O setor terciário de Mato Grosso do Sul foi o setor econômico mais afetado durante a pandemia da Covid-19. Proprietários de Microempresas Individuais e Empresas de Pequeno Porte (EPP), foram atingidos diretamente pelo lockdown, que teve como principal objetivo adotar medidas de biossegurança para o distanciamento das pessoas, durante o ápice da doença. Esta norma não permitiu a abertura de locais considerados não essenciais, desde julho de 2020. Restrições mais rígidas são adotadas, desde então, para conter a doença e, ainda em julho, com o primeiro lockdown, os setores do comércio, bares e restaurantes e da Cultura foram fechados. Posteriormente, os estabelecimentos desses serviços tiveram a abertura gradual. 

O Governo do Estado criou o plano 'Retomada MS' para incentivar a recuperação das atividades econômicas e auxiliar os micro e pequenos empresários. Alguns comerciantes foram beneficiados pelo programa que pretendia auxiliar empreendimentos afetados pela pandemia. Outros auxílios contribuíram para que algumas empresas dessem continuidade, como a prorrogação do ICMS, com o Decreto Nº 15.652, para bares e restaurantes, o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e entre outros. A maioria desses empresários, precisou se reinventar e buscar soluções para manter o  funcionamento de seus estabelecimentos. 

 

Unidade informativa 1 - Comércio 

Estratégias para manter as portas abertas

No início da pandemia em decorrência da Covid-19, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul decretou medidas restritivas para o comércio de todos os municípios do estado. Em 23 de julho de 2020 foi publicado no Diário Oficial o Decreto Nº 089/2020, que classificou quais das atividades econômicas seriam essenciais e não essenciais, o comércio varejista, por exemplo, foi considerado como não essencial. Desde o primeiro momento os comerciantes estavam sem perspectiva de como o isolamento poderia afetar os seus estabelecimentos. O andamento, principalmente, das atividades presenciais de donos de lojas de vestuário, calçados e acessórios ficou restrito. A nova realidade econômica e sanitária obrigou muitos micro e pequenos empreendedores a se reinventarem e reestruturarem seus empreendimentos. 

A economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em Mato Grosso do Sul, Andreia Ferreira explica que o cenário pandêmico evidenciou a crise econômica que estava presente há alguns anos no estado. 

Vídeo da Andreia Ferreira - pergunta 03 - a pandemia piorou o cenário da economia e o comércio foi oq mais fechou (colocar GC e vinheta)

Andreia Ferreira destaca que "o comércio foi bem afetado aqui no Mato Grosso do Sul", os setores de serviços, agronegócio e transporte conseguiram manter uma alta demanda, "então, de modo geral, não foi tão ruim como se imaginava a pandemia aqui no Mato Grosso do Sul, mas não saímos sem arranhões, especialmente nos empregos e salários". Além disso, a economista explica que "não houve ações sérias de confinamento social ou lockdown, como nós ouvimos muito na mídia. Comércio e serviços funcionaram, ainda que afetados pelas limitações de circulação". 

Áudio da Andreia (pergunta 02) - 00:21 - 00:47

INFOGRÁFICO - "De acordo com a Junta Comercial do Mato Grosso do Sul em 2020, 1961 empresas fecharam e 4148 empresas no ano de 2021". 

A empresária e dona da loja Shiva, Bárbara Souza comercializa cristais e acessórios, antes da pandemia, atendia no espaço físico em sociedade com um brechó, na cidade de Dourados. A loja passou a funcionar apenas de forma virtual e a demanda por entregas teve um aumento significativo, devido a necessidade do distanciamento social

Fala escrita com a foto dela do lado "desde o início da pandemia, foi possível perceber o quanto era necessário ter maior impacto e contato virtual com o público" 

Para a proprietária da loja de roupas Dumari Modas, Rosangela Pereira de Oliveira o lockdown, que promoveu o isolamento social, foi um período conturbado para ela administrar sua empresa. Ela relata que ficou com medo e perdida, principalmente por não saber como iria continuar as vendas. No momento inicial, ela levou toda sua mercadoria para casa, para também diminuir o gasto com o aluguel de seu antigo estabelecimento e tentar vender o estoque recém comprado. 

