de várias realidades".

RENATA ÁUDIO 1 "A psicóloga jurídica Renata Queiroz Giancursi explica as principais preocupações dos pais por adoção"

De acordo com a psicóloga, há mitos na adoção, como considerar a família biológica única e verdadeira, o que em alguns momentos causa desconforto nos filhos por adoção, sentimentos de rejeição. "Nossa sociedade dá muito valor na família biológica, no consanguíneo. Muitas vezes aquele pai, aquela mãe nem cuidou da criança de forma correta. Isso causa uma ferida no filho por adoção, o porquê meu pai ou mãe me rejeitou". Renata Queiroz Giancursi enfatiza que a função materna e paterna é de quem criou aquela criança. " A verdadeira mãe ou pai real é quem exerceu a maternidade ou paternidade, criou a criança ou jovem, criou vínculos com os filhos". 

RENATA ÁUDIO 2 "A psicóloga Renata Queiroz Giancursi relata os principais mitos que envolvem o processo de adoção"

 

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A reintegração familiar é o ato correspondente ao esforço de desenvolver um ambiente que seja propício ao regresso da criança ou adolescente à sua família de origem. Dados da plataforma do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) apontam que 1.608 crianças e adolescentes foram reintegrados nos últimos quatro anos. A Casa da Criança Peniel é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) de Campo Grande que tem como objetivo abrigar crianças de zero a sete anos de idade que tiveram seus direitos negligenciados por parte de suas famílias nucleares

Vídeo Horizontal: Psicóloga Liene Moraes explica sobre o funcionamento da Casa da Criança Peniel.

A diretora do Abrigo, Joelma Fachini ressalta que além da adoção o foco da casa é garantir a reinserção das crianças a partir dos projetos de reintegração familiar. A equipe da Casa da Criança Peniel é composta por educadores que realizam plantões com os acolhidos; equipe de psicólogos e assistentes sociais. Segundo a diretora, mais de 60 crianças foram reintegradas no ano de 2023.

A psicóloga Liene Moraes comenta que as crianças institucionalizadas vivenciaram negligência educacional ou são vítimas de violência física e sexual. Liene Moraes relata que os pais das crianças no Abrigo "privaram os filhos de direitos básicos como a falta de atenção ao calendário vacinal na primeira infância. Na maioria das vezes elas chegam com muitos traumas, por violência física, violência sexual, mas a grande maioria aqui é por conta de países alcoolistas ou usuários de drogas. Então essas crianças acabam vivendo vários tipos de vulnerabilidade e negligências".

Áudio: Liene Moraes explica sobre como as crianças são institucionalizadas pela Casa da Criança Peniel

A psicóloga destaca a criação do projeto Acolhendo Famílias, que consiste em encontros mensais com as famílias das crianças em processo de reintegração. Durante as reuniões "a equipe traz temas pertinentes à realidade das famílias. A gente procura sempre abordar algo dentro da demanda de cada criança". Liene Moraes relata que os convidados do projeto incluem assistentes sociais, policiais judiciais da Vara da Infância e policiais da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA). "As famílias têm acatado bem aquilo que a gente procura orientá-los, com as informações, aquilo que eles vão vendo também dentro dos projetos que são feitos com eles".

Vídeo Vertical: Psicóloga Liene Moraes explica sobre como ajudar a Casa da Criança Peniel.

Galeria de fotos Casa da Criança Peniel

Infográfico com dados - Marcus

Crianças e adolescentes em entidades de acolhimento ficam sem convivência e apoio familiar por tempo indeterminado. O Projeto Padrinho, criado no ano de 2000 pela Juíza da época Maria Isabel de Matos Rocha, surgiu como um programa de solidariedade e apoio da sociedade civil às crianças e adolescentes abrigados.

Corumbá é uma das cidades contempladas pelo projeto, que está sediado no prédio do Fórum da Comarca de Corumbá. O Juiz titular da Vara da Infância, Maurício Santos é o coordenador geral do programa. Maurício Santos relata sua preocupação com a "triste" realidade "A existência de cerca de 50 crianças e adolescentes junto às instituições de acolhimento de Corumbá e Ladário sem o correspondente padrinho". O coordenador geral destaca a baixa adesão ao Programa de Acolhimento Familiar. "Apesar de contarmos com o programa há mais de um ano, apenas três casais encontram-se habilitados". 

