A população dos bairros Tiradentes e Aero Rancho reclamam de falhas no atendimento e falta de insumos básicos na rede pública de Saúde de Campo Grande. A superlotação, escassez de água, banheiros em situação precária e paredes com infiltração e mofo são as principais queixas dos moradores. A falta de investimentos nas Unidades de Saúde do município compromete a qualificação dos profissionais, os equipamentos utilizados e o atendimento ao público.
A Prefeitura de Campo Grande encaminhou um Projeto de Lei para Câmara dos Vereadores que terceiriza a administração dos Centros Regionais de Saúde (CRS) dos bairros Aero Rancho e Tiradentes. Os CRSs são unidades com atendimento 24 horas para pacientes classificados em situações de urgência e emergência na capital. A Câmara Municipal de Campo Grande, por 17 votos contrários e 11 votos favoráveis rejeitou o Projeto de Lei.
O secretário Municipal de Saúde, Marcelo Vilela destaca que o novo modelo de gestão "gera economia aos cofres públicos, pois os gastos mensais com os dois Centros Regionais estão acima de R$ 4 milhões". As denúncias de irregularidades no sistema de atendimento que ocorrem nos CRSs são investigadas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que instaurou um processo administrativo. O MPMS monitora os serviços oferecidos na rede pública de saúde e fiscaliza a aplicação de recursos públicos.
A trabalhadora autônoma Claunice Nunes afirma que o atendimento no Centro Regional de Saúde Aero Rancho é "lento e há falhas na classificação de risco. Eu esperei por quase três horas por atendimento médico para a minha filha, que estava com febre". Segundo Claunice Nunes, na unidade faltam médicos especialistas e medicamentos básicos, como Dipirona. "As crianças são atendidas como adultos também, não tem pediatra. Se você precisar de um pediatra, tem que se deslocar para uma unidade mais longe para receber o atendimento".
Thaís Farias acompanhou funcionária da empresa que gerencia ao Centro Regional de Saúde (CRS) do bairro Tiradentes. Thais Farias afirma que faltam profissionais na unidade, que aumenta o tempo de espera pelo atendimento médico. “Ela chegou já passando mal e com muito vômito. Por ela ter risco, eu achei que demorou bastante. Não vi muitos médicos. Nesse meio tempo, ela ficou com muita dor, foi vomitar de novo no banheiro e gemendo de dor”. Segundo ela, a estrutura precisa de reformas. “As torneirinhas do bebedouro estão com um saco de lixo preto. Na hora que ela foi ao banheiro e eu fui ver, não tinha nem papel-toalha para secar a mão”.
O que fazer em caso de negligência médica
Moraes orienta que pacientes com suspeita de negligência médica procurem o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ou a Associação das Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul. Segundo ele, a formalização da denúncia permite a abertura de investigação pelos órgãos competentes. "O caminho certo é o Ministério Público Estadual. O Conselho de Saúde da Prefeitura não vai para frente, se você faz uma denúncia lá, fica abafado. A gente leva a família no Ministério Público Estadual, dá parte na Polícia e pede para o delegado abrir o inquérito policial”.
Serviço
Associação das Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul: (67) 992-696-530
Ministério Público de Mato Grosso do Sul: (67) 3318-2032 ou 127
Pacientes aguardam atendimento no bairro Tiradentes
- (Foto: Juliana Menezes)