EDUCAçãO

Impactos da pandemia na educação

O período de pandemia da covid-19 impactou o sistema de ensino e fez com que professores, pais e alunos planejassem novas formas de trabalhar o processo de ensino e aprendizagem

Por Giovanna Cristina Da Silva

A  educação passou por mudanças durante a pandemia do Coronavírus, desde os métodos pedagógicos adotados em sala de aula até as relações sociais entre alunos e professores. As aulas presenciais em Campo GrandeMato Grosso do Sul, foram suspensas no dia 15 de março por meio do Decreto nº 14.189 e o ensino remoto foi inserido na rotina dos estudantes das redes públicas de ensino. O cenário educacional passou por adaptações com a inserção de tecnologias no modelo de ensino remoto e híbrido, para que as aulas pudessem continuar durante os anos de 2020 e 2021

Com a inserção do ensino remoto, a rotina que antes do isolamento social envolvia a socialização, proximidade e hábitos de estudo, passou ao uso das tecnologias e das distrações presentes em cada moradia. Segundo a pedagoga e pesquisadora da Educação e Ensino à Distância da Faculdade de Educação (Faed) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Daiani Riedner os modelos pedagógicos tradicionais de ensino anteriores à pandemia eram focados na transmissão do conteúdo. “A gente termina a educação infantil onde está tudo relacionado à criatividade e ao trabalho colaborativo e de repente colocam a gente naquelas cadeiras enfileiradas e nós temos que aprender. É um modelo muito transmissivo, sem autonomia de estudar e parece que sem ouvir o professor falar nós deixamos de aprender, mas na verdade existem inúmeras formas de aprender sem ser alguém falando”.

O novo modelo de ensino causou alterações na rotina dos alunos e dos familiares e exigiu a adaptação conjunta à nova realidade. A representante comercial Jaqueline Strege, mãe do estudante do ensino fundamental da rede municipal de ensino, Guilherme Strege, de oito anos, comenta que manter a disciplina na hora do estudo com o filho complicou sua rotina. “A maior dificuldade que a gente teve durante o ensino remoto pelo menos na minha casa foi a questão de concentração, porque quando você sai da sala de aula, quando você sai daquele contexto, daquele universo a criança se dispersa, né?”. A estudante do Ensino Médio da Rede Estadual de Ensino, Larissa Cabral relata que antes da pandemia, a sua rotina consistia em acordar cedo, ir para a escola, participar de aulas de canto e fazer trabalhos no colégio após o horário de aula. “Quando veio a pandemia, deixei de manter a minha rotina de estudos, praticamente parei de estudar porque tive dificuldades em continuar”. 

ÁUDIO JAQUELINE

Isolados

Devido a pandemia e a necessidade do isolamento social, a única maneira encontrada para restabelecer o ensino foi por meio de ferramentas digitais. Os conteúdos que anteriormente eram ministrados em salas de aula tiveram que ser readaptados e transmitidos por programas de vídeo e conversas por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp. A Rede Municipal de Ensino disponibilizava as aulas por meio da TV Educativa com a TV Reme, para atender os alunos de forma mais democrática e acessível. O uso das tecnologias foi um dos diferenciais desse novo modelo de ensino, que reuniu o uso de aplicativos de ensino e mídias sociais para a transmissão de explicações e dúvidas. De acordo com o diretor da Escola Municipal Profº José de Souza, Edilmar Galeano as escolas municipais adotaram o método de apostilas de um mês, onde os professores entregavam as apostilas com atividades aos responsáveis dos alunos e após um mês de aula retornavam para retirar a próxima apostila.

Para Edilmar Galeano, o ensino remoto trouxe grandes dificuldades para os professores, alunos e pais. Ele considera que houve um atraso na aprendizagem dos alunos, principalmente no hábito de estudo. “Nós estávamos entre os últimos na avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) em matemática e português e eu vejo que os alunos perderam o hábito de estudo e que todo aquele trabalho feito em anos anteriores, parece que foi perdido por essa pandemia”. Para a representante comercial Jaqueline Strege, mãe do estudante Guilherme Strege, sair do universo escolar transformou a percepção de seu filho com os estudos. “Antigamente, passava uma manhã e tinha o horário do almoço e para se arrumar para ir para a escola. Os estudos eram atrelados a um local, com a supervisão de um professor e depois passou a precisar de ferramentas e aparelhos eletrônicos”.

