FEMINICíDIO

Mato Grosso do Sul registra quatro novos casos de feminicídio em novembro

As denúncias de violência contra mulher acontecem com mais frequência entre 25 e 29 anos e com mulheres negras, e seus companheiros são os principais responsáveis pelos crimes

Por Gabriel Diniz Fernandes

Mato Grosso do Sul registrou 30 feminicídios em 2024. Os últimos quatro casos aconteceram nos primeiros 17 dias de novembro. A capital registrou nove casos e superou o número de 2023, quando oito mulheres foram vítimas do crime. O último caso em Campo Grande ocorreu no dia 11 de novembro. A vítima foi uma mulher de 44 anos.

O estado é o sexto com maior índice de feminicídios no Brasil, com média de dois casos a cada 100 mil mulheres. O Ministério das Mulheres contabilizou, pelo canal Ligue 180, 1.214 denúncias de violência contra a mulher até julho de 2024. Mato Grosso do Sul apresentou um aumento de 27,25% em relação ao mesmo período em 2023.

Segundo a professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Katarini Miguel "o feminicídio é um problema estrutural da sociedade brasileira" e que o aumento de casos permanece. “Esse crime está diretamente ligado a uma sociedade patriarcal, que está pautada na dominância do homem sobre a mulher e na objetificação, enquanto essa mentalidade prevalecer, o homem continuará achando que tem o direito de cometer esse crime. O feminicídio é o tipo de violência mais brutal, e mesmo assim os números continuam alarmantes”.

 A delegada titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Elaine Benicasa afirma que a prevenção é a principal maneira de evitar o crime de feminicídio. “Nós devemos prevenir e inibir as ações que antecedem o feminicídio, na maioria dos casos os autores do crime são abusivos, há uma relação abusiva, onde houve agressões, xingamentos, manipulações. Essa prevenção é diretamente ligada à informação, saber pelo que a mulher está passando e direcioná-la para a denúncia com o objetivo de evitar o feminicídio”.

A coordenadora do Núcleo Institucional da Cidadania da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Maíra Pacheco relata que as mulheres devem ficar atentas a sinais de alerta no relacionamento. “ A violência doméstica é composta por cinco ciclos, a física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. A partir do momento em que se cria a confiança no parceiro, os momentos de início, que eram de afeto e romance, passam a ser discussões verbais e físicas, até culminar na prática do feminicídio, por isso a importância em perceber essas violências e denunciá-las”.

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