A pandemia da Covid-19 fez com que segmentos de empreendedorismo enfrentassem desafios e impactos. De acordo a pesquisa “Impactos da pandemia no comércio de MS e perspectivas para 2021" da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso do Sul (Fecomércio), cerca de três mil empresas encerram as atividades no início de 2020. Os fechamentos foram ocasionados pelo isolamento social,  comércio fechado, clientes reduzidos, dentre outros fatores.

O empreendedorismo voltou a crescer em 2021.  Segundo a pesquisa “Impactos do Coronavírus sobre o comércio de Bens e Serviços de Mato Grosso do Sul”, publicada em maio de 2021 pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o empreendedorismo atingiu o maior patamar desde o início da pandemia, com um crescimento de 5% para a categoria formal e de 21% para a informal. A pesquisa acrescenta que os mecanismos relevantes para a retomada da economia foram a vacinação (20%), o acesso ao crédito (16%), normalidade (15%), divulgação e vendas on-line (13%), redução tributária e desburocratização (11%).

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Empreendimentos na pandemia

O restaurante de comida veganas e vegetarianas Trevo Veggie, está aberto desde 2018, e conseguiu continuar aberto durante a pandemia. A proprietária do local, Criz Ong, relata que pelo nicho do restaurante a maioria dos seus clientes são de consumo local, e com a pandemia tiveram que optar por retirar no local ou delivery. “Os clientes não se acostumaram, mesmo assim foram poucos pedidos, tentamos fazer várias promoções como entrega grátis até três quilômetros, para tentar ver se a gente consegue vender mais. Tive que dispensar alguns funcionários, mas falamos que assim que voltar o movimento chamamos novamente, o que não demorou muito, os primeiros três meses foram bem sofridos”.

Os economistas Daniel Amorim , Caroline Andressa Welter e Mateus Boldrine Abrita publicaram em 2020 na revista "Economia em Revista" volume 28, o artigo sobre os impactos da pandemia nos negócios, intitulado Desafios empresariais e sugestões de política na frente da pandêmica Covid-19 enfrentados pelos empresários de Mato Grosso do Sul. As respostas mostraram seu impacto principalmente nos primeiros dois meses de pandemia. Os resultados mostraram que 90% das empresas tiveram uma queda no faturamento, e dessa porcentagem, 30% a 40% zeraram o faturamento em dois meses.

Criz Ong explica que no momento mais restritivo da pandemia em Campo Grande, quando foi decretado o lockdown de duas semanas, o restaurante foi completamente fechado. Ela relata que para conseguir renda naquele momento optou por vender máscaras. “Nós vendemos máscaras naquela época, tivemos que procurar outra coisa para vender para poder manter a renda. Divulgamos para amigos, pela página do restaurante no Instagram, foi uma forma de ter entradas, uma alternativa”.

A dona do estabelecimento comenta que em decorrência da pandemia ocorreu a tendência das pessoas mudarem a alimentação e experimentarem novos sabores. “As pessoas têm curiosidade de ver o sabor, sentir texturas novas. No nosso caso é sempre bem poucos clientes que reclamam do produto. No início as pessoas não sabem que é vegetariano, eles acham que vegetariano come frango. Mas nosso frango xadrez é de soja, aí eles chegaram e falaram ‘o que é esse troço aí que não é frango?’. Aí eu expliquei, as pessoas não conseguem entender o que, que era, acham que era frango. Então, no máximo só reclamou isso, ninguém reclamou da comida”.

Amorim destaca que as pessoas passaram a vender mais para os amigos, o consumo próximo, e também a migração para o comércio em casa. “Muita gente começou a mexer com outras coisas, e muitas se direcionaram de uma atividade para outra, para alguma instalação que tenha. Eu destacaria como estratégia o digital, a migração entre setores, e a reconversão produtiva”.  

