Introdução 

Famílias enfrentam dificuldades financeiras em Campo Grande para viver com o salário mínimo estabelecido no Brasil, valor que não é suficiente para suprir as necessidades básicas. Os custos de moradia, alimentação, transporte e outros serviços essenciais ultrapassam o valor do salário, o que deixa as famílias em situação de vulnerabilidade. O aumento nos preços de itens como tarifa de energia elétrica e aluguel agravam o problema. As famílias que passam por necessidade financeira, buscam alternativas, como o cultivo de alimentos e o auxílio de organizações não governamentais, para complementar a renda e garantir o sustento básico.

 

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O salário-mínimo deve atender as necessidades básicas do trabalhador e de sua família. Entre essas necessidades, destacam-se moradia, alimentação, transporte, educação, saúde, lazer, entre outros. O salário-mínimo no Brasil está estipulado no valor de R$ 1.412,00 reais. Campo Grande é uma das capitais onde há famílias que não conseguem se sustentar com essa renda, devido a cesta básica ser quinta mais cara do páis.

INFOGRÁFICO

Dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) a cesta básica em Campo Grande é a quinta mais cara entre as capitais, com o custo de R$ 691,70. Esse valor representa o equivalente a 115 minutos de tempo de trabalho e mais de 56% do ganho mensal de uma família. O economista Eduardo Matos explica que a região é a principal barreira para controle de preços dos alimentos na capital. Campo Grande, por se localizar longe dos centros produtivos, tem custos logísticos mais elevados que outras cidades. Alguns alimentos não são produzidos no estado, o que acarreta maior preço nos supermercados. 

ÁUDIO 1: 0:57 - 1:18 (BRUTO)

A tarifa de energia elétrica em Campo Grande é uma das mais cara do país. O reajuste médio de 9,58% na tarifa dos clientes da Energisa, empresa responsável pela distribuição de energia elétrica em Mato Grosso do Sul, foi aprovado em 2023 . O vereador Clodoilson Pires, na sessão ordinária da Câmara Municipal, em novembro do ano passado, fez um requerimento ao presidente da Câmera para convocar o presidente da empresa, para prestar esclarecimentos à população sobre os motivos desses aumentos expressivos nas tarifas de energia elétrica. 

O professor de Matemática Matheus Sobrinho, natural de Barreiras (BA), se mudou para Campo Grande a trabalho. O valor da fatura de energia elétrica foi o que mais o surpreendeu, além das diferenças culturais.  Segundo Sobrinho, todo mês as faturas estão com o dobro do valor ao comparar com os preços pagos em Barreiras.”Estou acostumado a pagar o dobro do que eu pagava lá. O meu consumo de energia diminuiu porque eu passo bastante tempo fora trabalhando, diferente de lá, que era o tempo todo em casa e o valor pago aumentou”.
 

ÁUDIO MATHEUS: 0:22 - 1:20

A estudante do curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Beatriz Veron morava em Jardim (MS) antes de se mudar para a capital. A estudante vive em uma região próxima da Universidade e pontua que o setor em que mais gasta dinheiro é o de locomoção e transporte. Beatriz Veron explica que a alta no preço do passe de ônibus e a falta de investimento nos veículos são fatores desmotivadores. “Ao me mudar para um apartamento também tive que arcar com as despesas relacionadas a instalação de gás, porque aqui é por tubulação e na minha antiga cidade era por botijão de gás mesmo”.

O marceneiro Joaquim Mauri, paulistano de 79 anos, se mudou para Campo Grande no início da década de 1970 e vive com sua esposa Maria Fonseca em uma casa no bairro da Coophasul. O marceneiro relembra das maiores diferenças entre os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul depois de 53 anos na cidade. Mauri pontua que o alto valor dos produtos na capital foi o mais surpreendente. “O custo de custo de vida, por incrível que pareça, aqui era bem mais caro que São Paulo. Porque a verdura que hoje em dia é colhida aqui, quase tudo vinha do estado o qual tinha acabado de sair. Tudo era mais caro”.

