PANTANAL

Pantanal em chamas

Brigadas comunitárias atuam na prevenção e combate de incêndios no Pantanal, bioma que teve 1.314.875 hectares queimados até outubro de 2021

Por Evaldenir Amaral Da Silva

O treinamento e formação de brigadas comunitárias é uma das estratégias adotadas por instituições governamentais e do terceiro setor para combater os incêndios no Pantanal. O bioma registrou em 2020 o maior número de focos de incêndios desde 1989, 219% a mais do que em 2019. Segundo dados divulgados pelo Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia (LASA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 1.710.450 hectares do Pantanal no Mato Grosso do Sul foram destruídos pelo fogo em 2020, número agravado por uma combinação de fatores climáticos, sociais e políticos. A área queimada é de 1.314.875 hectares no Pantanal sul-mato-grossense até primeiro de outubro deste ano. Neste contexto, as brigadas comunitárias são a linha de frente em defesa do Pantanal. 

 

HERÓIS ANÔNIMOS

As brigadas comunitárias do Mato Grosso do Sul são formadas e treinadas por meio de parceria entre Organizações Não Governamentais (ONGs) e o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), órgão pertencente ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). As equipes são compostas por moradores de comunidades do Pantanal, que se voluntariam para o combate ao fogo. A chefe da brigada formada na Área de Proteção Ambiental (APA) Baía Negra, Maria de Lourdes Arruda passou pelo treinamento em 2019.  Maria de Lourdes Arruda vive na região há mais de 20 anos e explica que participar das brigadas foi a forma que encontrou para agir. “O ser humano é muito cruel com nosso mundo, tem mais gente para colocar fogo do que para apagar. Eu me tornei uma brigadista de coração para melhorar minha comunidade, para cuidar um pouco da nossa natureza”. 

Maria de Lourdes Arruda estava na linha de frente no combate ao fogo que atingiu quase quatro milhões de hectares do Pantanal em 2020. “É horrível quando a gente chega e vê aquele fogo alto, você tem a sensação que não vai conseguir controlar. Às vezes tem vento e o fogo volta para o seu lado. Você fica completamente desorientada, perdida. Mas depois que a gente consegue combater o fogo, a sensação é de um alívio imenso, de tarefa cumprida”. Segundo Maria de Lourdes Arruda, os incêndios estão ausentes na região da APA Baía Negra em 2021 e a equipe de oito voluntários está atenta para qualquer intercorrência. “Estamos passando por uma seca extrema, é sorte que não tivemos fogo ainda. Espero que as coisas continuem assim, mas estamos de olho. Estamos prontos para qualquer foco de incêndio que possa prejudicar nossa área”.

Além do treinamento, as equipes recebem Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e materiais de combate às chamas. O coordenador do Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) em Mato Grosso do Sul, Márcio Yule diz que os treinamentos incluem técnicas de abertura de linha de defesa, o comportamento do fogo, queima controlada, organização dos materiais e, principalmente, a segurança durante a atividade. “É extremamente importante que ao entrar em um incêndio florestal, todos envolvidos saibam qual é a rota de fuga, todos precisam ter essa informação. A gente forma esquadrões e tem um chefe que vai ficar responsável por traçar a sua estratégia em cada incêndio”. 

 

VÍDEO MÁRCIO YULE “13:03 Nenhum fogo é igual ao outro, porque ele acontece em dias diferentes, horas diferentes, condições climáticas diferentes, combustíveis diferentes. isso interfere em um incêndio ser totalmente diferente do outro, até pelo início desse fogo como foi. A gente sabe que 98% dos incêndios que ocorrem no Brasil são causados pelo homem, por diferentes segmentos das nossas sociedades, 2% causas naturais, há relatos de fogo iniciado por raios, mas aí normalmente quando cai o raio normalmente chove. E essa área que é atingida por esse fogo do raio é uma área bem menor do que um incêndio colocado por alguém usando pinga-fogo, ou utilizando outro equipamento para acender o fogo e virar um incêndio florestal”. 