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O dono de uma SexShop, André Camargo comenta que abriu a loja com este nicho durante a pandemia, pois era um assunto recorrente nas redes sociais. “Vi que se tornou polêmica, muitas pessoas estarem realizando mais diversões sexuais do que antes, muitas publicações e memes, vi que o mercado de SexShop acabou avançando muito rápido e resolvi abrir uma. Mas, foi pensando também que muita gente possui tabu sobre BDSM e resolvi aplicar e deixar voltado para esse nicho”.

Camargo relata que a pandemia foi um auxílio para as vendas. “O começar a vender foi a dificuldade. Acho que isso é um pouco pela vergonha já que é estranho tratar de sexo com pessoas que você não conhece. Mas, comecei a vender na Shoppe e a pandemia na verdade deu um auxílio e um impulso para as vendas, pois mais pessoas procuraram sobre o tema”.

A administradora Priscila Cândida começou a empreender no início da pandemia, em março de 2020. Ela abriu uma loja virtual do nicho moda praia e fitness chamada Versão Pantaneira.  “Venho do interior de Minas Gerais, quando cheguei aqui senti muita falta da oferta de biquínis e roupas fitness na região em que moro, no bairro. Como gostamos muito de passear nos fins de semana, ir para a cachoeira, balneários aqui perto, notei que falta algo neste sentido aqui nas proximidades, então resolvi tentar investir”.

Priscila Candida relata que escolheu o nicho de sua loja, pois era uma tendência que iria seguir na pandemia, a prática de atividade esportiva. “Eu percebia que aqui havia muitas pessoas durante a pandemia buscando isso como uma alternativa para poder até sair de casa, pois uma das poucas coisas que se podia fazer era atividade ao ar livre. Com a chegada do verão, calor, veio o start dos biquínis, saídas de praia, aí comecei a investir nesse sentido. Contudo veio aquela onda mais pesada no estado, enquanto outros estados estavam melhorando, o Mato Grosso do Sul entrou em queda abaixo, fechando tudo”. 

A acadêmica do curso de Fisioterapia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Nathany Clara possui uma loja de laços e acessórios. Ela diz que resolveu empreender em decorrência de necessidade financeira. “Como sou acadêmica em período integral e exclusivo, eu precisava de dinheiro e eu gostava muito de fazer laços, eu sempre gostei muito de criar. Então comecei a fazer os laços, a vender e daí eu falei: ‘é isso’, então eu engatei e deu super certo até então”.

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Fechamento e reabertura do comércio

De acordo com a pesquisa feita pelo  Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em 2020, sobre a retomada das atividades econômicas e o futuro, apenas 11% das empresas permanecem com o funcionamento interrompido e 86% estão normalizados. A pesquisa acrescenta que houve um aumento em cerca de 31% proporção das empresas endividadas. O funcionário de uma empresa de impressões rápidas, Lukas Pires comenta que a loja em que trabalha funcionou como no sistema drive-thru. “Os clientes faziam o pedido na porta, a gente fazia a demanda e entregava, a gente não trabalhava com entrega então a retirada ficava por parte do cliente. Chegou um ponto que nem na porta a gente podia estar atendendo, porque a pessoa não podia sair de casa, teoricamente, então a gente estava atendendo por televenda como se fosse uma agência, a gente estava realizando a produção do material, deixando tudo pronto para quando acabasse o cliente fosse lá e buscasse. Então a gente estava trabalhando virtual”.

Pires comenta que com os decretos de liberação do comércio algumas mudanças foram novamente necessárias no local do empreendimento. “Agora que está saindo comunicado e tem a liberação das vacinas estão cogitando tirar as vitrines. o atendimento com máscara de acordo com o decreto, provavelmente, vai deixar para as empresas escolherem se sim ou não e a nossa vai escolher sim, o cliente ainda vai ter que usar máscara para ser atendido. Já que a gente vai retirar as vitrines, então no mínimo uma máscara, a gente vai tirar as vitrines para ter uma pouco mais essa aproximação, mais contato com o cliente, porque brasileiro é afetivo, é caloroso, então é para deixar mais confortável o relacionamento profissional e consumidor”.

