Por Julia Nogueira Padilha
Auditores da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) divulgaram um Relatório de Monitoramento dos Índices de Desempenho (Remid) do transporte público de Campo Grande. O Remid registra a avaliação do transporte coletivo de Campo Grande nos meses de agosto, setembro e outubro de 2024, e foi publicado no Diário Oficial no dia 21 de novembro. Os auditores avaliaram onze fatores e nenhum deles foi considerado “regular” ou “insuficiente”.
O Consórcio Guaicurus é responsável por fornecer dados aos auditores da Agetran e da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), que conferem as informações e utilizam fórmulas para calcular a avaliação de cada critério. Os itens conforto, acessibilidade, pontualidade, qualidade da frota e desempenho econômico foram classificados como padrão “excelente”. Cobertura do sistema e manutenção da frota foram classificados como “ótimo”. Regularidade, eficiência e cortesia na prestação obtiveram a classificação “bom”.
O auditor responsável pelo relatório, Henrique Matos explica que esta é a primeira vez que este tipo de documento é produzido e que as fórmulas utilizadas são estabelecidas por contrato. “A gente faz a avaliação, embora a gente entenda que não é a melhor forma de medir isso. A gente entende que essa fórmula não vai refletir a realidade, mas é o que está posto no edital e eu preciso cumprir. A Agetran está cumprindo o edital, mesmo quando ela não concorde com o edital. Isso tinha que ter sido corrigido na licitação em 2012, agora, em 2024, no meio da concessão, você não consegue alterar isso”.
A estudante do curso de Fisioterapia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Vanessa Lopes discorda dos resultados obtidos no relatório. “Os ônibus vivem extremamente lotados e tem poucas unidades rodando”. A maior reclamação entre os usuários é a superlotação do transporte em horários de pico, falta de ventilação e pouca rotatividade. O vendedor Diego dos Santos utiliza o transporte público diariamente e avalia o espaço e a ventilação do transporte público de forma negativa.
O motorista da linha 061, que parte do Terminal Moreninhas ao Shopping Campo Grande, Carlos Nascimento afirma que o calor é a maior reclamação no trajeto. “Como passo muito tempo dirigindo, o calor fica insuportável por ser um lugar sem muita ventilação, além de tudo com salário baixo”. O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU-CG) realizou acordo para aumento de 8% a mais no vale alimentação após negociações com o Consórcio Guaicurus. O salário dos motoristas é de R$2.749 e o vale alimentação R$250.
Ônibus 070 no Terminal Morenão em Campo Grande
- (Foto: Murilo Medeiros)