Subtítulo: 

A falta de responsabilidade e cuidado no trânsito são as principais causas dos acidentes com vítimas em Campo Grande, campanhas de educação e conscientização no trânsito são feitas ao longo do ano, mas índices mostram altas taxas de internações e mortes
 

Introdução:

No intervalo de um ano foram registradas 403.696 mil infrações de categorias média e grave em Campo Grande. Falas como "é só uma olhadinha no celular" e "é só mais um sinal vermelho" são repetidas diariamente enquanto acidentes de trânsito são registrados nas ruas da capital. A multa para o uso de celular durante a condução é considerada gravíssima e garante sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

MENU 1: INFRAÇÕES

Dados do levantamento da Agência Municipal de Trânsito (Agetran), mostram que de janeiro a agosto de 2023, mais de 126 mil condutores receberam multas por excesso de velocidade em Campo Grande. O número representa uma média de 525 infrações notificadas por dia na Capital. No mesmo período, em 2022, foram registradas mais de 113 mil multas, o que indica um crescimento de 11% nas infrações durante o período de um ano. Campo Grande possui 93 radares em operação, distribuídos pelas sete regiões da cidade.

 

INFOGRÁFICO 

 

De acordo com o Tenente-Coronel da Batalhão da Polícia Militar de Trânsito (BPMTran), Carlos Augusto Regalo a principal medida para melhorar a segurança viária são os bloqueios e as blitzes que ocorrem nas regiões da capital. "Com esse tipo de ação conseguimos retirar de circulação condutores que não são habilitados e que causam um grande número de acidentes. Também com a blitz lei C que a gente consegue retirar das vias de Campo Grande um grande número de condutores que ainda insistem em dirigir sob influência de álcool. Temos uma média de que a cada 10 motoristas que são abordados na blitz da lei seca pelo menos um está dirigindo sob efeito de álcool". 

 

ÁUDIO TENENTE  

 

A equipe de policiais do BPMTran  iniciou no dia 8 de abril o monitoramento das avenidas de Campo Grande com drones. Os drones detectaram, no primeiro dia da operação, 187 motoristas em infração. A infração mais comum foi avançar o sinal vermelho, com 85 motoristas flagrados. Seguida pela falta uso do cinto de segurança, com 62 motoristas registrados, e 40 condutores foram flagrados com aparelho celular enquanto dirigiam.

 

Segundo o Tenente-Coronel os drones "têm a função de ser uma extensão dos olhos do agente. O drone não é autônomo como um radar, ele é operado por um policial militar para ampliar o campo de visão na via. No entanto, a notificação é feita pelo agente, que deve testemunhar a infração de trânsito para aplicar a penalidade. A presença do drone visa conscientizar os motoristas sobre a fiscalização, a fim de incentivar uma direção defensiva e mais cuidadosa". 


 

VÍDEO DOS DRONES OU FOTOS (CASO O VÍDEO NÃO ENTRE SOZINHO, DA PRA TIRAR PRINT E SUBIR COMO FOTO)

 

O advogado Wilson Xavier enfatiza que a recente utilização dos drones fiscalizadores em Campo Grande gera "debates entre os advogados de trânsito". Xavier explica que a regulamentação de placas informativas sobre a atuação dos drones nas vias " é precária, visto que não há nenhuma padronização sobre como seriam essas placas". Xavier afirma que "embora exista uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que permita a fiscalização por videomonitoramento, essa fiscalização só pode ser feita em vias que existam placas de sinalização".

 

Áudio 2: Wilson Xavier relata sobre os drones fiscalizadores de trânsito 

 

Dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) registram que no ano de 2023 foram registradas mais de 630.628 mil infrações de trânsito no estado de Mato Grosso do Sul. O órgão registrou em Campo Grande 403.696 mil infrações do total. De acordo com a diretora do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), Andrea Moringo, há mais ocorrências de trânsito em horários de maior fluxo, como fim da tarde, sábados à noite e domingos pela manhã. " Aqui na capital nós não temos uma área específica de maior risco,  e sim os horários mais críticos". 