 

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O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDLCG), Adelaido Vila destaca que várias medidas foram tomadas pela instituição, com os varejistas, para minimizar a situação pandêmica e que foram importantes para o comércio sul-mato-grossense se reestruturar. “O primeiro aspecto que a CDLCG buscou fazer, foi entender o que significava uma pandemia, como acontecia esse contágio, e em cima disso nós fomos buscar técnicos, conhecedores, compradores de toda essa dinâmica, para desenvolver projetos de biossegurança. Em cima disso, nós apresentamos os primeiros projetos de biossegurança para a prefeitura de Campo Grande. Conseguimos a liberação, minimamente, de alguns comércios, dentre eles, o primeiro shopping do Brasil foi aberto em Campo Grande, graças ao trabalho de elaborar o plano, e que pudesse permitir que pessoas pudessem consumir sem necessariamente estar exposta a uma contaminação”. 

 

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A proprietária do restaurante Trevo Veggie, Criz Ong, relata que depois do lockdown o restaurante voltou a funcionar com dificuldades.  “As vendas caíram 70%, demorou de três a cinco meses para realmente voltar ao movimento legal. Tivemos que realizar distanciamento, tínhamos que trabalhar ao máximo, se não correr atrás e só esperar os clientes, não dá certo, tem que fazer divulgação. Na época só ficou trabalhando eu minha sócia e minha mãe. Agora neste período estamos tentando recuperar nosso investimento, mas estamos conseguindo pagar contas e funcionários. Não pensamos em desistir pois acreditamos no nosso trabalho, pois sabemos que terá procura depois e aqui em Campo Grande não tem tantas opções no nicho vegetariano e vegano, além de que temos bastante variedades e temos fé que passamos pelas dificuldades com inovações”. 

Adelaido Vila comenta que com a pandemia da Covid-19, as dificuldades foram imensas, e que muitos empreendedores não conseguiram se reinventar. “Foram muitas as dificuldades. Nós percebemos que muitos dos varejistas ficavam sem acompanhar a modernização de todos os setores. E, até o progresso desse cliente, que se tornou cada vez mais seletivo, sabe o que quer comprar, entende o que está buscando, e não aceita mais que as empresas empurrem para ele, algo que  não precisa. Então, há uma mudança de comportamento da clientela, e com a pandemia isso tudo foi acelerado em pelo menos dez anos”. 

A administradora Priscila Candida relata que teve um índice de vendas positivo entre os meses de setembro de 2020 a janeiro de 2021.  “Ao final de janeiro de 2021, início de fevereiro, começaram as quedas e assim como eu estava muito confiante que o negócio daria certo, eu acabei investindo demais, aí caiu bastante as vendas e eu fiquei com os boletos para pagar. Então eu tinha duas alternativas, ou parava por ali e acertava o que tinha com fornecedores, ou eu tentava de alguma forma recuperar o negócio, porém, eu tinha uma outra proposta de emprego caminhando, preferi parar e acertar as contas, acabei encerrando, dando baixa na empresa, no CNPJ".

O atendimento da loja de Priscila Cândida era no estilo ‘personalizado porta a porta', ou seja, os clientes agendam um horário e a proprietária leva as peças até a residência do cliente. “O que aconteceu foi que muitas pessoas começaram a procurar conforme o seu gosto, plus size, infantil, e aí eu comecei a investir em nichos. Aí a pandemia veio devastando e os nichos que eu tinha acabado de investir ficaram parados estocados, é meu maior estoque hoje, que ainda tenho peças apesar de já ter encerrado em julho de 2021. As peças que ficaram estocadas foram justamente as peças que eu investi conforme a necessidade dos clientes”.

A loja Versão Pantaneira era a maior fonte de renda de Priscila Candida e superava a bolsa estágio que recebia na época. “Com o bom volume de vendas de setembro a janeiro foi o que me fez acreditar no negócio e investir realmente. Quando eu vi que ia ficar muita coisa parada e se eu continuasse não ia ter como quitar depois, eu preferi parar por isso, pois comecei a utilizar os valores da minha bolsa para quitar e não entrar em dívida”. 

