A rede de atenção primária de Campo Grande registrou mais de 7.940 atendimentos à pessoas com hipertensão e diabetes e mais de 97 mil pessoas em atividades coletivas entre janeiro e agosto de 2026. O programa acompanha pessoas com hipertensão e diabetes e reforça o controle das doenças crônicas por meio da verificação de pressão e glicemia, orientação sobre medicamentos e mudanças de hábitos, como alimentação adequada e prática de atividade física.  O programa faz parte do acompanhamento disponibilizado pela Rede Municipal de Saúde às pessoas com condições crônicas de saúde.

O Hiperdia reúne monitoramento da pressão e da glicemia, avaliação de exames e medicamentos e orientações sobre alimentação e atividade física na Capital. A busca ativa dos pacientes também integra o trabalho das equipes de saúde da família para manter o acompanhamento de quem deixa de comparecer às consultas e atividades. O principal objetivo do programa é controlar a pressão alta e a glicemia e melhorar a qualidade de vida da população com doenças crônicas. 

A hipertensão e o diabetes exigem acompanhamento contínuo, provocam complicações quando o tratamento não recebe o controle adequado. O Ministério da Saúde define a hipertensão como fator de risco para acidente vascular cerebral, infarto e aneurisma, o diabetes exige controle permanente para reduzir complicações, como glaucoma e amputações não-traumáticas. O acompanhamento de hipertensão e diabetes reúne atendimento profissional, monitoramento dos pacientes e atividades coletivas de orientação.

O médico mestre em Saúde da Família e Comunidade, Yuri Mateus Muniz destacou que é necessário a busca ativa aos pacientes para manter o acompanhamento atualizado. Segundo ele, hipertensão e diabetes estão entre as condições crônicas de maior impacto na rede de atenção primária em Campo Grande. “Quando um paciente deixa de comparecer, a Estratégia de Saúde da Família permite trabalhar com busca ativa, principalmente através dos agentes de saúde, além do contacto pela própria equipe e das ações realizadas no próprio território”. 

Primeira Notícia UFMS · O médico de família, Yuri Mateus Muniz fala sobre as dificuldades de garantir o acompanhamento contínuo aos pacientes

A Agente Comunitaria de Saúde (ACS), Aline Chaves Pereira ressalta que o acompanhamento é necessário para identificar instabilidades na pressão arterial e na glicemia e avaliar a necessidade de ajustes na dosagem dos medicamentos durante o tratamento.  "Com o acompanhamento é possiveil identificar alterações na pressão arterial e na glicemia, além de avaliar  as irregularidades, se estiver alguma coisa acontecendo, que o médico já pode fazer, é, uma troca de receita ou mudar a medicação".

A paciente Teresinha Jesus Portoliero participa do Hiperdia há anos e ressalta que mantém a frequência no acompanhamento para verificar exames e medicamentos. “Todos os Hiperdia eu venho, porque é uma coisa que você já consulta tudo, vê os exames, os remédios que eu preciso”.

O médico Gerson Maciel de Souza destaca que o tratamento das duas doenças depende da associação entre medicamento, atividade física e alimentação adequada. “Então, o tratamento sempre eu falo para eles que é um tripé, né, que é a mudança dos hábitos, que inclui atividade física, mudança de hábitos alimentares e a medicação”. A interrupção de qualquer uma dessas medidas compromete o controle das doenças e aumenta a sobrecarga sobre as demais formas de tratamento.

O relatório do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde registra doenças crônicas entre os adultos das em todas as capitais brasileiras. O Vigitel apresenta casos de hipertensão em 27,9% dos adultos das 26 capitais e do Distrito Federal em 2023, com frequência maior entre mulheres, de 29,3%, e entre homens, de 26,4%. O relatório mostra diagnóstico de diabetes em 12,9% das mulheres adultas em 2023 em Campo Grande. O índice para o público masculino ficou em 4,6%.

Odete Xavier, de 74 anos, iniciou o acompanhamento no Hiperdia. Ela convive com diabetes há mais de 30 anos, utiliza dois tipos de insulina, Regular e NPH, e mantém uma rotina com alimentação controlada e atividade física. “Ah, eu faço atividade física. Faço musculação, caminhada”. Odete Xavier comentou dificuldade para controlar a glicemia, no dia em que iniciou o acompanhamento. "Quando foi medido aqui eu fiquei muito decepcionada. Porque eu comi bem pouquinho e deu 270. Então, achei muito... é muito difícil de manter".

O acompanhamento realizado por grupos cria um espaço de convivência para os pacientes. A Agente Comunitária de Saúde, Luciana Corrêa destaca que o contato com outras pessoas facilita a troca de experiências e fortalece o vínculo com a equipe de saúde. “No nosso hiperdia, a média de 30 pacientes, até mais, e a gente percebe que geralmente são os mesmos. Porque a gente troca a receita de seis em seis meses, que é válida, mas a pessoa quer ver alguém, conversar, ter uma experiência”.

Primeira Notícia UFMS · A Agente Comunitária de Saúde, Luciana Corrêa fala da importância do tratamento em grupo

A hipertensão exige medição regular da pressão e acompanhamento profissional para o controle da doença. Os profissinais do Ministério da Saúde aconselham que pessoas com mais de 20 anos afiram a pressão pelo menos uma vez por ano e que pessoas com histórico familiar façam a verificação ao menos duas vezes por ano. O Sistema Único de Saúde (SUS)  oferece medicamentos para hipertensão e diabetes nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e pelo programa Farmácia Popular. O acompanhamento regular inclui o controle da glicemia, o uso correto dos medicamentos e da insulina para as pessoas com diabetes, além de orientações sobre alimentação e atividade física.