 

As multas por uso de celular na capital, são comuns, em 2023 foram registradas 18,6 mil infrações. A infração de "Dirigir veículo manuseando telefone celular" teve mais de 19 mil ocorrências. Essa infração é aplicada quando o motorista envia uma mensagem, seja por texto ou por voz, enquanto dirige, considerada gravíssima, com sete pontos na carteira e multa no valor de R$293,47.

 

ÁUDIO ANDREA " Andrea Moringo explica as consequências de uma má conduta no trânsito" 

 

GALERIA DE FOTOS INFRAÇÕES DE TRÂNSITO 

 

O estudante do curso de Direito da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Felipe Welter, 20 anos, colidiu o carro com uma motocicleta em junho de 2022. O acidente ocorreu em uma rotatória próxima ao bairro Mata do Jacinto em Campo Grande e deixou as duas mulheres que estavam no veículo feridas. Welter relata que a motocicleta estava no ponto cego de visão." Não consegui enxergar elas na moto, estava no meu ponto cego, elas entraram e bateram na frente do carro".

 

Welter prestou socorro às vítimas após à colisão. Segundo o condutor "Assim que aconteceu desci do carro e perguntei se estava tudo bem, liguei para ambulância e bombeiros, mas era visível os danos na perna de uma das moças, e a outra caiu e bateu o queixo por não estar com capacete preso". O estudante alega que a vítima que pilotava  a motocicleta estava com chinelos, o que infringe o inciso 4 do art. 252 do Código de Trânsito Brasileiro, é proibido usar calçados soltos nos pés. 

 

O estudante enfatiza que desde a hospitalização das vítimas ajudou com aluguel, cesta básica, conserto de celulares, cadeira de rodas e muletas. "Elas alegavam a necessidade, nós não fomos obrigados a fornecer essa ajuda, mas eu e minha família optamos, pela situação e por nos colocar no lugar das moças". Welter gastou R$10.000,00 para auxiliar as vítimas no processo de recuperação. O processo está em trâmite na justiça

 

VÍDEO FELIPE "Felipe Welter relata os cuidados que mantém no trânsito após o acidente"


 

MENU 2: ACIDENTES

 

INFOGRÁFICO COMPLETO SOBRE OS SINISTROS DE TRÂNSITO E NÚMERO DE ÓBITOS 

 

Dados do Programa Vida no Trânsito, da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) mostram que entre 2011 a 2023, Campo Grande contabilizou uma média de 100 mortes ao ano, em decorrência de acidentes de trânsito. Segundo o chefe da Divisão de Estatísticas e Sinistros de Trânsito da Agetran, Renan Soares, neste ano foram contabilizados 17 óbitos em Campo Grande, vítimas de acidente de trânsito. Usuários de motocicleta somam 14 das 17 mortes registradas. "Geralmente a maioria dos obtidos por sinistros de trânsito são motociclistas, o ano em que tivemos a menor porcentagem deste grupo, foi 50%. Os motociclistas sempre estão acima dessa estimativa". 

 

De acordo com Soares, os outros dois grupos demográficos que mais contabilizam o número de óbitos, depois dos motociclistas, são os ciclistas e os pedestres. "Isso é fácil de ser compreendido devido a questão de vulnerabilidade nas vias. Quem está em um veículo de quatro rodas, ele está muito mais protegido do que uma pessoa que está em uma bicicleta ou a pé. Então essa vulnerabilidade é que faz com que esses grupos sejam mais vitimados no trânsito". 

 

VÍDEO RENAN  -  01:19 - 02:40 - 

 

O chefe da Divisão de Estatísticas e Sinistros de Trânsito explica como trabalho da Agetran na infraestrutura das vias auxilia na redução de acidentes envolvendo os grupos mais vulneráveis. "Um exemplo importante que nós temos hoje são as ciclovias e as ciclofaixas. Há 15 anos atrás eram cerca de 25 km de ciclovia e contamos agora com 103. E estamos com mais 7km em fase de licitação para serem implantadas". 

