O custo dos itens básicos de alimentação em Campo Grande representa mais da metade do salário mínimo. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indicam que a cesta básica totaliza R$780,29, valor que equivale a 52% do preço de R$1.621,00 da renda mínima de um trabalhador. Pesquisa do Dieese registrou o preço dos 13 itens da cesta básica e identificou variação em produtos como o café em pó (23,13%), feijão carioca (16,96%), pão francês (6,30%), carne bovina (3,46%) e tomate (1,23%). O preço do feijão carioca registrou a maior variação entre os alimentos, com alta de 22,05% em fevereiro de 2026.
O Dieese divulga dados sobre o custo mensal da cesta básica de alimentos nas capitais do Brasil. O levantamento de fevereiro de 2026, referente a variação nos últimos 12 meses, considerou o Distrito Federal e as capitais Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória. O valor da cesta básica em Campo Grande registrou alta de 0,82% desde fevereiro do ano passado.
A supervisora técnica do Dieese em Mato Grosso do Sul, Andreia Ferreira destaca que a queda no preço dos itens mais consumidos da cesta básica influencia diretamente na redução do valor total. Campo Grande, entre janeiro e feveiro, registrou a diminuição do preço médio de itens como o tomate (-9,23%), batata (-5,12%), óleo de soja (-3,65%), leite integral (-3,40%), banana (-3,10%), açúcar cristal (-1,74%), farinha de trigo (-1,35%, manteiga (-1,31) e café em pó (-0,02%). Andreia Ferreira destaca que “embora a carne bovina tenha tido 0,63% de variação, a quantidade de carne destinada para uma pessoa comer em Campo Grande faz o peso às vezes ser maior que o feijão carioquinha”.
A economista Aline Moreira ressaltou que a inflação e os custos logísticos, como transporte e combustível contribuem para a valorização dos produtos. “A inflação é medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, (IPCA). Quando a inflação aumenta, significa que os preços finais aumentaram. Isso é muito afetado na alimentação, porque a alimentação, na realidade, faz parte de tudo. Transporte afeta a alimentação, serviços afetam a alimentação, tempo, clima, então são N fatores que fazem base nesse preço final”.
Aline Moreira afirma que a inflação também influencia diretamente o preço dos alimentos. “Quando aumenta preços, nós, consumidores finais, já sentimos muito mais rápido do que um aumento no salário. O salário geralmente aumenta uma vez por ano e estudos que indicam que o aumento de salário não é proporcional ao aumento de inflação, que deveria ser um aumento maior”.
A pesquisa do Dieese registra que, para a manutenção de uma família de quatro pessoas, o salário mínimo deve ser de R$ 7.164,94, ou seja, 4,42 vezes o salário mínimo atual de R$ 1.621,00. O consumidor Francisco Cubel afirma que o salário mínimo é suficiente para cobrir despesas essenciais. “A questão do mercado precisa ser bem controlada, comprando o suficiente para o mês, sem exageros. Mas uma coisa que eu percebo é que, mesmo conseguindo cobrir o básico, é preciso abrir mão de outras coisas. Muitas vezes, deixo de gastar com lazer, de sair, de comprar roupas, livros ou outros itens que não são essenciais no dia a dia. Então, no geral, dá para manter o básico, mas fica mais apertado e limitado”.
Cubel destaca que busca por preços mais acessíveis e a substitui produtos por opções mais baratas. Cubel afirma que para ele "o planejamento nas compras é essencial para equilibrar os gastos, assim como escolher opções mais baratas de produtos na alimentação". O consumidor relata que "o que ajuda é justamente a ideia de não deixar de consumir produtos, mas procurar opções mais em conta”
Inflação sobre alimentos faz que consumidores busquem itens e marcas mais baratas
- (Foto: Ninfa Ribeiro)