A Santa Casa de Campo Grande retém macas pertencentes ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e ao Corpo de Bombeiro Militar. A quantidade de pacientes do hospital supera o número de leitos disponíveis para atendimento. Os profissionais da Santa Casa utilizam as macas de transporte das equipes de socorro para suprir a superlotação.
Os pacientes transportados para Santa Casa permanecem na maca utilizada no resgate. O hospital retém de 20 a 40 macas, em média, por dia. Os pacientes utilizam as macas como leito nos corredores da Santa Casa por falta de espaço na sala de emergência e na enfermaria.
O Corpo de Bombeiros Militar marcou os equipamentos para identificação patrimonial como medida de controle. A corporação restringe o uso dos equipamentos exclusivamente às viaturas oficiais. As equipes de resgate dependem das macas para retornar aos atendimentos.
O Bombeiro Militar João*, afirma que “o comando não quis mandar a demanda pra frente para não se indispor com ninguém em ano eleitoral”. O bombeiro afirma que enfermeiros "pegam os colchões das macas para descanso próprio durante os turnos". O bombeiro destaca que a falta de equipamento nas instalações compromete as condições de trabalho dos bombeiros. “As ambulâncias que vêm do interior deixam as macas deles e levam as nossas”.
O médico coordenador do Pronto-Socorro da Santa Casa, Marcos Bonilha, afirma que o hospital utiliza equipamentos de transporte como leitos devido à alta demanda de pacientes. Segundo o médico, a unidade opera com uma quantidade limitada de macas próprias para realizar a transferência imediata de pacientes atendidos via resgate. Ele afirma que “a maca da empresa que trouxe vira leito dentro do hospital por falta de local para acomodação”.
Bonilha ressalta que o uso de macas de transporte como leitos improvisados compromete a segurança dos pacientes. O médico adverte que "o equipamento é instável e pode desmontar quando mantidos em pé". O coordenador do Pronto Socorro destaca que o hospital "enfrenta limitações para manter seu próprio estoque, já que o uso ininterrupto em um cenário de superlotação acelera o desgaste e a quebra dos materiais". Bonilha afirma que "não é possível repor os materias quebrados com a mesma velocidade que elas quebram”.
O analista de Sistemas Djavan Souto Loureiro afirma que ficou internado em um corredor da Santa Casa em abril de 2025. O analista descreve a internação na maca no corredor como "uma situação desagradável”. Ele afirma que "a equipe hospitalar alertou sobre a necessidade de aguardar em poltronas até que um leito ou maca fosse liberada".
O médico coordenador reforça que a Santa Casa é um hospital terciário e é o "fim de linha", considerada a última opção de assistência à pacientes com casos de alta complexidade, vítimas de derrame, infarto e acidentes de trânsito graves. Ele destaca que "o Pronto-Socorro deve ser um local de atendimento temporário e que a unidade frequentemente retém pacientes devido à falta de vagas nas enfermarias do andar superior do hospital. A gente fica com em torno de 80 pacientes aqui, enquanto a gente parte da premissa que deveria ter 13”.
Santa Casa tem número de pacientes superior ao de leitos.
- (Foto: Maria Eduarda)