O coordenador adjunto, Wilson Maria explica que o projeto mostra a sociedade a realidade das crianças e adolescentes que têm processos na Vara da infância e juventude com situação de risco. "Em virtude de estarem em situação de risco como as crianças que estão com as famílias, o apoio pode ser a crianças acolhidas, como também aos jovens que estão com a família, para evitar que o menor venha a ser abrigado. Os padrinhos contribuem para o benefício espiritual e humano, essa interação com a criança traz o sentido de pertencimento e participação na comunidade".

Wilson Maria acrescenta que o programa convida as pessoas a exercerem gestos de afeto, carinho, convivência familiar, social e comunitária aos jovens. "O Projeto aproxima quem quer ajudar de quem precisa de ajuda e proporciona uma relação direta entre o padrinho e a criança, para a construção de laços afetivos, apoio material, profissional e educacional". O coordenador adjunto destaca que "O período de acolhimento não deve ser sofrido ou prejudicado. Em todos os momentos da vida, as crianças devem ter seus direitos preservados".

O Grupo de Apoio à Adoção Pantanal (GAAP) é outro projeto que trabalha com adoção no município de Corumbá. O grupo é uma associação civil que foi fundada em 4 de novembro de 2016. O GAAP tem como finalidade mobilizar e informar a sociedade para a necessidade da adoção e o apadrinhamento afetivo de crianças e adolescentes, com o propósito de garantir que elas tenham um convívio familiar e comunitário. 

O Grupo de Apoio à adoção trabalha com o suporte  para os pais adotivos e para as crianças adotadas e oferece espaço para que os membros e interessados compartilhem experiências, desafios e sentimentos à adoção. O GAAP é coordenado pelo ex militar aposentado Cleverson da Costa. 

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Cleverson da Costa e sua esposa Laura Barcellos da Costa são pais do Luiz Antônio. O casal adotou o filho com seis anos de idade. Laura Barcellos da Costa é membro do GAAP e explica que foi por meio deste grupo, que ela e seu marido conheceram seu filho Luiz. "Começamos a frequentar as visitas que o grupo fazia nas casas de acolhimento aqui em Corumbá e em uma dessas visitas acabei conhecendo o Luizinho. Nesse primeiro encontro com ele, ele sentou no meu colo e tiramos uma foto, mas eu nem imaginava que ele seria meu filho". 

GALERIA DE FOTOS LAURA 

O casal havia registrado no perfil do processo de adoção, uma criança com até dois anos, e adotaram o Luiz com seis. Laura Jane Barcellos da Costa relata que essa mudança ocorreu por causa da vivência que teve com as crianças dos abrigos. "Observamos a dificuldade que era para as crianças de maior idade e percebemos que filho é filho, não importa a idade, então optamos por mudar o perfil para crianças de cinco a dez anos". O casal destacou que com essa mudança, optaram por aceitar grupos de irmãos. 

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Laura Barcellos Costa declara que adotou Luiz e a irmã. A menina não se manteve na família por que "não criou vínculos com o casal". Cleverson Gonçalves da Costa enfatiza que essa opção partiu da menina, por desejar de fazer parte de uma outra família. "Ela já havia criado laços com um outro casal, então ela queria ser adotada por eles e nós entendemos isso. Fomos até o fórum aqui de Corumbá e ela disse que não queria ficar conosco, e o Luiz respondeu que gostaria de permanecer na nossa família". 

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A mãe de Luiz Antônio reflete "Que o amor entre o casal e o filho foi uma construção. Ele chegou transformando tudo e nos fez pessoas melhores. Ele está escrevendo sua história junto conosco agora". Luiz Antônio frequenta com os pais as casas de acolhimento em Corumbá. Laura Jane Barcellos Costa comenta que essa ação é uma forma de seu filho valorizar o trabalho da mãe e do pai com as crianças abrigadas. 

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