A Caravana da Castração da Superintendência de Política Integradas de Proteção da Vida Animal (Suprova) realizou 1,7 mil atendimento de cães e gatos em Campo Grande. A quantidade representa 0,59% de 286 mil cães e gatos, número estimado pela Superintendência do Bem-Estar Animal (Subea). Os atendimentos ocorreram na capital e nos distritos de Anhanduí e Rochedinho entre março e abril de 2026.

A Caravana da Castração ocorreu durante 300 dias em Mato Grosso do Sul. O projeto atendeu 20 mil animais em 63 municípios do estado no periodo de junho de 2025 até abril de 2026. As equipes de atendimento da Caravana realizaram cirurgias em cidades como Miranda, Bonito, Jardim, Aquidauana e Corumbá, com média de 150 procedimentos por dia durante 38 dias. 

O superintendente da Subea, Edvaldo Sales estima que serão realizadas 30 mil castrações gratuitas em 2026. "A nossa demanda é muito grande perto do que a gente vem atendendo hoje. Por isso a gente vem intensificando e tentando aumentar as linhas de frente para conseguir atender o máximo possível". Segundo Sales o município tem dez clínicas particulares credenciadas para castração de animais de tutores inscritos no CadÚnico. As unidades atenderam 4.595 animais castrados entre janeiro e março de 2026. A Unidade de Bem-Estar Animal (Ubea) realiza cirurgias em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). 

A médica veterinária responsável técnica pela Caravana da Castração em Campo Grande, Gisele Bernardo afirma que o número de atendimentos vai aumentar para 22 mil animais. "Então acho que vai dar pra atender mais duas mil castrações". A veterinária ressalta que cada município recebeu quantidades diferentes de atendimentos, os municípios de Dourados e Corumbá receberam 1,6 mil cada.

A médica veterinária e professora na Faculdade Estácio, Gizelly Bandeira afirma que "mitos e boatos sobre os procedimentos realizados nos animais" afastam tutores dos animais. "O maior desafio é a conscientização da população". Gizelly Bandeira ressalta que a castração não altera o comportamento do animal. "Outra questão é o boato de que o animal vai ficar 'bobo' e não vai cuidar da casa. Isso são coisas que não têm qualquer fundamento". Ela afirma que existe uma resistência dos tutores em vacinar seus animais durante a campanha domiciliar de vacinação antirrábica. "As pessoas têm receio de abrir suas casas para fazer a vacinação por conta de assalto".

Zoonoses

A Secretaria de Estado de Saúde (Ses) registrou 426 casos confirmados de leishmaniose em humanos entre 2022 e 2025. O superintendente da Subea, Edvaldo Sales afirma que muitos tutores chegam à Ubea com animais positivos para leishmaniose sem tratamento. "É um animal que não é tratado. Então vai ter uma carga parasitária muito alta. Isso oferece grande risco, porque a leishmaniose pode ser transmitida para qualquer mamífero".

A esporotricose, que é transmitida por arranhadura de gatos infectados, é uma doença endêmica em Corumbá e Ladário com mais de 300 casos entre 2011 e 2018, Campo Grande registrou três casos em humanos nos últimos três anos. Gizelly Bandeira destaca que o tratamento para a doença tem prazo de dois a três meses com o uso de antifúngico. A veterinária afirma que a inserção de médicos veterinários em postos de Saúde é uma forma de auxíliar no diagnóstico precoce e acompanhamento de famílias carentes.