 

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Priscila Candida relata que não pretende empreender novamente. Ela diz que irá incentivar sua irmã a empreender no mesmo nicho.  “Eu confesso que gostei muito de trabalhar neste nicho, realmente me apaixonei pela área, moda praia e fitness, pesquisei bastante antes de começar, tanto é que até hoje estou em grupos de empreendedores e lojas, quais não tive coragem de sair. Pensei sim em recomeçar, mas não posso no momento. Eu estou com uma proposta de ajudar a minha irmã, que está vindo morar em Campo Grande ano que vem, e ela vai chegar aqui desempregada, então a tendência é que eu passe para ela os contatos de fornecedores e as peças que tenho estoque, para ter uma retomada. Uma forma de recomeçar aqui na cidade”. 

O atendimento porta a porta da loja de Priscila Candida foi afetado com o aumento de casos de Covid-19 e o lockdown. “O problema maior foi o atendimento ao cliente, tinha cliente minha que me ligou combinando, e quando cheguei ela me recebeu na varanda da casa dela, colocou uma cadeira na varanda, não quis experimentar nada, olhou tudo de longe, achei estranho a forma, mas a gente respeita porque estávamos em um momento muito crítico e acabou sendo um alerta para mim, para entender que de certa forma, aquilo que estava acontecendo estava prejudicando o negócio, as pessoas tinham medo de me receber, até porque sabiam que eu tinha contato com outros clientes nesse atendimento mais personalizado”.

 

Mudanças e soluções encontradas para manter/reabrir o comércio

De acordo com o presidente da CDLCG, Adelaido Vila a busca por tecnologias  foi um aliado na contribuição e manutenção do comércio. “A busca incessante por tecnologias baratas que pudessem contribuir de alguma forma para que as empresas não se perdessem. Para que elas pudessem atender os seus deliverys, manter minimamente a sua capacidade de produzir e entregar seus produtos”. 

 

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A dona de uma loja virtual de laços de acessórios, Nathany Clara fala que a principal dificuldade encontrada com sua loja foi com o público. “Você tem que alcançar pessoas que tenham interesse no que você está vendendo, no seu serviço. E você alcançar esse tipo de pessoas e público é bem complicado, principalmente no início que você precisa de várias chaves quando está abrindo as portas. Essa foi uma das maiores dificuldades, alcançar o público inicial para dar o primeiro passo”.

 

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O funcionário de uma empresa de impressão rápida, Lukas Pires relata que sua experiência de trabalhar na pandemia foi normal, pois se adaptou rapidamente. “Para mim, foi normal. Porque a gente tem que se adaptar e se acostumar com a situação rotineira e cotidiana. Se é lei sancionada, se é decreto oficial, se são normas e diretrizes e a empresa adota a gente cumpre o que é solicitado. Por exemplo, a gente trabalhava de máscara, tinha uns painéis com armação de ferro e revestido de plástico para a gente falar com o cliente como se fosse uma vitrine e o cliente falar com a gente, para não ter esse contato, para não se aproximar, para não se encostar”.

 

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O restaurante Trevo Veggie mudou de endereço em outubro de 2021, Criz Ong, dona do restaurante, relata que a mudança se deu em decorrência do fim do aluguel do espaço anterior.  “A troca de local durante a pandemia foi outra dificuldade que conseguimos superar. Nos dois meses que paramos de atender o aluguel do antigo local foi isento, pois fizemos uma reforma e solicitamos uma carência para o dono, mas depois continuamos pagando normal mesmo sem atender”

A mudança de local também interferiu na mudança de clientes do restaurante, que era localizado na rua Maracaju e atualmente está na rua 25 de Dezembro. “Comparando o ano de 2020 e 2021, o movimento melhorou, por conta do público ter mudado, na outra loja é preço popular por ser centro da cidade, nosso público era quem passava por lá e tinha curiosidade de conhecer e aqui não, as pessoas já vêm para comer. Por conta do custo das matérias primas, decidimos fazer logo um grande aumento, para não precisarmos fazer sucessivos pequenos aumentos. E como a grande maioria dos produtos são de produção da casa, não tivemos esse problema com fornecedores”.