Segundo o cientista social do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Tiago Duque a implementação do ensino remoto de forma repentina merece críticas. No início da pandemia, a falta de planejamento, atenção e de acesso aos materiais e tecnologias por parte de alunos que estavam em maior vulnerabilidade social, são apontados por Duque como pontos negativos do ensino remoto. A pedagoga e pesquisadora da Educação e Ensino à Distância da UFMS, Daiani Riedner ressalta que a pandemia evidenciou a necessidade de formar os professores para o uso das tecnologias de forma didática. Para a professora do quinto ano das escolas estaduais de Campo Grande, Olinda Teixeira Bacha e Onze de Outubro, Rita Auxiliadora da Silva Pedraça o ensino remoto trouxe incertezas e dificuldades para os professores, no momento em que essa modalidade de ensino foi implementada.

VÍDEO DAIANI (VÍDEO NOMEADO COMO "2" NO DRIVE)

Rita Auxiliadora da Silva Pedraça afirma que seus colegas de trabalho foram surpreendidos com a implantação do ensino remoto e das plataformas utilizadas para ensino, como o Google Classroom, Google Drive e Google Meet. “Eu acho que, em primeiro lugar, nós deveríamos ter uma formação para trabalhar com tecnologias, com essas novas mídias, para assim podermos atender os alunos que também estavam desacostumados com uso da internet em aula”. Segundo ela, o acompanhamento do ensino e o momento para tirar dúvidas com os alunos eram feitos por grupos de WhatsApp com os responsáveis dos estudantes e por reuniões do Google Meet. A professora ressalta que o esquema de postagem das atividades pelas plataformas do Google, eram feitas de forma bimestral, quinzenal ou diária. “Mediante essas plataformas, nós professores e os alunos tínhamos acesso à postagem das atividades. Os alunos também podiam realizar as postagens no Google Drive, ferramenta que utilizamos para elaborar formulários, postar atividades, avaliações e simulados”.

O estudante do Ensino Médio da Rede Estadual de Ensino, Rodrigo Lima relata que durante o ensino remoto, deixou de aprender por falta de atenção e comenta que essa dificuldade também foi notada por seus amigos da escola “Eu me senti prejudicado durante o ensino remoto, sem ter o foco voltado totalmente para o ensino. Deixei de dar uma segunda chance para o ensino e para o aprendizado, eu sentia dificuldade em absorver o conteúdo e em dar a importância que ele merecia". Para o estudante de ensino médio, Marco Antônio Perdomo a principal dificuldade em estudar de forma remota, foi conseguir manter o foco e a mesma rotina de antes. O estudante optou por abandonar os estudos no início da pandemia devido a falta de perspectivas em relação à volta presencial. “Me manter concentrado por muito tempo é bem complicado pelo fato de eu ter dislexia, sair do ambiente escolar e ter que estabelecer uma nova rotina completamente sozinho foi algo que me deixou bem perdido no começo”.

INFOGRÁFICO 2

A pedagoga Daiani Riedner ressalta que as consequências do ensino remoto foram diversas de acordo com tudo o que foi vivido neste período. “Todo mundo online, intensificação do uso de telas, diminuição da nossa atividade física nos trouxeram desafios. Os estudantes tiveram dificuldade em ter autonomia para estudar de forma remota e falta de concentração, devido aos fatores externos e emocionais que foram complexos para todos nós”. O estudante Marco Antônio Perdomo possui déficit de atenção e afirma que a pandemia afetou seu processo de aprendizagem e que sentiu dificuldades em absorver o conteúdo ministrado. “A escolha de parar com os estudos estagnou meu ensino médio e me fez perder completamente o ritmo dos outros anos, de qualquer forma, acredito que o ensino também seria prejudicado se eu continuasse”. O estudante relata que teve sua saúde psicológica e suas relações sociais afetadas neste período, que antes da pandemia ficava na escola em tempo integral. “Sempre fui muito tranquilo e reservado, mas a convivência com o pessoal da escola era o único momento em que eu via pessoas diferentes da minha família, ficar sem essa rotina me afastou ainda mais das pessoas e refletiu no meu emocional”. 

