ECONOMIA

Cresce a demanda por opções vegetarianas em Campo Grande

Segundo dados do IBOPE, 8% da população declarou-se vegetariana. De sobá a hambúrguer, comércio campo-grandense se organiza para atender a demanda

Por Barbara de Almeida

Com o crescimento da demanda por alimentos sem derivados de origem animal no Brasil, o mercado de restaurantes e lanchonetes de Campo Grande começou a adaptar seus cardápios para atender essa nova clientela. Segundo a última pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) são 15,2 milhões de vegetarianos no país, cerca de 8% da população brasileira.

De acordo com a Pesquisa da Pecuária Municipal realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados de 2009, no Estado habitam 22.325.663 bovinos, enquanto a população humana é de 2.587.269 habitantes, uma média de nove cabeças de gado para cada indivíduo. Em Mato Grosso do Sul, Estado considerado como "terra da pecuária”, o setor vegetariano representa um espaço de mercado na capital, pela falta de concorrência.

O Primeira Notícia levantou estabelecimentos campo-grandenses que oferecem pratos sem carne ou derivados de origem animal na cidade, de olho nesse mercado crescente. São diversas opções, como encomendas, lanches ou café da manhã, até almoço ou jantar.

Restaurantes

O bolo vegetariano* usa leite de coco para substituir os ovos. Exemplo de encomenda particular do Broto de Bambu. Foto por Natália Moraes

Broto de Bambu, administrado por Beatriz Chen, é o único estabelecimento de Campo Grande que vende apenas pratos sem qualquer tipo de carne. Natural de Taiwan, Chen decidiu abrir o restaurante quando se mudou para o Brasil. A dieta é herança de sua família, que é vegetariana há três gerações. “Eu não sei fazer outra coisa”.

Empresária no ramo desde 2001, Chen foi proprietária de outro estabelecimento com este perfil na capital, o Café Lírio. Após o fechamento do lugar, em 2010, criou o Broto de Bambu. Chen afirma que o público de seu restaurante é composto por pessoas que trabalham na região, principalmente por funcionários do Fórum Civil e Criminal de Campo Grande e do Hospital Proncor, que ficam próximos. Segundo a proprietária, “nem todos são vegetarianos, muitos são pessoas que buscam uma vida saudável”.

O restaurante Broto de Bambu realiza eventos fora do horário de atendimento, como a “Noite da Pizza”, “Rodízio de Sushi” e casamentos, para atender a demanda externa de seu público. Outro atrativo são suas características “zen”-  como música ambiente relaxante, decoração oriental e uma pequena fonte, que permite proximidade com água corrente. São gostos da proprietária, “quero que todo mundo que almoce aqui se estresse menos”.

Poh-Ling pretende ampliar seu cardápio com novas opções vegetarianas, como caldos. Foto por Natália MoraesRestaurante Lee, localizado em área central de Campo Grande, não trabalhava com opção vegetariana no cardápio quando abriu. Sua proprietária, Poh-Ling Lee, relata como cresceu a demanda por alimentos sem derivados de origem animal em seu restaurante, "as pessoas procuravam comida vegetariana por aqui depois que o Café Lírio fechou, então primeiro criei o yakisoba com soja, depois o tofu xadrez e a guioza com carne de soja”.

Segundo Lee, a procura por pratos sem carnes no restaurante é formada principalmente por jovens e universitários, e a busca é crescente. Isso a motiva  a expandir a quantidade de alternativas sem origem animal e criar um cardápio só para os vegetarianos no futuro.

Lanchonetes

O proprietário do restaurante e lanchonete Rodrigo Sanduba, Rodrigo Barbosa, procura estar atento às necessidades e dicas do público vegetariano campo-grandense. Recentemente incorporou ao cardápio um sobá feito à base de palmito, cebolinha e carne de soja. De acordo com ele, "o lucro não paga as contas da lanchonete ainda, mas a demanda é bem satisfatória. Tem dias que vendo mais vegetariano do que de carne”.

Antigamente, o proprietário Rodrigo Barbosa vendia lanches em um trailer, em frente à Prefeitura Municipal. O estabelecimento atual existe há quatro anos. Foto por Natália MoraesNo começo, Barbosa atendia exclusivamente o público onívoro. Quando uma frequentadora pediu o lanche sem presunto, ele percebeu uma demanda que precisava ser investida, “quando entrei no segmento vegetariano foi visão de negócio, não tinha opção na cidade, decidi atender esse pessoal e aumentar minhas vendas’”. Para isso, Barbosa primeiro planejou um hambúrguer de soja e, com o aumento da procura, criou um cardápio adicional, voltado para o público vegetariano.

Segundo Barbosa, o preço médio de pratos sem ingredientes de origem animal ainda é acima dos padrões de restaurantes comuns. “Há pouca concorrência, o que encarece o produto final. Ao passo que o frigorífico fabrica 100 toneladas de calabresa, a pessoa que produz linguiça vegana faz 100 quilos. Enquanto não houver demanda e mais gente fabricando o mesmo produto, o preço não vai baixar”.

Encomendas

Além dos restaurantes e lanchonetes, há em Campo Grande quem trabalhe com encomendas de comidas vegetarianas. É o caso do acadêmico vegetariano de Análises de Sistemas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, UFMS, Ed Wassouf. Para o cozinheiro, a procura é alta, “geralmente tenho que limitar o número de vendas para dar conta”. Wassouf também é proprietário da página Cozinha de Solteiro nas redes sociais, onde posta receitas de sua autoria.

Para suas encomendas, Wassouf produz salgados, pratos prontos, queijos vegetais, panetones e afins, para datas específicas do ano, e casamentos e aniversários. Sua última "criação" foi uma nova fórmula para a salsicha vegetariana, uma alternativa mais econômica aos interessados - o preço do produto industrial é considerado oneroso.

Serviço

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