Mato Grosso do Sul registrou aumento nos casos de feminicídio no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior. O Monitor de Violência Contra a Mulher  contabilizou nove casos de feminicídio entre janeiro e março deste ano, em comparação sete ocorrências em 2025. Os crimes foram registrados em diferentes municípios do estado como Campo Grande (1),  Anastácio (1), Bela Vista (1), Corumbá (1), Coxim (1), Paranhos (1), Ponta Porã (1), Selvíria (1) e Três Lagoas (1).

A página do Monitor de Violência Contra a Mulher, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, reúne informações sobre a violência contra a mulher como violência doméstica, estupro, homicídios de mulheres, atendimentos de emergência, medidas protetivas de urgência solicitadas e concedidas. O Monitor também reúne informações sobre o perfil da vitima, como a faixa etária, raça e cor. Mulheres na faixa etária de 30 a 59 anos são as principais vítimas de feminicídio.  

A professora e doutora em Direito, Andrea Flores destaca que o feminicídio tem respaldo jurídico na aplicação de penas mais severas e possibilita criar medidas efetivas de combate. "Com esses dados, o estado consegue não apenas criar medidas de combate, mas também atuar de forma multidisciplinar contra a violência doméstica". Segundo a professora, a tipificação específica do crime tornou mais preciso a análise estatística e o direcionamento das políticas públicas.

A secretária Executiva da MulherAngélica Fontanari destaca o alcance das políticas públicas voltadas à proteção das mulheres em Campo Grande, como o Programa CG Delas, que atua em saúde, proteção, capacitação e autonomia financeira. “CG Delas que é um ecossistema de fortalecimento e proteção para as mulheres, onde são mais de 24 projetos trabalhando concomitantemente para fortalecer essa mulher”. A função Botão da Vida, inserida no aplicativo Protege CG+, é uma das principais ferramentas de resposta em casos de risco, com acionamento da Guarda Municipal e encaminhamento das vítimas para atendimento especializado na rede de proteção. "Os nossos resultados são muito positivos. Todas as vezes que o nosso botão foi acionado, nossa guarda municipal chegou em menos de cinco minutos de acionamento e todos os autores foram autuados em flagrante".

Dados mais recentes indicam que a violência letal contra mulheres cresce a cada ano. O psicólogo da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, Rodrigo Kenji afirma que esse cenário  influencia o comportamento social. "O que atualmente a gente identifica como possível motivador do aumento da violência contra a mulher é o discurso misógino nos meios de comunicação, principalmente na internet, como por exemplo, o movimento que incentiva a inferiorização feminina, conhecido como Redpill".