ÁUDIO DAIANI

De acordo com a psicóloga Sara Ferreira, houve um aumento no número de alunos que procuraram por atendimento psicológico durante a pandemia, uma das principais queixas foi em relação à transição do ensino presencial para o remoto. “Vem muito sofrimento nesse sentido, os alunos chegam com muitas crises de ansiedade, de estresse, porque eles vem de um caminho, de um estudo presencial, de uma forma de estudar própria e de repente há uma ruptura sem aviso prévio”. Para ela, o contexto da pandemia trouxe impactos à rotina e à saúde psicológica dos alunos, que terão resquícios posteriores. A psicóloga ressalta que outro impacto que a pandemia trouxe foi no ambiente de estudo, que se fundiu ao de descanso e interferiu no rendimento do aluno. “A pessoa está em casa, no quarto, mas ela não sabe se está trabalhando, dá um bug no cérebro, o lugar que você entrava, que era para descanso, agora você entra e “é descanso? ou é trabalho? ou é estudo?” é o que que você tá fazendo ali?”. Sara Ferreira afirma que essas questões precisam ser observadas com cuidado, e que os estudantes precisam compreender que é uma fase e tentar encontrar formas de descansar e aproveitar a vida.

ÁUDIO SARA

Pane no Sistema

As mudanças na educação vieram de forma repentina e sem muitas explicações. Para a psicóloga Sara Ferreira, essas modificações exigiram adaptações rápidas onde nem todos conseguiram se adequar, uma vez que muitos possuem impasses com o ensino remoto. A psicóloga ressalta que os alunos se sentem frustrados em relação à falta de produtividade e a queda no rendimento, e costumam fazer comparações com o desempenho nas matérias em semestres anteriores. O estudante Rodrigo Lima, da Rede Estadual de Ensino, explica que a distração presente no ambiente doméstico foi sua principal dificuldade. "Às vezes eu estava vendo aula e recebia alguma mensagem, aí se minha mãe me chamava eu tinha que parar a aula e ir atender ela”.

VÍDEO LARISSA

O diretor da Escola Municipal Profº José de Souza, Edilmar Galeano salienta que os computadores da escola em que atua são do ano de 2008, os quais possuem uma defasagem de 13 anos em relação a 2021 e por essa razão, alunos e professores sofreram impasses ao utilizá-los. “As maiores dificuldades que nós tivemos foi com relação ao uso da tecnologia, pois o professor da escola pública desconhece o uso de softwares e os recursos tecnológicos, que estão aliados à carência das escolas que estão desacostumadas a usar”. A professora das escolas estaduais Olinda Teixeira Bacha e Onze de Outubro, Rita Auxiliadora da Silva Pedraça e o diretor Galeano concordam que os professores tiveram que se reinventar, principalmente na maneira em como ensinavam. De acordo com o diretor, as mudanças causadas pela pandemia ocorrem de forma repentina, “de uma hora para a outra o que aconteceu? Os professores tiveram que ser produtores de vídeo, redatores e tiveram que gravar aulas, ou seja, atividades que estavam fora de seu costume”.

INFOGRÁFICO 2

 Para Rita Auxiliadora da Silva Pedraça o momento foi de reformular, com algumas ressalvas. "Meu trabalho como professora aumentou bastante, foi hora de recriar meu lado profissional, mas às vezes, dava um desespero, muitas vezes eu desacreditava que iria dar conta de cumprir meu trabalho e atender as necessidades dos meus alunos”. De acordo com a psicóloga Sara Ferreira, o ensino online contribuiu para que professores que estavam em outro estado continuassem a dar aula. Por outro lado, prejudicou aqueles alunos que tiveram dificuldades em se adaptar ou que estavam sem  acesso de qualidade à internet ou computadores. “Às vezes uma escola de periferia passou essa pandemia inteira sem ter um estudo legal ou interessante, porque os alunos estavam sem acesso à internet e aos materiais. Assim como pode ser diferente para uma escola privada onde os alunos possuem melhores condições”. 