 

Segundo o Tenente-Coronel do Batalhão da Polícia Militar de Trânsito (BPMTran), Carlos Augusto Regalo, as principais causas de acidentes de trânsito em Campo Grande são o excesso de velocidade associado ao desrespeito da sinalização viária. "Os condutores insistem em transitar em uma velocidade superior à da via. Em Campo Grande, as vias comportam no máximo uma velocidade de 50km por hora. Isso nas avenidas, nas vias de bairro, essa velocidade cai para 40km". 

 

ÁUDIO TENENTE 

 

GALERIA DE FOTOS DE ACIDENTES DE TRÂNSITO 

 

O ex-proprietário de um delivery de Sushi, Alexandre Piotto explica que sofreu um acidente de trânsito quando estava em uma entrega para o seu restaurante. "Próximo ao Comper 24horas, tem um local que é bem estreito, logo de esquina. Confesso que eu estava um pouco avançado, então quando o sinal ficou verde para mim, eu fui. Nessa hora foi que o carro que estava vindo na paralela, furou o sinal vermelho e me acertou". Piotto declara que teve 17 ossos do corpo quebrados, e que necessitou de duas transfusões de sangue, quatro cirurgias, um intramedular no fêmur e sete fios de Kirschner para sua recuperação. 

 

ÁUDIO ALEXANDRE 

 

GALERIA DE FOTOS DO ACIDENTE DE ALEXANDRE  

 

MENU 3: RELATOS

 

O vendedor de veículos, Gustavo Passuelo, 21 anos, perdeu a direção do carro em março deste ano. Segundo Passuelo, a direção do veículo travou, por falha mecânica, o que fez o carro rodar e colidir próximo a uma árvore. "Eu estava indo visitar um amigo meu, próximo a Afonso Pena, do nada a direção simplesmente parou, não mexia. Foi perda total no carro, quebrou todos os vidros, para brisa, o carro ficou todo amassado e um airbag estourou". 

 

Passuelo relata que ficou em choque após o acontecido e teve dificuldade em conseguir dirigir próximo ao local da colisão. " Meu pai me emprestou o carro dele, mas eu não quis, fiquei nervoso e em choque por umas três semanas, então como eu tinha a opção, escolhi ir para o serviço de uber. Hoje já passou um pouco o trauma, mas é impossível esquecer do momento". 

 

VÍDEO GUSTAVO -  "Gustavo Passuelo explica o que fez no momento em que o carro colidiu"

 

Segundo a psicóloga Nabila Santana, o trauma psicológico que a pessoa adquire após um acidente de trânsito, interfere em voltar a conduzir um veículo. "Boa parte das pessoas que desenvolvem o TEPT (Transtorno do Estresse Pós Traumático) não voltam a dirigir. Então é fundamental que a pessoa busque ajuda". De acordo com a psicóloga, as pessoas que optam por não buscar um tratamento "podem vir a desenvolver depressão e ansiedade diante do impacto causado no acidente". 

 

Nabila Santana declara que "Não há previsão de quanto tempo a pessoa pode se recuperar de um trauma psicológico acarretado por um acidente de trânsito. Já tratei pacientes que passaram por essa má experiência, alguns levaram em torno de 1 ano para se recuperar e outros um tempo maior. Mas já tive resultados satisfatórios em pouco tempo também". A psicóloga indica que é bom dar início ao tratamento com técnicas mais simples, para acalmar o paciente e depois elevar para níveis mais avançados, até sua recuperação. 

 

VÍDEO NABILA 

 

A estudante do curso de Matemática da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Stefanie Santa Ana, 27 anos, conduzia sua moto quando outro motoqueiro em alta velocidade colidiu com a estudante. Stefanie Santa Ana relata que se manteve na mesma posição, com o intuito de não alterar a cena do acidente. "A mulher dele apareceu lá do lado, queria mover a moto de lugar e tudo mais, só que se move, não tem como determinar quem estava certo e quem estava errado. Eu iria perder todos os meus direitos. Depois disso a perícia veio rapidinho".

