Mato Grosso do Sul registrou alta no preço dos combustíveis nas ultimas semanas de março. Os preços praticados nos postos mantêm patamar elevado em diferentes municípios do Estado. A jornalista Natalia Yahn divulgou em nota na pagina oficial do governo do Estado de Mato Grosso do Sul que o governador Eduardo Riedel afirmou adesão a Medida Provisória nº 1.349/2026 editada pelo Governo Federal. A medida estabelece subvenção para produtores e importadores de diesel para reduzir impactos ao consumidor.
Postos de combustível em Mato Grosso do Sul registram valores acima de R$ 7,00 para o diesel em alguns municípios após o anúncio da Medida Provisória nº 1.349/2026. A medida ampliou a subvenção ao diesel e prevê adicional de R$ 1,20 por litro para importadores e de R$ 0,80 para produtores nacionais. O objetivo do Governo Federal é reduzir impactos causados pela alta do petróleo no mercado internacional sobre o transporte de cargas e mercadorias.
Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) registraram que o preço do diesel aumentou em Mato Grosso do Sul no mês março, com média de R$ 5,91 no início do mês e R$ 7,13 no fim do período. O levantamento de preços registrou variação entre municípios do Estado, com valores acima de R$ 7,00 em alguns postos. A gasolina passou de R$ 6,06 para R$ 6,52, enquanto o etanol variou de R$ 4,26 para R$ 4,44.
O economista e professor do curso de Ciências Econômicas na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Odirlei Dal Moro afirma que a alta no preço dos combustíveis acompanha oscilações no mercado internacional. Os conflitos entre Irã, Estados Unidos e Israel afetam o valor da commodity no mercado global e refletem nos preços do Brasil. “O preço dos combustíveis em geral segue o preço internacional. Então, como nós estamos tendo esse conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, é natural que haja um impacto no preço do petróleo internacional e consequentemente no preço do diesel também”.
O diretor-executivo do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul (Sinpetro-MS), Edson Lazaroto ressalta que a subvenção aos combustíveis depende do repasse ao longo da cadeia de distribuição para refletir nos preços cobrados nos postos do Estado. “A subvenção não chega imediatamente aos postos porque o benefício é aplicado primeiro sobre produtores e importadores. O repasse ao consumidor final não ocorre de maneira imediata, existe todo um processo de distribuição e comercialização, além da influência do preço internacional do petróleo, para esse custo refletir no consumidor final".
Odirlei Dal Moro avalia que o subsídio reduz efeitos mais graves na economia e na inflação.“O subsídio vai ter um impacto importante no sentido de frear a inflação, uma vez que grande parte dos produtos depende do diesel para o transporte até o consumidor final. Há aumento nos preços, mas ele poderia ser muito maior sem o subsídio ao produtor, com impacto no produto final”.
O motorista de aplicativo Renan Santos afirma que a variação no preço dos combustíveis impacta diretamente sua rotina de trabalho e o planejamento financeiro devido à imprevisibilidade dos valores. “É muito relativo, porque a gente nunca sabe ao certo qual vai ser o valor. Isso acaba mexendo no nosso lucro, né? A gente já tem uma estratégia traçada, mas precisa ficar recalculando o tempo todo, o que vai sobrar, quando e quanto precisa abastecer".
Posto de combustível na Capital com preços acima de R$ 7,00
- (Foto: Gabriela Ruas)