 

Yule explica que a atividade é considerada de risco e que o treinamento é essencial para preparar os brigadistas para os perigos existentes durante um incêndio. “Ano passado nos incêndios no Brasil ocorreram quatro mortes de pessoas envolvidas no combate. A gente tem uma ideia de que quem morre é a comunidade, mas na maioria das vezes quem morre são os envolvidos na operação de combate. Ao treinar e oferecer os EPI, você dá uma maior segurança na atividade e maior chance do combatente finalizar o serviço sem sofrer acidentes”.

O brigadista Gilson Pinheiro é líder do esquadrão formado no fim de agosto na aldeia La Lima, município de Miranda, e relata que o trabalho exige preparo físico, psicológico e emocional. “É um serviço muito árduo, de alto risco. Em alguns incêndios a gente só consegue fazer o combate depois de dois ou três dias, isso exige muito do psicológico, do corpo. Por ser um serviço perigoso, a gente tem que ter amor no que faz, senão não consegue desempenhar o trabalho”. Pinheiro relata que decidiu atuar no combate aos incêndios devido à ligação que possui com a natureza por ser indígena. “Se puder ajudar de alguma forma, a gente está pronto para lutar por amar a natureza como uma mãe, por ter esse vínculo grande com a comunidade também. O meu objetivo maior dentro da minha comunidade é prestar um serviço solidário, visando a atenção das crianças, preparação das crianças para o futuro, para ajudarem a cuidar do nosso rio, da nossa floresta”. 

A atuação das brigadas vai além do combate direto às chamas. A prevenção é uma das principais estratégias adotadas pelas equipes. O diretor presidente da ONG Ecologia e Ação (Ecoa), André Luiz Siqueira explica que os brigadistas promovem educação ambiental em suas comunidades. “Mais do que dar condições de combate, as brigadas mudam a dinâmica local, sensibilizam, educam, transformam as pessoas. É muito mais uma mudança de comportamento, de dar ferramentas para mudar o entorno e aí esse esforço coletivo gera resultados”. A Ecoa é uma das Organizações Não Governamentais que atuam com o Prevfogo para formar brigadas comunitárias e participou da articulação para formar 17 brigadas desde 2006, cinco delas treinadas no último ano. 

Siqueira reforça que os locais escolhidos para a formação dos esquadrões são considerados estratégicos. “A formação de brigadas parte do interesse do grupo social, mas também são lugares importantes para a conservação dos biomas. Muitos desses lugares estão inseridos em lugares no mapa do fogo, que recorrentemente pegam fogo”. Siqueira enfatiza que a proximidade das equipes do local onde atuam favorece a atuação no combate às chamas. “Ao iniciar um incêndio, se você está perto desse fogo e está preparado para realizar o combate, o tempo de resposta vai ser menor. Vamos ter um prejuízo ambiental e uso de recursos também menores, já que o incêndio se encontra em uma área pequena, trazendo benefício para todo mundo”. 

O brigadista Alvino de Souza é um dos líderes da brigada formada na aldeia indígena Brejão em Nioaque. Segundo Souza, a comunidade possui uma relação próxima com a equipe, vista como “um suporte, um amparo para as pessoas”. A equipe, formada por 14 brigadistas, realiza debates para viabilizar o uso sustentável do fogo. “Nossa função também é orientar as pessoas que queimam sem ter a noção do que estão fazendo. A gente orienta as pessoas das famílias, explica para não colocarem fogo em lixo, em lugar que possa sair esse fogo para fora”. 

A região onde Souza atua sofreu com incêndios que destruíram parte das florestas que cercam a aldeia e destruiu lavouras de agricultores locais em 2019. “O que a gente já passou para trás não queremos passar agora, isso de queimar nossas matas, nossos campos. A gente fala com a comunidade que temos muitos bichinhos no mato que não vão conseguir escapar do fogo se tiver incêndio, que vão morrer tudo. E isso a gente não quer de jeito nenhum”. 

