A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande coletou 13.982 amostras em 2025 para identificar o perfil epidemiológico da Leishmaniose Visceral Canina. As amostras positivas representaram 13% do número coletado. O índice de positividade representa redução em relação ao levantamento de 2019, último realizado no município, quando registrou-se 23%. A Leishmaniose é uma doença infecciosa que afeta cachorros e humanos por meio da transmissão da picada do mosquito-palha.

As coletas foram realizadas nas sete regiões de Campo Grande com maior concentração de casos nas regiões Sul, Norte-Segredo e Oeste-Lagoa. O perfil predominante dos animais afetados é de cães adultos, semidomiciliados e não castrados, sem diferença entre machos e fêmeas. A doença é  causada por fatores socioambientais, como o crescimento urbano desordenado, acúmulo de matéria orgânica e alterações climáticas.

A médica veterinária e doutora em Ciência AnimalJuliana Galhardo ressalta que os sinais da Leishmaniose em cães são percebidos por meio de mudanças no quadro cliníco.  “Com o avançar da doença, esses animais tendem a ficar bem magrinhos e muitos desses animais podem ter hemorragia e anemia, que são sinais de agravamento da doença. Mas os primeiros são o aumento das unhas, a perda de pelo e pode ter descamação de pele nessas fases iniciais, que pode ser localizado ou na pele toda”.

A médica reforça que é importante a castração para cães. “Existe a possibilidade de transmissão via sexual. Então, cães com Leishmaniose, se estiverem estáveis e em tratamento, é recomendado também castrar, seja macho ou fêmea”. A transmissão para outro animal ocorre por meio do leite, na amamentação dos filhotes. 

A professora e doutora em Biologia Parasitária, Alessandra Oliveira afirma que a Leishmaniose tem duas formas clínicas principais, a visceral e a cutânea. Segundo ela, animais e humanos são infectados pela doença, e os cães têm mais epidemiológico nos casos de Leishmaniose Visceral por serem reservatórios do parasita. A professora destaca que “gatos também podem se infectar, mas ainda não está comprovada a possibilidade de transmissão para o vetor".

Alessandra Oliveira destaca que, sem diagnóstico e tratamento, a Leishmaniose visceral levar cães e humanos à morte. “O cão adoece como o homem, ele vai e morre se não for tratado”. Nos cães, os sintomas incluem emagrecimento, perda de pelos, descamação da pele, crescimento das unhas, aumento do fígado e do baço e alteração dos gânglios linfáticos.

                                   

Os casos confirmados de Leishmaniose humana aumentaram em 2025, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) identificou 34 casos. A doença causa febre, emagrecimento progressivo, anemia e aumento do fígado e do baço. A Leishmaniose cutânea provoca o surgimento de úlceras na pele “geralmente, onde houve a picada do inseto e a transmissão do parasita”. Segundo a professora Alessandra Oliveira, as formas visceral e cutânea possuem tratamento e cura clínica. As medidas de prevenção incluem o controle do inseto vetor, o uso de coleiras repelentes em cães e a aplicação de inseticidas em residências.