O casal cultiva frutas e vegetais no terreno de casa para diminuir os gastos mensais. Mauri afirma que o valor aposentadoria recebida por ele e Maria Fonseca só se tornou suficiente após reduzirem o gasto em alimentação. “Tem o mamão, o pepino, o tomatinho. Chega no final do mês a diferença é grande. Esse mês, no hortifruti perto de casa, o quilo do mamão estava quase oito reais”.

Mauri explica que comprar um terreno barato na capital foi a parte mais vantajosa de ter vindo para Campo Grande. O marceneiro enfatiza que não teria condições financeiras de comprar uma casa na mesma região em 2023. O valor do terreno quadruplicou. “É muito mais caro. Na época dava pra comprar uma casa, hoje em dia por causa do crescimento nem sei se conseguiria me manter aqui”.

 

FOTOS JOAQUIM

VÍDEO JOAQUIM

 

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Dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro a novembro de 2023 mostram que o aluguel residencial aumentou 9,63% na capital. Campo Grande é a sexta cidade do Brasil com maior valorização imobiliária. De acordo com o presidente do Sindicato da Habitação/MS (Secovi), Geraldo Paiva para a aquisição da casa própria os juros são elevados, e estão superiores ao valor da inflação atual. “Quanto à população que opta pelas locações, as principais dificuldades são na oferta por esses locatários. São inúmeros pedidos, garantias que possam comprovar a solidez quanto aos pagamentos mensais".

Paiva pontua que enquanto os juros estiverem elevados, a construção de imóveis será reduzida, como resultado, o aumento no valor de imóveis prontos. “Quanto à classe C, nós entendemos que com a entrada do programa do Minha Casa Minha Vida do Governo Federal, esses recursos virão em abundância. Vindo em abundância, a oferta será maior, atenderá ao mercado e terá uma tendência de redução dos preços".

 

RESPOSTA 4 GERALDO: 00:00 - 00:38 (BRUTO)

Bruna Medina dos Santos, de 26 anos, mora com os pais e mais dois filhos. A trabalhadora autônoma afirma que as cinco pessoas de sua família sobrevivem com apenas um salário-mínimo mensal. “Já passamos por muitas necessidades, como meu pai é autônomo e eu, por exemplo, estou trabalhando em casa com a minha mãe, o começo e o final do ano são períodos em que menos temos serviço, situação que nos causa mais dificuldade”. Bruna Medina dos Santos pontua que as maiores despesas são com o aluguel e a fatura de luz.

RESPOSTA 1 BRUNA: 00:00 - 01:48 (Ainda vou ajustar para dar menos tempo)

 

INFOGRÁFICO 

A ex-operadora de caixa, Thayane Vieira, 29 anos, vive a mesma situação. Thayane Vieira relata que em sua residência de três cômodos moram ela, o marido, seus dois filhos e seu irmão caçula. "A situação que a minha família se encontra no dia a dia não é das mais fáceis. A renda mensal da casa se baseia em menos de um salário-mínimo, hoje recebemos doações e ajuda, se não fosse isso estariamos em uma situação de necessidade ainda mais extrema".

RESPOSTA 1 e 2 THAY: 00:00 - 01:56  (Ainda vou ajustar para dar menos tempo)

Thayane Vieira explica que até o fim do ano passado a situação em que vivia com a familía era precário.“Até outubro nós tínhamos o compromisso de pagar a prestação da nossa casa e, além dos meus, meu marido tem outros filhos fora do casamento nos quais temos que arcar com pensões, então já era menos um valor todo mês”. A ex-operadora de caixa pontua que a situação em que se encontravam a poucos meses atrás, a fez sentir uma "das piores dores de uma mãe, ouvir a filha falar que naquele dia eles não teriam nada para comer".

A residência em que vivem hoje, está quitada. O imóvel não apresenta uma infraestrutura adequada a toda a família. Thayane Vieira destaca as dificuldades de viver com outras quatros pessoas no local, em um tour realizado pela casa. 

VÍDEO DO TOUR + DA ÁGUA THAYANE 

Terezinha Martins de Souza, de 68 anos, é portadora de deficiência física (nanismo) e mora com a filha e o neto de seis anos. A renda da família é em média um salário mínimo por mês, com os ganhos e também auxílios governamentais. Terezinha Martins é aposentada por invalidez devido a condição física e a filha recebe de acordo com os trabalhos, como depilação e participação em eventos, como auxiliar de cerimoniais.