Áudio da Rosangela - 00:00 - 00:46

O primeiro desafio de Rosangela Pereira foi de não acreditar que seu produto seria consumido e ter pouco conhecimento sobre vendas no espaço virtual, modalidade investida pela maioria dos micro e pequenos empreendedores, naquele momento e até hoje. Rosangela Pereira investiu em diversos cursos, como de estilo e imagem, curso sobre as ferramentas disponibilizadas na rede social Instagram e futuramente pretende estudar sobre o e-commerce

Vídeo da Rosângela (4:20 min) - 01:39 - 03:10

Outra preocupação da proprietária da Dumari Modas era o de adoecer, caso precisasse viajar para comprar dos fornecedores de outros estados. "Quando voltou a poder viajar eu comecei a comprar só através do WhatsApp, ou de representante. Optei por isso para poder garantir a minha saúde, não ter perigo de ficar doente, porque se eu ficasse doente quem iria fazer o meu trabalho?! Eu também tive que mudar a minha forma de comprar, hoje eu acho muito bom, esse modelo ajudou, porque antes eu me ausentava da loja [...] Nesse ponto foi favorável para mim".

Fala escrita com a foto dela (ROSANGELA) do lado "No momento eu não sabia o que fazer, porque eu não sabia mexer direito no Instagram então eu fui estudar"

A empresária e dona da loja 'Zanir Furtado Pantanal', Zanir Furtado comercializa bolsas e acessórios, e iniciou a empresa com a implantação do chão de fábrica. Ela relata que no momento, colaboradores estavam envolvidos no processo e ocorria a produção da primeira coleção de bolsas da instituição. Para ela foi difícil estabelecer planos devido às incertezas impostas no início da pandemia e com diversas pessoas envolvidas na produção.

Zanir Furtado explica que precisou priorizar a saúde física e mental dos colaboradores e funcionários. "As medidas que tomamos foi blindar a mim e a própria equipe das notícias negativas [...] até porque o dia que eu decidi assistir o jornal eu ainda estava em Brasília com minha equipe lá, na minha outra empresa eu fiquei doente, fiquei três dias de cama, baixou a imunidade total por conta do medo, do massacre negativo que que tava sendo feito na televisão". Com isso, a empresária optou por dar atenção à saúde emocional e física de seus funcionários com o intuito de que o momento fosse superado sem perdas. 

Áudio A4B da Zanir

A inauguração, em 2020, teve de ser adiada por 10 dias devido a equipe de trabalho ter testado positivo para o Coronavírus, portanto, esse imprevisto não foi fator de desânimo para o fechamento da empresa. "Eu falei 'fecha tudo', fiquei sozinha trabalhando na indústria cuidando da parte burocrática, agilizando algumas coisas que tinham que ser realizadas e a equipe toda em casa, tive muita fé [...] e aí eles voltaram tão entusiasmados, tão animados porque ficaram em casa. Mas ninguém foi para o hospital, ninguém ficou internado". 

Entre tantas dificuldades enfrentadas na pandemia, Zanir Furtado explica a importância de ter estudado sobre novas áreas. "E agora na pandemia, eu fui buscar conhecimento, fiz a universidade de negócios [curso de empreendedorismo]. Estou cursando [também] outros cursos voltados para o empreendedorismo. Então, isso me ajudou muito a ter uma visão macro da situação e a criar estratégias. Está ajudando porque eu tenho muito que aprender ainda né?! Mas tem sido algo que tá fazendo diferencial".

A empresária seguiu esperançosa e investiu em medidas que fossem cabíveis ao momento pandêmico. Atualmente, ela declara que a empresa cresceu durante esse período.