ÁUDIO ALVINO (1:57-3:37)A gente está levando conhecimento para as crianças, para os jovens, para as famílias todas, que tem que ter muita cautela para botar fogo, para não queimar, para não destruir, não matar os bichinhos mais. As matas nossas morreram quase tudo, tem parte que morreu com o fogo e só tem capim. Aí é quando morre a cutia, morre o macaco, morre o veado, o jabuti, nessa queimada que teve o ano retrasado, descontrolada, a gente recolheu muito jabuti que o fogo passou por cima deles, cateto que a gente via deitado no chão,sem poder levantar. onde passou o maior fogo, os macaco não escapou, morreu tudo. A gente fica triste quando vê uma situação dessa, mas agora com a brigada a gente está tentando levantar e por consciência nas pessoas para que não bote fogo, chama nós, chama o pessoal da brigada que estamos dispostos a ir lá em qualquer lugar que for para ajudar, para não deixar queimar mais.o que aconteceu e a gente já sofreu muito com o fogo. Hoje a brigada vem para nos apoiar, para nos ajudar, os companheiros tudo. A gente leva as crianças também, os jovens, para poder ir ensinando eles cada dia mais.  A comunidade já nos acha um amparo, tudo que eles fazem, avisam a gente. Eles não colocam mais fogo sem nos avisar. E a gente fica muito satisfeito por estar nesse trabalho levando conhecimento e fazendo com que eles participem, as crianças, os jovens. Temos muita tranquilidade hoje, já dormimos mais tranquilos, porque cada um é responsável por aquilo que faz, então não estamos sofrendo mais tanto com queimada.

O Pantanal possui diversas características que dificultam a logística de combate ao fogo. Segundo o coordenador estadual do Prevfogo, Márcio Yule chegar em algumas regiões pantaneiras e permanecer nas áreas próximas aos incêndios é um desafio que desgasta as equipes envolvidas. “A gente fala que o Pantanal está seco mas não quer dizer que ele é fácil de andar, não tem estrada ali. Então no deslocamento é preciso passar por dentro de baías, de área com barro, que atolam”. Além disso, o trabalho de contenção do fogo pode ser prejudicado em regiões onde os corixos, canais e baías estão sem água ou trancados por vegetação, onde impede a chegada de brigadistas para combater as chamas. 

De acordo com Yule, as vantagens das brigadas comunitárias são conhecimento da região onde vivem e resposta rápida aos incêndios. “Quando as equipes do Prevfogo voltam para o combate e procuram os brigadistas locais, com as informações deles já adiantamos muito o combate. Eles falam termos, dão desenho da área que conhecem bem”. Segundo Yule, o incêndio florestal é dividido em cinco fases. As fases são reconhecimento, ataque, controle, extinção e vigilância. “O reconhecimento você faz muito mais rápido  porque vai estar tratando com pessoas que tem a ideia daquele incêndio, conhece a área, sabe do comportamento daquele incêndio, sabe do material que tem que utilizar”. 

Yule diz que, ao terminar a formação de uma nova brigada, o sentimento principal é de “bateria 100% cheia”. O coordenador do Prevfogo afirma que as brigadas trazem segurança tanto para as comunidades quanto para as demais equipes que atuam no combate ao fogo. “Quanto mais brigadas a gente criar no Pantanal, em diferentes locais, com espaçamento bem distribuídos, a gente vai dar uma resposta mais rápida, são parceiros distribuídos pelo bioma. É uma sensação de renovação ao término de uma capacitação, de você saber que com aquela brigada você vai poder contar em um combate”.


CAUSAS DOS INCÊDIOS

Um incêndio florestal necessita de três elementos básicos para se propagar. Os elementos são combustível, ignição e oxigênio. Segundo o diretor presidente da Ecoa, André Luiz Siqueira o Pantanal possui todos os elementos necessários para que o fogo se alastre em excesso durante um período do ano. “De julho a setembro, temos uma condição que faz a situação no Pantanal virar pólvora. Temos muito combustível, que é a vegetação seca, ventos associados a esse período, falta de chuva e capacidade de umidade relativa do ar baixíssima, que chega a níveis de deserto”.

Siqueira explica que os incêndios durante esta época do ano são criminosos. “Os incêndios no Pantanal possuem em sua maioria absoluta a ignição antrópica, uma ação feita pelo homem. Podemos dizer isso porque nesse período o fogo não é associado a raios porque não temos chuvas. Também são extremamente raros os acidentes onde a fiação elétrica estoura e pega fogo na vegetação”. 

Para o diretor presidente da Ecoa também há fatores políticos que aprofundam a crise dos incêndios. “O que aconteceu nos últimos anos está associado também ao fator político, de mudança na agenda ambiental brasileira, que tem a responsabilidade de fazer o trabalho de prevenção e combate de incêndios. Vemos retenção de orçamento, o discurso de desconstrução de agenda ambiental e o aumento da impunidade, o que gerou a maior tragédia ambiental do bioma”. 