O delivery foi uma alternativa encontrada pela proprietária para driblar as dificuldades encontradas com a pandemia.  “Nosso delivery nunca foi forte, pois preferimos que a pessoa venha até o local pois a taxa do aplicativo é alta. A gente usou três aplicativos, Uber Eats, Ifood e James, só que o Ifood sempre vendeu mais. Além de nós mesmos, nos entregamos de carro. Nosso serviço era só prato feito, salgados e bebidas né, lanches. Aí quando mudamos para o novo local, por causa do espaço, a gente aumentou o buffet, por quilo e self-service”.

 

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Empreender

Nathany Clara aponta que empreender é uma incerteza e uma necessidade. “Olha eu acho bem bacana porque são pessoas que estão ali colocando a cara a tapa por uma incerteza, vamos dizer assim. Você não sabe se vai dar certo, se vai para frente, se não vai, vendo muitas lojas fechando por conta da pandemia. Por outro lado é um a necessidade, as pessoas tiveram essa necessidade de colocar a cara a tapa para poder trazer um dinheiro para dentro de casa, para sobreviver”.

 

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A administradora Priscila Candida relata que muitos empreendedores entenderam a pandemia como oportunidade, e também, muitos empreenderam por necessidade. “Algumas pessoas se viram sem saber para onde seguir e a única fonte de renda era entrega, delivery, que acho que foi um dos mercados que mais aumentou, Uber também, mas porque? Por causa do desemprego, com a pandemia muita gente foi mandada embora, mas pessoas foram perdendo a fonte de renda e aí se viram na necessidade de se reinventar. E com a questão das pessoas dentro de casa buscarem uma comodidade, uma necessidade desse mais home office, você vai atendendo a necessidade do cliente, com as necessidades vai surgindo outras oportunidades, é isso, algumas foram por oportunidade e outras por necessidade”.

 

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O contador e sócio de uma loja de utilidades domésticas, Ezio João Stranieri desenvolveu como trabalho final de seu mestrado em Ciências Contábeis na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, uma dissertação com o tema “EMPREENDER NA CRISE: as dificuldades de uma microempresa na pandemia de COVID-19”. No trabalho, Stranieri relata que as medidas governamentais são importantes para ajudar pequenos negócios durante uma crise econômica. “Algumas empresas já entraram na pandemia com algum tipo de débito, não estavam estabilizadas financeiramente, as empresas que abriram com certeza tiveram dificuldades, como a economia está um pouco retraída, nós sentimos as vendas, na minha loja por exemplo, as vendas caíram do ano passado para cá”.

 

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O resultado da pesquisa de Stranieri apresentou os temas mais recorrentes sobre empreendedorismo na pandemia por meio de entrevistas. Os aspectos importantes que influenciaram os negócios durante uma crise econômica foram listados como a persistência do pequeno negócio, solicitação de assessoria profissional, importância das informações gerenciais, dar mais importância para o pequeno negócio, alta carga tributária, processo administrativo, falta de qualificação do gestor, perfil do entrevistado, ramo de atuação, rotina da empresa e papel do contador.

No segundo momento da pesquisa, Stranieri elencou as dificuldades e incertezas recorrentes em suas entrevistas, a exemplo de dificuldades existentes antes da crise, porte da empresa, empresas estabilizadas financeiramente sofrem com a pandemia, dificuldades para contratação de empréstimo para capital de giro e incertezas pós pandemia.

Stranieri relata por finalidade sobre as oportunidades e mudanças que uma crise econômica pode causar em empreendimentos, de acordo com seus entrevistados, como as mudanças na forma de atuar para o enfrentamento da crise, possibilidade de entender os diferenciais do pequeno negócios, capacidade de reação durante a crise, ideia de empreender e recomendações para enfrentar uma pandemia.