A casa da família possui uma sala separada para atendimentos de depilação e beleza. Mãe e filha também vendem outras mercadorias para ter uma renda a mais, como semi jóias e bolsas. A idosa também faz biscoitos, o que ajuda a ter uma quantia de dinheiro a mais no fim do mês. 

GALERIA FOTOS TEREZINHA

Terezinha Martins de Souza afirma que recebe R$730,00, menos de um salário, devido a empréstimos, o valor do dinheiro é descontado de forma automática de seus ganhos. “Se não tivesse ajuda dos auxílios governamentais, ia ser complicado, quase metade da minha aposentadoria é descontada, por causa dos empréstimos. No mercado a gente sempre aproveita as promoções e tenta comprar o mais barato, carne de frango, arroz, feijão. É bem complicadinho para a gente manter com essa renda”.

A família recebe o benefício "Tarifa Social", que oferece descontos para o pagamento da fatura de energia. “A gente não tem micro-ondas, freezer, ar condicionado, forno elétrico para não gastar muito. À noite tentamos manter apenas duas lâmpadas acesas por dia e a televisão, gastamos pouca energia”.

VÍDEO TEREZINHA TOUR QUARTO

 

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A educadora financeira e jornalista Sabrina Mestieri Nakao, pontua que uma das estratégias para as famílias que ganham um salário mínimo é o "Trabalho deps doio trabalho. Não tem o que fazer quando se tem um salário baixo, precisa arranjar alternativas de ter novas fontes de renda”. A educadora financeira e jornalista acrescenta que as famílias que se encaixam neste cenário devem ter uma boa organização financeira, para lidar com o alto custo de se viver em uma capital.

 

VÍDEO DA PLANEJADORA 

Thays Aquino da Silva de Souza, tem 21 anos, e mora com o filho em sua residência. A trabalhadora autônoma vive com uma renda mensal de R$ 1.100 reais, a maior parte deste ganho são de benefícios disponibilizados pelo Governo. “Eu sou contemplada com o benefício do bolsa-família e a tarifa social, onde reduz um pouco o valor na fatura de energia. Água eu não pago porque utilizo de um poço e para a alimentação tenho um cartão de benefício que também é do Governo. Ajuda, mas não é muito”. Thays Aquino da Silva de Souza teve que buscar outras fontes extras de renda para que não "precisasse mais passar por dificuldades". 

 

ÁUDIO THAYS 

A trabalhadora autônoma relata que um salário mínimo não é suficiente para uma condição de vida adequada. “Sempre irá faltar, por exemplo em uma casa que moram cinco pessoas e só tem um provedor da renda mensal daquela família, o dinheiro não vai dar, tem aluguel, água, luz, alimentação, gás, entre outras despesas. As coisas estão ficando caras, o transporte público é um exemplo, só aumenta não vemos melhorias, na minha opinião a situação necessita de uma melhora”. Thays Aquino da Silva de Souza pontua que no período em que passava por necessidades financeiras, recebeu auxílio da Central Única das Favelas (Cufa). “Me ajudaram com alimentação, fraldas e outros suplementos”.

 

ÁUDIO THAYS 

A coordenadora da Central Única das Favelas (Cufa), Letícia Polidorio explica que "o mais difícil para as famílias de baixa renda é a alimentação, o dinheiro dos ganhos apenas cobre  parte das despesas, como aluguel, água ou luz. Quem ajuda com alimentação é a ONG. A gente consegue ajudar, se tiver naquele momento”. A Cufa oferece sacolão de alimentos como verduras, arroz, feijão, doação de peixes e leite. De acordo com Letícia Polidorio, é também oferecido reforço escolar e atividades para as crianças.”Além de doações, temos o nosso reforço, nossa capoeira, sempre servimos o jantar para as crianças e a família que está presente, se tiver uma mãe com mais quatro crianças come com a gente também, fazemos esse tipo de ajuda”.