De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, a estação de inverno contribui para a ocorrência de queimadas no Pantanal. A vegetação perde líquido com as baixas temperaturas, o que a deixa seca e isso favorece a ocorrência de queimadas.  “As condições meteorológicas que diminuem a ocorrência de queimadas no Pantanal são a ocorrência de chuvas, solo com umidade e prevenção. Na ausência desses, nada se pode fazer”. O inverno começou em 21 de junho e termina em 22 de setembro deste ano no Brasil. As principais características do inverno são escassez de chuvas, tempo seco, grande amplitude térmica e temperaturas baixas.

VIDEO PANTANAL QUEIMADO –  credito: Jaime Rodrigues

IMPACTOS PARA A FAUNA E FLORA PANTANEIRA

O Pantanal é considerado um dos biomas mais importantes do Brasil e do mundo. Está localizado entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e também abrange áreas da Bolívia e do Paraguai. Há mais de 1,2 mil espécies de animais e duas mil plantas nativas do Pantanal, segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Os incêndios ocasionam impactos na fauna e flora local. O fogo destrói florestas, campos, pastos e matas.

O biólogo formado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Thiago Saiefert explica que os animais são impactados pelas queimadas. “Muitos animais ficaram encurralados pelos incêndios, muitos morrem, outros ficam gravemente queimados. Existe uma perda de habitat, animais territorialistas, como as onça-pintada, são forçados a migrar para outras áreas. A fauna também sofre muito pela fumaça e inalação da fuligem, que prejudica a saúde. A fumaça também afeta as aves durante o voo pela falta de visibilidade”. Saiefert completa que os impactos para o equilíbrio no ecossistema ainda precisam ser estudados a longo prazo. 

De acordo com o relatório ‘Counting the Dead: Vertebrates Directly Killed by the 2020’s Wildfires in the Pantanal Wetland, Brazil’, divulgado pela Research Square, ao menos 17 milhões de vertebrados foram mortos diretamente pelas chamas que destruíram o bioma em 2020. As espécies mais afetadas são pequenas serpentes e pequenos roedores, com perda estimada de 9.391.408 e 3.288.688 animais mortos, respectivamente.

AUDIO ALEXANDRE – está no drive. É de 4s a 1min 18seg. 

FOTO SUCURI QUEIMADA/MORTA – crédito: assessoria corpo de bombeiros

O analista ambiental do Prevfogo/Ibama, Alexandre Pereira afirma que a estrutura da vegetação do bioma Pantanal é alterada com a devastação do fogo. “A flora é mais visível a gente observar porque o fogo se alimenta da flora, que é o combustível desse fogo, o fogo consome totalmente a flora. Você deixa de ter árvores maiores e daí você tem a alteração da estrutura, você tem perda de biodiversidade”.

O Pantanal é uma savana de planície alagada com características de outros  biomas que o cercam, como o Cerrado, a Caatinga, o Chaco e as florestas tropicais. Segundo o analista ambiental do Prevfogo/Ibama, Alexandre Pereira existem vegetações no Pantanal que são dependentes do fogo, como gramíneas e árvores com cascas mais grossas, que necessitam do fogo para sua germinação, frutificação e floração. “Todas as savanas do mundo precisam de fogo porque o fogo é um agente perturbador natural nesses ambientes. Se a gente excluir o fogo desse ambiente a gente vai acabar a longo prazo prejudicando mais do que tendo fogo de uma forma regular na época correta e em uma frequência correta”.

O biólogo Thiago Saiefert explica que plantas características de savana podem ser beneficiadas pelo fogo, há espécies endêmicas do Pantanal que possuem pouca resistência a incêndios. “Por mais que exista resiliência ao fogo, pelo pantanal ser formado por espécies de savanas, de cerrado, lá também ocorrem espécies endêmicas, só encontradas ali. Essas espécies não necessariamente tem relação com fogo”. De acordo com Saiefert, após os incêndios de 2020, há a possibilidade de extinção de espécies da flora pantaneira, o que também afeta a fauna local. 