VÍDEO DAIANI (VÍDEO NOMEADO COMO "1" NO DRIVE)

Cada um no seu quadrado

A médica infectologista da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Mariana Croda defende que as atividades integrais escolares deveriam ter sido as primeiras a retornar, como ocorreu nos países com economia desenvolvida e com bons indicadores sociais. “A partir do momento em que há um controle dos casos de óbitos e internações, o retorno às atividades fica mais seguro. Os professores e a comunidade escolar estão vacinados e as taxas de transmissão das crianças são bem menores, então mesmo que esse público ainda esteja sem vacina, por causa da pouca transmissão, o retorno pode ser feito com segurança". A infectologista ressalta que o retorno às aulas deve ser feito com cuidado e orientação, toda a comunidade escolar e os responsáveis pelas crianças devem estar atentos aos possíveis sintomas de covid-19, para evitar transmissões na área escolar. “Na população infantil é muito importante o reconhecimento precoce dos sintomas de coronavírus e se for confirmado, a criança deve permanecer afastada das atividades. Além disso, a escola deve orientar a higienização frequente das mãos, o distanciamento e priorizar por atividades em espaços abertos e em áreas ventiladas".

As aulas da rede municipal de ensino (Reme) retornaram de forma híbrida no dia 26 de julho de 2021. Segundo a diretora da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) José Carlos de Lima, Clemilda Silvério para que o retorno às aulas fosse idealizado as unidades da Reme e a comunidade escolar, elaboraram um documento de Procedimento Operacional Padrão (POP). O documento possui estratégias de limpeza, recomendações e soluções aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na Nota Técnica n°. 22/2020.

Clemilda Silvério ressalta que há um protocolo de acesso à instituição para evitar aglomerações e propagação do coronavírus. Pais e alunos devem entrar pelos dois portões frontais e sair pelo portão do estacionamento, totens de álcool em gel estão disponíveis nos portões de entrada, onde é realizada a aferição da temperatura. Se houver casos onde a temperatura ultrapasse 37,5°C, os alunos deverão ser encaminhados com os responsáveis para uma nova aferição na direção escolar. Segundo a diretora, todos os profissionais que atuam na escola estão imunizados contra a covid-19 e o espaço escolar passa por desinfecção sempre que necessário, o uso dos espaços externos são priorizados e previamente definidos por meio de escalas. Medidas que incluem o distanciamento interpessoal foram estabelecidas e comemorações de datas festivas foram suspensas, além disso as refeições começaram a ser servidas dentro das salas de aula.

Para a pedagoga Daiani Riedner, os professores se dedicaram totalmente às crianças que estavam em casa durante a pandemia. Existia um trabalho de interação com esses alunos, de busca ativa e de contato. A pedagoda pontua que devido ao ensino híbrido, atualmente os professores ficam sem conseguir dividir o tempo entre quem está de forma presencial e quem está de forma remota. “As crianças que optaram por continuar no ensino remoto recebem uma apostila para o desenvolvimento das atividades e a gente sabe que para elas desenvolverem o trabalho é preciso um acompanhamento da família e é muito complicado exigir isso dos familiares”.