 

Áudio: Stefanie Santa Ana explica sobre o laudo da perícia relacionado ao acidente

 

Stefanie Santa Ana enfatiza que ter o braço direito imobilizado, "abandonar a sua vida antiga e passar pela recuperação física e emocional foram os processos mais complicados". A estudante afirma que teve diversas crises de ansiedade durante o período que ficou internada na Santa Casa de Campo Grande. "Eu quebrei a mão que eu escrevo e eu trabalho como professora particular. Eu perdi o movimento da minha mão fisicamente". 

 

Vídeo: Stefanie Santa Ana relata o processo de recuperação pós acidente

 

O advogado Wilson Xavier explica que os problemas relacionados aos documentos do veículo e a autenticação de provas no caso de acidentes são parte das ocorrências relatadas. Xavier explica que o recomendado é "tirar uma foto do acidente de longe, que de fato documente todo o acidente, para que seja possível ver a via e os dois veículos". O advogado afirma que as demandas de infrações de trânsito são as mais recebidas no escritório consistem na utilização do celular durante a condução, alta velocidade registrada por radares e desrespeito às sinalizações de semáforos.

Áudio 1: Wilson Xavier explica sobre as providências necessárias ao se envolver em acidentes


 

MENU 4: CAMPANHAS EDUCATIVAS

Segundo a diretora do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), Andrea Moringo, há campanhas, palestras, eventos e ações educativas ao longo do ano, para crianças e até idosos. "Essas ações ocorrem mensalmente com cursos, palestras, atuamos também em empresas, mas os meses que mais concentram essas atividades são os meses de maio e setembro, devido ao maio amarelo que é considerado um movimento internacional que visa a prevenção de mortes e feridos de transito". 

 

A gestora afirma que os recursos utilizados nas campanhas educativas, fiscalização de trânsito e sinalização viária, são resultados das multas de trânsito. "Cerca de 10% dos valores das multas são aplicados na melhoria da segurança viária. São totalmente aplicados e investidos no retorno de educação, conscientização, fiscalização e segurança viária da população".

 

O Detran-MS promove para este ano a campanha educativa "Paz no trânsito começa por você". A campanha será realizada em todas as ações educativas promovidas pelo órgão em 2024. Andrea Moringo relata que a escolha do tema de forma democrática demonstra "o que a sociedade precisa no momento". O Detran-MS vai manter as ações educativas para todos os públicos, com o tema escolhido. As ações tiveram um alcance de 50,7 mil pessoas em 2023. Comparado ao ano de 2022, o número de atendimentos foi 70% maior.

 

INFOGRÁFICO COM INFORMAÇÕES SOBRE COMO DEVE AGIR DE MANEIRA CONSCIENTE NO TRaNSITO

 

A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) disponibiliza em seu site e redes socias campanhas sobre conscientização no trânsito. Segundo a gerente de Educação para o Trânsito as campanhas devem ser contínuas. "Hoje basicamente temos campanhas na TV, muitas campanhas informativas no Facebook e no Instagram da Agetran. Também contamos com as informações disponibilizadas no nosso site". Ivanise Rotta afirma que o papel da imprensa também é uma ferramenta essencial para a visibilidade das campanhas. "Quando fazemos uma matéria ou entrevista sobre esse assunto, atingimos várias pessoas e esse é o nosso objetivo". 

VÍDEO IVANISE 00:34 - 02:34

A gerente de Educação para o Trânsito da Agetran, Ivanise Rotta afirma que "as pessoas só se interessam pela questão do trânsito quando isso vai ajudá-la ou quando ela precisa para alguma defesa que seja ou acusação". Ivanise Rotta explica que é importante que as campanhas de conscientização para o trânsito sejam informativas e de sensibilização. "O estudo do comportamento do ser humano é importante para que você saiba quem, o quê, como e onde abordar". 

ÁUDIO 04:40 - 05:42