Áudio A6 da Zanir

 

Unidade informativa 2 - Bares e restaurantes

Voltar a servir

 O atendimento direto aos clientes presume aglomeração e proximidade. Um bar ou restaurante implicam em contato entre atendentes e clientes, situação que ficou comprometida com a pandemia da Covid-19. Entre o Decreto de emergência nº 620 de 20 de março de 2020 e a queda nas restrições e imposições no início de 2022 se alternavam momentos de crise e reinvenção para muitos empreendedores do setor.

As diferentes restrições de circulação impostas pelos governos municipais e estaduais complicaram a situação. É o que relata o proprietário do Pira Restaurante no distrito de Piraputanga, Ademir Cassaro "nossos principais desafios foram as dúvidas. Não tínhamos certeza do que fazer, fomos nos adequando conforme o que os governos limitavam a fazer".

O proprietário do Box Burger, Marcelo Balen manteve seu estabelecimento fechado por três semanas em Chapadão do Sul. "A gente ficou meio desorientado, aquela loucura de início de pandemia, ninguém sabia como proceder, medo de contaminar outras pessoas, medo de contaminar funcionários, acabamos fechando por três semanas sem nenhuma ordem para fechar o estabelecimento, mas afinal, a gente realmente não sabia o que fazer". 

Marcelo Balen ainda teve que repensar as estratégias de expansão ao se ver obrigado a fechar a nova unidade do Box Burger que recém havia inaugurado em outro bairro em Chapadão do Sul, meses antes do começo da pandemia.

SONORA MARCELO BALEN Áudio da entrevista entre 0s e 2m 

SONORA ANDRÉ LUIZ - PERGUNTA 1 (precisa encurtar pra 1m30s)

Uma luz no fim do túnel veio com a opção do delivery que para muitos serviu como alternativa. Estabelecimentos como a hamburgueria de Marcelo Balen ou o bar Velfarre, em Campo Grande, não faziam entregas e passaram a trabalhar com a possibilidade, como forma de manter as atividades. O gerente do bar Velfarre, Matheus dos Santos, relata que o bar chegou a fazer uma parceria com uma livraria da capital para estimular os pedidos. "Surgiu a ideia de fazermos parceria com uma livraria. A cada pedido feito, o cliente ganhava um livro. Nós chegamos a entregar mais de mil livros em uma semana". 

Enquanto a indefinição crescia, as primeiras ações de amparo do governo auxiliavam os empreendedores em meio à crise sanitária. Para Matheus dos Santos foram iniciativas assim que mantiveram o bar em funcionamento. "O auxílio do governo que achamos mais interessante foi travar o IPTU, não cortar água e luz. Mesmo com o delivery, o atendimento em mesa era muito menor. E ainda teve o BEm que ajudou nos custos com os funcionários".

Outra possibilidade foram as linhas de crédito ofertadas que ajudaram na manutenção do capital de giro das empresas, como relata Marcelo Balen sobre o uso da linha de crédito para microempreendedores, do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). "Eu acabei pegando o auxílio do governo, nós pegamos para empresa o Pronampe, eu tinha um capital de giro que havia solicitado para abrir a unidade nova e para fechar tudo e não ficar com contas picadas, eu peguei esse dinheiro do Pronampe, quitei todas as pendências e fiquei só com a parcela do Pronampe".

 

PEQUENO BOX INFORMATIVO SOBRE O PROGRAMA BEm e o Pronampe.

Texto do box:

O Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda BEm 2021 (BEm) é um benefício financeiro concedido pelo Governo Federal aos trabalhadores que tiveram redução de jornada de trabalho e de salário ou suspensão temporária do contrato de trabalho em função da crise causada pela pandemia da Covid-19. O programa foi estabelecido a partir da Medida Provisória MP nº 1.045, de 27 de abril de 2021.O Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) é uma linha de crédito criada para auxiliar no desenvolvimento e fortalecimento do empreendimento e apoiá-lo no enfrentamento dos impactos causados pela Covid-19. A iniciativa é destinada a microempresas com receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000 ou pequenas empresas com receita bruta superior a R$ 360.000 e igual ou inferior a R$ 4.800.000.