A professora das escolas estaduais Olinda Teixeira Bacha e Onze de Outubro, Rita Auxiliadora da Silva Pedraça afirma que sentiu insegurança em voltar às aulas no início, devido aos números altos de óbitos pela covid-19 e pelo fato de nem todos os professores estarem vacinados. “No começo me desesperei, estava extremamente insegura em retomar às aulas, principalmente pelos alunos, pois os casos continuavam altos e a vacina era apenas para grupos essenciais”. O diretor da Escola Municipal Profº José de Souza, Edilmar Galeano concorda e afirma que hesitou na retomada das aulas pelo fato de ter contraído coronavírus e pelas consequências que a doença trouxe. “Confesso que fiquei inseguro em relação ao retorno, fiquei 60 dias internado, fui entubado, fiz cirurgia de traqueostomia, fiquei em uma situação bastante debilitada. Na escola tivemos muitas perdas de funcionários por covid-19, minha incerteza era porque lidamos diariamente com jovens, crianças, pais e funcionários administrativos".

A psicóloga Sara Ferreira acredita que haverá impactos psicológicos nos alunos com o retorno gradual, uma vez que a estrutura organizacional das escolas foi alterada. “Vai ter menos alunos nas salas de aula, vão continuar com as normas de biossegurança e as relações serão impactadas, a questão do distanciamento, da falta do abraço, da falta de estar perto e o receio de ser contaminado com o vírus”. A psicóloga ressalta que as relações sociais dentro das escolas serão alteradas, ela comenta que cada pessoa se adaptou de uma forma ao contexto da pandemia e com o retorno, os alunos podem ficar receosos em manter relações próximas. Ela acredita que os estudantes estarão mais cautelosos em relação aos lugares em que irão sentar e aos materiais que irão utilizar. 

Segundo Clemilda Silvério, a Escola Municipal de Educação Infantil José Carlos de Lima possui 10 salas de aula e cada uma oferece um dispenser de álcool em gel na entrada para que os alunos façam a higienização das mãos, além de possuir dispenser de sabonete líquido na pia localizada na entrada da escola e lavatório do refeitório. A diretora informa que a organização da quantidade de alunos no perímetro escolar é feita por grupos. “As crianças dos grupos 1, 1 II A, grupos 2 e 3 estão sendo atendidas sem escalonamento em período parcial, sendo 50% da turma no período matutino e 50% no vespertino. Grupos 4 e 5 são atendidos por escala de 50%, sendo uma semana na escola e outra em casa”. Clemilda Silvério complementa que os alunos que ficam a semana em casa e que recebem atividades assistidas pela equipe pedagógica.

De acordo com o diretor Edilmar Galeano, as aulas na Escola Municipal Profº José de Souza retornaram em modo híbrido, conforme o Procedimento Operacional Padrão. Em cada sala de aula há espaço para 15 alunos por semana, o que difere do ensino presencial, que seriam 30 alunos por sala diariamente. Para o diretor, os primeiros dias de aula foram de adaptação. “O primeiro dia de aula presencial foi um dia bastante atípico em que os alunos estavam muito frios, muito inseguros, com medo, eles não queriam nem ir ao banheiro, não queriam lanchar. Foi um momento bastante tenso, não só no primeiro dia como nas três primeiras semanas de aula”. Segundo Rita Auxiliadora da Silva Pedraça, os professores das escolas estaduais receberam capacitação para a volta às aulas, que apresentou orientação sobre o manual de biossegurança, distanciamento das carteiras nas salas de aula e das novas maneiras de acolhimento dos alunos.

Presente, professor

O cenário pós pandêmico, de acordo com a pedagoga Daiani Riedner, terá diversas transições. Para ela, as relações dos professores com a escola, das famílias com a rotina escolar dos alunos e dos estudantes com o processo de aprendizagem será uma perspectiva positiva após a pandemia. “As mudanças estruturais, que foram tensionadas pela pandemia, ainda estão em processo. O olhar dos gestores públicos precisam estar atentos para instituir as mudanças na infraestrutura, na formação, na organização dos espaços escolares e nas demandas tecnológicas”. Para Daiani Riedner, esses fatores foram evidenciados durante a pandemia e o processo para atender essas demandas é complexo e pode demorar a acontecer mesmo no cenário pós-pandêmico. Ela ressalta que para além das relações sociais, o retorno gradativo das atividades trará a necessidade de realizar um planejamento a curto prazo atento às condições que serão impostas por causa da pandemia. “O uso intenso das tecnologias vai continuar e nem tudo que o tínhamos presencialmente continuará. Acredito que se nós aprendemos com a pandemia, o tempo presencial será usado para propor outras estratégias dentro da educação, além de aulas expositivas, de forma que tenham mais trocas, engajamento, colaboração e aprendizagem mais ativa".

