Campo Grande registrou 163,4 milímetros de chuva nos primeiros 15 dias de abril. O maior volume entre os municípios de Mato Grosso do Sul, 83% acima da média para o mês de abril em anos anteriores. Os temporais causaram alagamentos, erosão no asfalto e interrupçao do abastecimento de energia em vários bairros.
O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec) registrou aumentos nos índices pluviométricos. A primeira quinzena do mês de abril foi o período que ocorreu chuvas de maior intensidade em curtos intervalos de tempo. As avenidas Rachid Neder e a Presidente Ernesto Geisel estão entre os trechos alagados.
O meteorologista Natálio Abrahão destaca que a instabilidade em Campo Grande durou o mês inteiro. Tempestades de ventos e granizo atingiram as regiões do Pioneiros, Vila Santa Luzia, Jardim Centro Oeste e Jardim Los Angeles. Os temporais invadiram as casas dos moradores, causaram falta de energia nos bairros e deixou as vias urbanas alagadas.
Natálio Abrahão afirma que capital está mais quente e com formação mais frequente das nuvens de chuva. “As tempestades vêm trazendo grandes volumes, com 30, 40 milímetros em menos de uma hora. E o solo não tem condições de absorver tão rapidamente esses volumes explosivos de chuva”. Segundo Abrahão, há falta de absorção no solo da cidade; e com o aumento do volume de água na atmosfera, se transforma nos temporais.
O engenheiro ambiental Ariel Gomes afirma que Campo Grande tem “Plano Diretor da Cidade” que estabelece a infraestrutura e drenagem da capital. O plano foi criado em 1995 e ainda não foi atualizado. Gomes ressalta que o plano de drenagem não é colocado em prática na capital. “Nós não temos isso [cadastro de drenagem] até hoje, de forma organizada. Não foram reunidos em arquivos ou em algum programa específico para ter acesso a essas informações”.
Gomes afirma que a impermeabilização do solo e o sistema de drenagem da capital é sobrecarregada. Segundo Gomes, muitas áreas da Capital não tem rede de drenagem pluvial. "Têm bairros que a chuva cai, a água acumula e inunda aquele local. Não tem para onde a água ir”.
A nutricionista Thays Nogueira afirma que foi afetada com as fortes chuvas. A nutricionista destaca que sua mobilidade foi prejudicada devido aos alagamentos. Ela mora próximo à avenida Rachid Neder e, desde o ano passado as bocas de lobo no cruzamento com a avenida Ernesto Geisel, rua Rui Barbosa e a rua Pedro Celestino não escoam o suficiente “Tenho dificuldades de entrar no meu prédio”.
A Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil de Campo Grande emite alertas sobre o risco de fortes chuvas na Capital
- (Foto: Prefeitura de Campo Grande)