A recuperação do bioma após os incêndios é influenciada por fatores ambientais, sociais e políticos. Segundo Saiefert, “a resiliência do Pantanal não depende só da própria força da natureza. Depende também da mobilização da população para não colocar mais fogo, da própria fiscalização para achar culpados. Existe também o fator ambiental, a questão da falta de chuvas e dos níveis dos rios muito baixos, o que deixa a vegetação ainda muito seca”. O biólogo explica que a dinâmica da fauna e flora local  pode ser impactada de forma irreversível após incêndios de grandes proporções. “Muito se falou que o bioma se recuperaria dos incêndios, mas após incêndios do nível de 2020, que destruiu 30% do bioma, muitas espécies que estavam ali antes talvez não consigam voltar com a mesma força”.

 

PREVENÇÃO

Uma forma de evitar a propagação de incêndios florestais no Pantanal é implementar aceiros, faixas desprovidas de vegetação que servem para barrar o fogo e impedir que ele continue seu rumo. Manter terrenos limpos e capinados e evitar jogar pontas de cigarro acesas na vegetação à beira de rodovias também são atitudes que evitam incêndios.

Outra forma eficaz de combater o fogo no Pantanal é realizar queimadas na época correta, frequência correta e locais corretos, chamadas popularmente de queimadas preventivas ou controladas. De acordo com Pereira, o objetivo das queimadas controladas é “queimar a vegetação do Pantanal que serviria de combustível para as queimadas”.

As queimadas controladas estão suspensas em todos os 79 municípios do estado de Mato Grosso do Sul até 30 de outubro deste ano devido à estiagem prolongada, de acordo com decreto nº 80 de 12 de julho de 2021 publicado no Diário Oficial. A chuva também é eficiente no combate às chamas porque deixa o solo úmido. Outra forma eficaz no combate aos incêndios na zona rural é evitar o uso de fogo em julho, agosto e setembro, meses do inverno, pois as condições climáticas são desfavoráveis para a época.

De acordo com o Artigo 250 do decreto lei nº 2.848 de 7 de dezembro de 1940 do Código Penal Brasileiro, causar incêndio que cause perigo à vida ou ao patrimônio público é crime, com pena de três a seis anos de reclusão e multa. A detenção diminui para seis meses a dois anos caso o incêndio for culposo.

INFOGRAFICO PEQUENO – cores em vermelho

Atear fogo em espaço público e áreas preservadas é crime!

DENUNCIE!

 Campo Grande é 156 – Semadur

Mato Grosso do Sul é 193 – Bombeiro

Brasil é 0800 061 8080 – Ibama

(fonte: Alexandre Pereira – Prevfogo)

PREJUÍZOS À SAÚDE HUMANA

As queimadas são prejudiciais à saúde do ser humano. A fumaça proveniente de queimadas provoca coceira na garganta, lacrimejamento e vermelhidão nos olhos, agrava doenças como rinite, sinusite e bronquite e pode causar até câncer no pulmão. O alergista Leonardo Britto afirma que a fumaça proveniente de queimadas pode levar o paciente a óbito. “A queimada pode ser fatal porque a pessoa acaba respirando uma quantidade muito grande de gás carbônico, e esse monóxido de carbono acaba que se liga numa célula que a gente tem no corpo chamada de hemoglobina, que vai transportar o oxigênio no sangue para todos os nossos tecidos do corpo”.

A umidade relativa do ar varia entre 15% e 35% durante a estação de inverno em Mato Grosso do Sul, de acordo com o meteorologista Natálio Abrahão. Os índices são semelhantes ao clima desértico. O deserto é caracterizado pelo clima quente, baixo índice pluviométrico, baixa umidade relativa do ar e grande amplitude térmica. Segundo o alergista Leonardo Britto, a umidade relativa do ar indicada é de 60% ou mais. “Com clima seco abaixo dos 60%, as vias respiratórias, células que produzem muco, vão ter que trabalhar muito mais para tentar adequar essa melhor umidade para fazer a troca respiratória”.

INFOGRÁFICO – DICAS TEMPO SECO –

- beber no mínimo dois litros de água por dia

- fazer refeições saudáveis

- umidificar o ambiente

- hidratar a pele com creme corporal

- Evitar exposição solar e atividades físicas entre as 10h as 17h

- usar roupas claras

(fonte: alergista Leonardo britto)

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