VÍDEO DAIANI (VÍDEO NOMEADO COMO "3" NO DRIVE)

De acordo com o cientista social Tiago Duque, as mudanças que a pandemia trouxe para a educação são de diferentes ordens e que em muitas situações, após a pandemia, o trabalho remoto continuará sendo realidade. Duque reforça que o trabalho pós pandemia trará desafios em relação ao acesso, permanência e manutenção da qualidade de ensino. “Em muitas situações continuaremos com o trabalho remoto ou atividades online. Isso implica em continuar a pensar em estratégias para diminuir as desigualdades de acesso e permanência de alunos sem suporte tecnológico e condições materiais para acompanhar as aulas". A psicóloga Sara Ferreira pontua que para que o ensino online continue a ser usado no pós-pandemia será necessário analisar o contexto escolar de cada instituição e se será adequado para os alunos. “O ensino tá bom para o aluno? Se em alguma escola for conveniente e interessante que continue de forma presencial, online, híbrida, acredito que é válido, mas tem que olhar o contexto da escola”. De acordo com a psicóloga, existe um impacto inicial nas crianças com esse retorno, uma vez que o ambiente escolar deixará de ser como era antes da pandemia.

VÍDEO SARA

A professora Rita Auxiliadora da Silva Pedraça acredita que o uso da tecnologia em sala de aula, como foi no ensino remoto e atualmente no híbrido, deixará de ser utilizado. Ela justifica que as escolas públicas estão escassas de materiais tecnológicos, com poucos recursos financeiros para investir em tecnologias e que possui computadores ultrapassados que, muitas vezes, são insuficientes para a quantidade de alunos de uma sala de aula. “Nós como professores sempre colocamos em nosso planejamento aulas na sala de tecnologia, mas às vezes é inviável por em prática, porque no dia da aula de informática, ou a internet não funciona ou o número de alunos é bem maior que o número de computadores que funcionam e aí fica complicado. Então é necessário uma grande mudança". O diretor da Escola Municipal Profº José de Souza, Edilmar Galeano acredita que a tecnologia se consolidou no sistema de ensino e afirma que há a necessidade de mudanças significativas nas ferramentas tecnológicas para professores. Para Galeano, deveria haver capacitações sobre o uso de softwares nas escolas, um espaço ideal para as aulas com computadores atualizados e maior inclusão do uso da tecnologia nas aulas para os alunos.

A infectologista Mariana Croda acredita que a convivência entre alunos e professores será restabelecida para a normalidade e que toda a comunidade escolar deve ser vacinada, pois mesmo com taxas de transmissão pequenas, as crianças podem transmitir a aqueles que estão completamente ou parcialmente imunizados. Para Mariana Croda, as medidas de biossegurança permanecerão por um bom tempo e a rotina anterior à pandemia da covid-19 deve voltar, em um primeiro momento, com restrições. “Em um segundo momento, com o avanço do controle da doença e da vacinação, sobretudo da vacinação das crianças, nós podemos pensar em um retorno minimamente semelhante ao que era em 2019.” Ela ressalta que a projeção do cenário escolar pós-pandêmico será de vigilância constante “Em relação ao Coronavírus, pode haver novas mutações e ter um escape da vacina em relação a novas cepas do vírus e isso pode causar novos surtos inclusive localizados dentro da escola”.

Serviço

A psicóloga Sara Ferreira, em parceria com cinco profissionais, criaram um projeto de atendimento psicológico social para universitários, onde fornecem serviços de psicoterapia com valor acessível para os estudantes sem condições de pagar o valor total. A iniciativa se deu devido ao aumento da procura por ajuda psicológica pelos alunos no período de pandemia. Universitários que precisam de ajuda psicológica podem entrar em contato por meio do telefone (67) 984-031-003.

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