(A ideia é a pessoa ver no box o nome dos dois programas de auxílio, clicar no nome e expandir a descrição de cada programa / texto adaptado das informações oficiais nas páginas dos programas)

A crise sanitária com a pandemia da Covid-19 continua e a economia dá sinais de uma retomada com o retorno da circulação de pessoas e as quedas nas restrições de horário e atendimentos. Para Ademir Cassaro, as atividades em seu restaurante retornaram ao patamar de antes da pandemia e o empresário Marcelo Balen que reporta um crescimento de 5% no começo de 2022 em comparação ao mesmo período em 2019. 

fonte sonora Balen, minutos finais / sonora Ademir, pergunta 6

A economista do Dieese em Mato Grosso do Sul, Andreia Ferreira, projeta uma retomada da circulação a partir da adesão da população à vacinação. Com o aspecto positivo do retorno da circulação, a economista analisa o cenário com cautela.

ÁUDIO ANDREIA DIEESE - PERGUNTA 5 - 30S

Fatores como a alta dos custos de produção em função da variação dos preços do petróleo e derivados impulsionam uma alta da inflação, algo que pode atrapalhar a retomada econômica. Nem esse cenário nebuloso impede o gerente do bar Velfarre, Matheus dos Santos, de projetar na revitalização do centro da capital com o Reviva Campo Grande uma ampliação de seu movimento.

VÍDEO MATHEUS DOS SANTOS PERGUNTA 6

 

Unidade informativa 3 - Consumidor

Pensar antes de comprar

O momento de crise impactou toda a sociedade, especialmente as empresas, nos primeiros meses em que tinha-se um cenário instável. A pandemia da Covid-19 chegou e muitas empresas tiveram dificuldades para se adequar aquela nova realidade. Em uma conjuntura atual, algumas empresas conseguiram se adaptar, outras sofreram efeitos mais drásticos. 

A economista e analista-técnica do Sebrae de Mato Grosso do Sul, Vanessa Schmidt explica que durante a crise alguns empresários tiveram dificuldades para manter seus estabelecimentos em funcionamento.

VÍDEO VANESSA - 00:35 - 01:43 (editar vídeo para sintetizar depoimento)

Os consumidores sentiram os efeitos da crise e resistiram na compra de alguns produtos devido a inflação que afetou o quadro de custos das empresas as quais passavam por essa situação conturbada, enquanto tentavam manter as vendas e o faturamento positivos. 

A população estabeleceu critérios para manter as aquisições e economizar em razão do aumento dos preços, Vanessa Schmidt sintetiza alguns deles.

SONORA VANESSA - 01:28 (editar sonora para sintetizar depoimento)

Gabriel Oliveira instrumentador cirúrgico e frequentador assíduo de bares e restaurantes, explica qual foi o fator mais o influenciou na tomada de decisão, para voltar à normalidade. 

"No começo foi bem difícil, porque não dava para escolher entre muitos lugares, mas logo depois eu passei a selecionar os que tinham um preço mais baixo, foi a medida que eu estabeleci, para que eu pudesse voltar a sair e continuar fazendo aquilo que eu gosto. [...] Além disso, quando as medidas de biossegurança ficaram mais flexíveis e os restaurantes puderam voltar a funcionar, eu escolhia locais que não tinham tanta gente"

A economista da  Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso do Sul (Fecomércio-MS), Andreia Ferreira explica que a população passou a consumir produtos básicos. "Com a tendência de aumento da inflação, os baixos salários e a restrição de crédito, em função do endividamento das pessoas, deixa evidente que o consumo se manterá focado nos elementos básicos como moradia, alimentação, saúde e transporte".

Uma pesquisa realizada pela Fecomércio concluiu que a intenção de consumo das famílias voltou a crescer em dezembro de 2021 em relação ao primeiro ano de pandemia.

INFOGRÁFICO